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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta quarta-feira

Após alívio no exterior, investidores devem voltar atenções à articulação política e manifestações de estudantes.

Posse Abraham Weintraub
(Carolina Antunes/PR)

SÃO PAULO – Após três pregões em queda, ontem o Ibovespa subiu 0,4%, repercutindo tuítes do presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando que o acordo comercial com a China pode sair em algumas semanas. Enquanto o cenário internacional dá sinais de um certo alívio, as preocupações no Brasil pairam com a falta de articulação do governo do presidente Jair Bolsonaro com o Congresso e com os fracos números da atividade econômica.

Hoje, o Banco Central vai divulgar o IBC-Br, que trará uma prévia da atividade econômica do primeiro trimestre. Alguns analistas já apontam que haverá queda.

Ontem, deputados aprovaram a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar na Casa o corte de 30% no orçamento da pasta. A convocação rendeu críticas ao governo, já que a ida do ministro foi articulada por líderes do Centrão. Causou confusão ainda o desmentido da Casa Civil, MEC e Economia às declarações de parlamentares, da base de Bolsonaro, que garantiram que o presidente teria determinado o cancelamento dos cortes.

Enquanto isso, o corte no orçamento da Educação deverá gerar a primeira grande manifestação contra o governo Bolsonaro hoje, com a paralisação das atividades em universidades e institutos federais envolvendo ainda possível adesão de estudantes e trabalhadores das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. A exposição de Weintraub no Congresso e as consequências da greve deixam o governo em alerta máximo.

Outro desmentido a Bolsonaro foi dado ontem por Guedes, que afirmou que não fazer sentido corrigir a tabela do Imposto de Renda neste momento. Além disso, o ministro afirmou que “a realidade é de que estamos no fundo do poço” e que o País está aprisionado na armadilha do baixo crescimento e “à beira do abismo fiscal”. Ele acrescentou que o governo já trabalha com uma meta de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%, o que deverá gerar um novo corte no orçamento.

1. Bolsas Internacionais

No exterior, as bolsas operam com sinais distintos refletindo as sinalizações de um alívio na guerra comercial entre EUA e China, além da recuperação das perdas dos últimos pregões.

Os principais índices asiáticos operam em alta, mesmo com a produção industrial e as vendas do varejo da China tendo vindo abaixo das expectativas. Alguns analistas classificaram os resultados como “deprimentes e decepcionantes”, segundo a CNBC.

Já na Europa, as bolsas operavam majoritariamente em queda ou estabilidade. Além das preocupações com comércio, os mercados refletem dados corporativos e a publicação do PIB da Zona do Euro, que apontou alta de 0,4% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre e avanço de 1,2% ante igual mês do ano passado.

Os resultados vieram em linha com as expectativas. Além disso, o governo britânico se prepara para apresentar um novo acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, para a semana do dia 3 de junho.

Entre as commodities, os preços do petróleo operam em queda, após números acima do previsto divulgados ontem de estoques nos EUA. Já o futuro de minério de ferro opera em alta de 1,23%.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h10 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,25%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,13%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,27%
*DAX (Alemanha), -0,48%
*FTSE (Reino Unido), -0,07%
*CAC-40 (França), -0,51%
*FTSE MIB (Itália), -0,91%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,52% (fechado)
*Xangai (China), +1,91% (Fechado)
*Nikkei (Japão), +0,58 (fechado)
*Petróleo WTI, -1,08%, a US$ 61,15 o barril
*Petróleo Brent, -0,66%, a US$ 70,77 o barril
*Bitcoin, US$ 8.103,82, +0,43%
R$ 31.908, -2,72% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,23%, a 660,00 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, será publicado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente ao mês de março, dando uma prévia do resultado do PIB do primeiro trimestre.

Nos Estados Unidos, a agenda está repleta de uma série de indicadores: às 8h00, pedidos de hipotecas; às 9h30, vendas do varejo e índice de atividade industrial; às 10h15, produção industrial e utilização da capacidade instalada; às 11h00, Housing Market Index e estoques de empresas; e às 17h00, fluxo de capital estrangeiro e investimentos líquidos em títulos.

3. Noticiário Político

Em mais um sinal de falta de articulação, deputados aprovaram ontem por 307 votos favoráveis a 82 contrários a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a explicar o corte de 30% no orçamento da pasta no Congresso. A convocação passou pela articulação de líderes do Centrão, às vésperas de Bolsonaro viajar para os EUA.

Deputados aliados ao presidente, que o encontraram ontem à tarde, afirmaram que ele iria rever o bloqueio de recursos no MEC. A informação, porém, foi desmentida em seguida por Casa Civil, MEC e Economia. Líderes de PSL, Novo, Podemos e Cidadania, além de parlamentares de PV, PSC e Patriotas, disseram que Bolsonaro ligou a Weintraub, na frente deles, determinando a revogação do corte.

O corte no orçamento da Educação levou pelo menos 75 das 102 universidades federais do Brasil e institutos federais a convocarem protestos para hoje, com o apoio de universidades públicas estaduais. Segundo o Estadão, ao menos 33 escolas da rede privada de São Paulo também devem aderir à paralisação. A Folha pontua que a paralisação deve ter a adesão ainda de estudantes e trabalhadores das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. A exposição de Weintraub no Congresso e as consequências da greve deixam o governo em alerta máximo.

