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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta quinta-feira

Cenário externo deve guiar Ibovespa, com bolsas no exterior em queda refletindo clima de piora na guerra comercial entre EUA e China

EUA x China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após três pregões em alta, o Ibovespa fechou ontem perto da estabilidade, com leve queda de 0,12%, com investidores acompanhando as notícias de que o centrão tomou as rédeas da agenda econômica e está empenhado em aprovar tanto a Reforma da Previdência quanto a Tributária. Hoje, entretanto, a bolsa deverá se guiar pelo cenário externo, com os principais índices operando em queda na manhã.

Os mercados da Ásia caíram nesta quinta-feira e os principais europeus operam em queda, assim como os índices futuros de Nova York, refletindo as preocupações dos investidores com acirramento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou à CNBC que uma viagem a Pequim para retomar as negociações comerciais ainda não foi programada, o que reduz as esperanças de uma resolução rápida para a guerra comercial.

Adicionalmente, a ata da última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), na qual a taxa básica de juros dos EUA foi mantida na banda entre 2,25% a 2,5%, revelou que os membros do Federal Reserve estão confortáveis com a taxa atual e acreditam que ela possa durar por "algum tempo" ainda, mesmo se a economia melhorar. Na Europa, pesa ainda a expectativa de renúncia da primeira-ministra britânica, Theresa May, “nos próximos dias”, segundo a imprensa britânica.

No Brasil, os destaques são as aprovações da Medida Provisória da Reforma Administrativa, que reduziu de 29 para 22 o número de ministérios do governo do presidente Jair Bolsonaro, no plenário da Câmara. Já a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou ontem a tramitação da Reforma Tributária, com uma proposta que unifica cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS) em apenas um, que será o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS).

1. Bolsas Internacionais
Os mercados da Ásia fecharam em queda nesta quinta-feira, com os investidores preocupados com uma recente escalada das atuais tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China – com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmando que não existem retomadas de negociações programadas.

Enquanto isso, no Japão, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial medido pela IHS Markit caiu de 50,2 em abril para 49,6 em maio, na primeira vez em seis anos e meio que o indicador fica abaixo de 50, demonstrando contração da atividade. “O recrudescimento das fricções comerciais EUA-China elevou a preocupação entre produtores de bens japoneses", comentou o economista da IHS Markit Joe Hayes.

Ainda na Ásia, merece a provável vitória do primeiro-ministro, Narendra Modi, nas eleições da Índia, para um segundo mandato, após seu Partido Bharatiya Janata (BJP) ter ganho a maioria dos distritos eleitorais.

Na Europa, os principais índices operam em queda, em meio a incertezas comerciais e políticas, na União Europeia. Os europeus vão escolher os novos representantes parlamentares em Bruxelas. Além disso, a incerteza sobre o Brexit continua a pesar, com a pressão crescente sobre a primeira-ministra britânica Theresa May, que pode renunciar nos “próximos dias”. O jornal The Times informou na quinta-feira de manhã que May vai anunciar que vai deixar o cargo já na sexta-feira.

Entre as commodities, os preços do petróleo operam em queda, em sequência aos movimentos da sessão anterior, em meio ao aumento dos estoques de petróleo nos EUA e à fraca demanda das refinarias. Os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram na semana passada, atingindo os níveis mais altos desde julho de 2017. Já o preço do minério de ferro opera em alta, em meio às preocupações com o rompimento de uma barragem da Vale.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h01 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,01%
*Dow Jones Futuro (EUA), -1,36%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,96%
*DAX (Alemanha), -1,98%
*FTSE (Reino Unido), -1,37%
*CAC-40 (França), -1,81%
*FTSE MIB (Itália), -1,77%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,58% (fechado)
*Xangai (China), -1,36% (Fechado)
*Nikkei (Japão), -0,62% (fechado)
*Petróleo WTI, -1,66%, a US$ 60,40 o barril
*Petróleo Brent, -1,73%, a US$ 69,78 o barril
*Bitcoin, US$ 7.588,15, -4,06%
R$ 31.650, -2,91% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,90%, a 728,50 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica
No Brasil, às 8h00, a FGV divulga o IPC-S da terceira quadrissemana e a sondagem do consumidor, ambos de maio. Às 10h00, o IPEA publica a inflação por faixas de renda de abril, enquanto a Receita Federal informa a arrecadação de tributos e contribuições previdenciárias de abril.

Nos Estados Unidos, às 9h30, o departamento do trabalho divulga o número de pedidos de auxílio-desemprego. Às 10h45, a Markit divulga o PMI preliminar de maio e, às 11h00, o departamento de comércio informa o número de vendas de novas moradias de abril.

3. Noticiário Político
O destaque político é a aprovação da Medida Provisória da Reforma Administrativa do governo do presidente Jair Bolsonaro, reduzindo de 29 para 22 o número de ministérios. Apesar da vitória do governo, o Centrão e os partidos de oposição retiraram das mãos do ministro Sérgio Moro, da Justiça, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que retornou à Economia. Moro lamentou a decisão, ponderando que “faz parte do debate democrático”. Se Bolsonaro quiser vetar apenas este trecho, corre o risco de ver caducar toda a MP.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovou ontem a tramitação da Reforma Tributária, com um texto próprio dos parlamentares, sem esperar pela proposta do governo – que seria enviada após a aprovação da Reforma da Previdência. A proposta, que teve como base as ideias do economista Bernardo Appy, unifica cinco tributos (IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS) em apenas um, que será o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS).

Após os protestos que tomaram as ruas na semana passada, o governo desbloqueou ontem R$ 1,59 bilhão para recompor o orçamento do MEC. Mesmo assim, a pasta da Educação continuará com R$ 5,4 bilhões contingenciados. O secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, admitiu que a iniciativa foi uma medida política, mas sem deixar evidente que reflete as manifestações da semana passada.

Sobre as manifestações programadas para este domingo de apoio ao presidente Bolsonaro, o Estadão ressalta que os atos estão ampliando as divisões entre grupos de apoiadores do presidente nas redes sociais e entre parlamentares do PSL. De um lado, os favoráveis são os grupos mais radicais e ligados a Olavo de Carvalho, e do outro correligionários que não se identificam com o filósofo, como Luciano Bivar, presidente do PSL, além de Janaina Pascoal.

4. Noticiário Econômico
O Estadão destaca que o governo deverá receber na semana que vem cerca de R$ 3 bilhões da Caixa como devoluções de empréstimos feitos durante o período do governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo a publicação, outros bancos estatais devem seguir o mesmo caminho. As remessas ao Tesouro Nacional devem somar R$ 86 bilhões. Apenas este ano, devem entrar no caixa do governo cerca de R$ 30 bilhões.

O presidente Jair Bolsonaro pediu que a Receita Federal estude um projeto que permita reavaliar patrimônios declarados no Imposto de Renda. O chefe do órgão, Marcos Cintra, disse que a temática do projeto é a reavaliação de patrimônios que "normalmente são declarados com valores históricos" e que "poderiam eventualmente ser declarados para valores de mercado". Segundo ele, a medida irá implicar em agilização de mercado, facilitação de negócios, e "alguma arrecadação extra em função dos que vierem a optar por um regime diferenciado".

Ainda na economia, Bolsonaro afirmou ontem, sem dar maiores detalhes, que irá apresentar uma proposta com potencial de gerar mais recursos que a Reforma da Previdência em dez anos. Segundo o presidente, o governo quer levar adiante propostas que aumentem a arrecadação, sem alta de impostos.

5. Noticiário corporativo
A companhia de cosméticos Natura anunciou ontem a aquisição da Avon Products em uma operação que envolve troca de ações (all-share merger). O acordo avalia a Avon em US$ 3,7 bilhões e o novo grupo em US$ 11 bilhões. O negócio ainda está sujeito à aprovação de reguladores, mas transforma a empresa conjunta na quarta maior do setor, de acordo com o fato relevante publicado.

Juntas, as empresas estimam faturamento anual superior a US$ 10 bilhões Elas assumem a liderança na modalidade de venda por relações (ou porta a porta) por meio das mais de 6,3 milhões de Representantes e Consultoras da Avon e da Natura, e presença geográfica global, com mais de 3,2 mil lojas. A brasileira irá deter 76% da empresa conjunta. O restante ficará sob controle dos acionistas da Avon.

O financiamento será possibilitado mediante um crédito de US$ 1,6 bilhões que a Natura obteve perante o Banco Bradesco S.A; o Citigroup Global Markets Inc.; e o Itaú Unibanco S.A. No comunicado, a empresa diz esperar sinergias entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões anuais.

A Petrobras informou ontem que seu conselho de administração aprovou o modelo para venda de sua participação na BR Distribuidora, um passo crucial para tirar a empresa de distribuição do controle estatal. O processo ocorrerá por meio de uma oferta secundária de ações (follow-on). Em comunicado, a Petrobras informou que, após a oferta, sua participação na companhia será "inferior a 50%".

A Petrobras disse ainda em seu comunicado que ainda não pode ser considerado um "anúncio de oferta", sendo que a realização do processo dependerá de "condições favoráveis dos mercados de capitais nacional e internacional". Em 26 de abril, a Petrobras já havia anunciado que estudava a realização de uma oferta pública secundária de ações das ações da BR Distribuidora.

(Agência Estado)

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