Outra derrota no radar do governo vem da MP da reforma administrativa, que poderá perder sua validade no dia 3 de junho, caso a medida não seja aprovada pelo Congresso. O governo já avalia a necessidade de recriar até dez pastas. Editada em janeiro, a MP 870 reduziu 29 para 22 o total de ministérios.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a falta de clareza na agenda do governo Bolsonaro atrapalha a reforma da Previdência. A investidores, Maia acrescentou que o projeto não resolve os problemas de desemprego e desigualdade, mas disse que o Congresso aprovará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) até setembro.

Ainda na política, O Globo informa que 55 pessoas da Alerj deverão ter os seus sigilos quebrados na investigação que apura suposto esquema de “rachadinha” dos salários no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual. Em outra frente o MP apura a origem do dinheiro em transações imobiliárias de Flávio.

Por fim, a sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade conceder a liberdade ao ex-presidente Michel Temer e o seu ex-assessor Coronel Lima. Eles cumprirão medidas cautelares, com a entrega dos passaportes.

4. Noticiário Econômico

As declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que “a realidade é de que estamos no fundo do poço”, durante audiência da Comissão Mista do Orçamento do Congresso, foram destaques nos jornais. Segundo Guedes, o Brasil está aprisionado na armadilha do baixo crescimento e “à beira do abismo fiscal”. Ele acrescentou que o governo já trabalha com uma meta de alta do PIB de 1,5%, o que deverá gerar um novo corte no orçamento.

Na mesma audiência, Guedes desmentiu declaração de Bolsonaro à uma rádio no domingo e disse que não faria sentido corrigir a tabela do Imposto de Renda em um momento em que o governo tenta aprovar a reforma da previdência para cortar gastos. Segundo Guedes, a correção da tabela defasada custaria de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, o que seria um gasto muito grande.

Hoje, o ministro da Economia acompanhará o presidente Jair Bolsonaro em viagem à Dallas, no Texas. Ambos embarcam à noite para os Estados Unidos. Inicialmente, Guedes deve se ater a acompanhar o presidente. Bolsonaro tem agenda na capital texana entre os dias 16 e 18. O chefe do Executivo deve se encontrar com empresários, sobretudo no setor petroleiro, e também com o ex-presidente americano George W. Bush.

Diante dos fracos números da economia, economistas consultados pelo jornal O Estado de S.Paulo dizem haver espaço até para um corte de um ponto na taxa Selic, atualmente em 6,5%. Em editorial, o jornal afirma que o País está novamente “à beira da recessão” e que “um grande fiasco pode marcar o primeiro ano do governo Bolsonaro”, com recuperação econômica interrompida e o “futuro continuando ameaçado”.

Ainda na economia, o governo Bolsonaro estuda o uso de mais recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para cobrir gastos com subsídios elevados do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Segundo a Folha, sem verbas para manter o MCMV, a intenção é reduzir de 10% para 3% sua participação no subsídio de algumas faixas do programa, com o FGTS sendo usado para repor essa diferença. A manobra seria uma estratégia para destravar o projeto e permitir a contratação de novas obras.

O Valor Econômico destaca que o governo está elaborando um novo programa de subsídio para substituir o MCMV. Segundo a publicação, de quebra, o programa poderá ajudar a União a desovar parte do seu patrimônio imobiliário, avaliado em quase R$ 950 bilhões. Previsto para ser lançado em julho, o subsídio está vinculado à doação de áreas do governo em regiões mais centrais das cidades. No Rio e em São Paulo, o governo conta com imóveis desocupados. Só da União, estão mapeados 700 mil imóveis no País, acrescenta o jornal.

5. Noticiário corporativo

O Valor traz informação de que a Vale estuda aumentar a sua produção na Serra Sul de Carajás, no Pará, para 150 milhões de toneladas por ano depois de 2020, representando uma alta de quase 70% ante o patamar atual, de 90 milhões. As declarações do presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, ocorreram em evento com investidores em Barcelona (Espanha). Das 150 milhões de toneladas, 100 milhões serão asseguradas pelo S11D, que passará por expansão de 10 milhões de toneladas até 2022. Outros 50 milhões serão desenvolvidos em outras áreas da Serra Sul de Carajás.

A Petrobras ajustou as regras do processo de desinvestimento da Liquigás e elevou as restrições à venda da distribuidora de gás GLP para as concorrentes e líderes do mercado Ultragas, SHV e Nacional Gás. Segundo o Valor, o movimento ocorre um ano após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetar a venda da Liquigás para o Grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões. A Petrobras retomou o processo de venda em março e para garantir que o processo saia do papel decidiu que as principais empresas não poderão fazer ofertas sozinhas pelo ativo.

A Cosan está interessada nos ativos da Petrobras, como de suas refinarias – mesmo que a decisão de participação ainda não tenha sido tomada, afirmaram executivos ontem durante teleconferência. A Cosan atua na distribuição de combustíveis, lubrificantes, energia e infraestrutura.

(Agência Estado)

 

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