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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta terça-feira

Tensão entre China e EUA segue dando o tom dos mercados, enquanto no Brasil atenção para a ata do Copom

Investidor
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou ontem com queda de 2,7%, na pior sessão em quase um mês e meio, com as notícias sobre o fracasso da rodada de conversas entre Estados Unidos e China sobre as negociações de um acordo comercial. No Brasil, o destaque será a divulgação da ata do Copom, pelo Banco Central, logo cedo.

Ontem à noite, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) formalizou a proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos chineses importados pelo país que ainda não sofreram barreiras pelos americanos. O montante é de aproximadamente US$ 300 bilhões em produtos chineses que serão tarifados caso o USTR siga adiante com o procedimento. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não está preocupado com a recente retaliação da China, que decidiu impor tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos.

Ainda sobre a guerra comercial, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou que Washington ainda está em um processo de negociação comercial com Pequim e disse que a equipe americana está trabalhando para ver quando irá à China para dar prosseguimento às conversas entre os dois países.

No Brasil, destaque para a previsão de redução do crescimento do PIB este ano, por parte da equipe econômica, com a expansão devendo ficar entre 1,5% e 2%. A mudança deverá trazer junto um corte adicional de até R$ 10 bilhões na próxima revisão orçamentária, diz a Folha de S.Paulo.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda com o aumento das tensões comerciais entre as duas maiores economias globais, com Pequim anunciando ontem que aumentará tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias norte-americanas a partir de 1º de junho. Entre os produtos que devem ser sobretaxados estão itens da pauta agrícola norte-americana.

Na Europa, as bolsas recuperaram parte das perdas dos últimos dias, com as tensões comerciais, e subiam na manhã desta terça-feira. Entre os indicadores, destaque para a produção industrial da Zona do Euro, que recuou 0,3% em março ante fevereiro e 0,6% na comparação anual, em linha com as expectativas.

Entre as commodities, os preços do petróleo operavam em alta, com foco na guerra comercial, mas também com tensões no Oriente Médio depois que a Arábia Saudita informou que um de seus petroleiros foram atacados na costa dos Emirados Árabes Unidos. Já os futuros de minérios operavam em baixa.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h33 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,73%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,99%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,61%
*DAX (Alemanha), +0,49%
*FTSE (Reino Unido), +0,87%
*CAC-40 (França), +1,11%
*FTSE MIB (Itália), +0,90%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,50% (fechado)
*Xangai (China), -0,69% (Fechado)
*Nikkei (Japão), -0,59% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,10%, a US$ 61,15 o barril
*Petróleo Brent, +0,30%, a US$ 70,52 o barril
*Bitcoin, US$ 7.994,05, +12,62%
R$ 32.484, +20,57% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuaram 1,6%, a 644,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a publicação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), às 8h00, pelo Banco Central; e o volume de serviços março, às 9h00, pelo IBGE.

Estão previstas ainda as publicações dos balanços da Minerva, Copel, Equatorial, Light, Taesa, Banco Indusval, Banrisul, Bradespar, Ezetec, Gafisa, Rossi, Sonae Sierra, Guararapes, Heringer, Santos Brasil e Wilson Sons.

Nos Estados Unidos, está prevista a divulgação do índice de preços de importação de abril e de estoques de gasolina e destilados. À noite, na China, devem sair os dados produção industrial e vendas do varejo.

3. Noticiário Político

No noticiário político, o destaque a possibilidade de perda de validade da medida provisória que reestruturou a Esplanada dos Ministérios, que poderá ter um efeito maior do que o inicialmente previsto pelo Planalto. Segundo o Estadão, a equipe jurídica da Casa Civil considera a possibilidade de o governo ter de voltar à configuração dos governos do PT e recriar até dez ministérios. No Congresso, porém, o entendimento que tem mais força é que o governo voltaria a ter a estrutura do final do governo Michel Temer, com 29 pastas.

A reforma administrativa precisa ser avaliada pelos plenários da Câmara e do Senado até o dia 3 de junho, sob o risco de a medida provisória perder os efeitos após essa data. A assessoria jurídica da Casa Civil considera pelo menos três cenários em caso de a MP caducar. Um deles seria voltar à estrutura do final do governo Temer. Isso porque a medida assinada por Bolsonaro revoga uma lei que reorganizou o governo do emedebista e foi sancionada em novembro de 2017.

Após quebrar o sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que o senador tem direcionado seus esforços para tentar interromper investigações sobre movimentações financeiras atípicas em seu gabinete de deputado estadual no Rio e se recusa a prestar esclarecimentos aos procuradores embora já tenha sido convidado diversas vezes. A resposta do MP foi resposta a uma entrevista de Bolsonaro, em que afirma que "há grande intenção de alguns do Ministério Público de me sacanear, de mais uma vez colocar em evidências coisas que não fiz".

Em acordo de colaboração premiada homologado pela Justiça Federal do Distrito Federal, um dos donos da Gol Linhas Aéreas, Henrique Constantino, afirmou ter ouvido pedido de propina de Michel Temer, então vice-presidente, e dos deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (MDB-RN). O pedido, segundo Constantino, feito em reunião em Brasília em junho de 2012, foi de R$ 10 milhões em troca da atuação do grupo para atender a interesses de companhias ligadas ao empresário em questões envolvendo a Caixa Econômica Federal.

Segundo um dos anexos da colaboração premiada de Constantino, a que o Estadão teve acesso, a negociação foi iniciada com o operador Lucio Funaro, ligado a Cunha e o MDB. Os pagamentos, afirma, foram efetuados, em parte, para a campanha de Gabriel Chalita, então integrante do MDB, à Prefeitura de São Paulo, e em outra parte para empresas indicadas por Funaro, como Viscaya e Dallas.

4. Noticiário Econômico

A Folha destaca que a equipe do econômica prepara um ajuste na projeção de crescimento do PIB deste ano, para algo entre 1,5% e 2% este ano. Junto com isso, o governo deverá propor um bloqueio adicional de R$ 10 bilhões na próxima revisão orçamentária. No início do mês, o governo havia bloqueado quase R$ 30 bilhões, reduzindo a previsão do PIB de 2,5% para 2,2%. Com a nova alteração do PIB, técnicos estimam que a arrecadação recuo entre R$ 7 bilhões e R$ 20 bilhões, sem receitas extraordinárias.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, vai levar ao presidente da China, Xi Jinping, na próxima semana, uma "mensagem política" do presidente Jair Bolsonaro. Segundo Mourão, o objetivo é reforçar "a parceria estratégica do Brasil e da China". A viagem ocorrerá em meio à tensão gerada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, debaterá o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020 nesta terça-feira, em audiência pública às 14 horas na Comissão Mista de Orçamento (CMO). Integrantes do colegiado devem questionar o ministro sobre o bloqueio de 30% nas verbas de custeio das universidades e institutos federais.

5. Noticiário corporativo

Ontem, a Vale anunciou que irá investir R$ 11 bilhões nos próximos cinco anos para elevar sua produção a seco nas instalações de minério de ferro. A intenção é tentar acelerar o retorno ao menos próximo dos 400 milhões de toneladas ao ano, anterior à tragédia de Brumadinho no início do ano.

A Petrobras começou o processo para vender sua participação de 93,7% na Breitener Energética, que possui duas unidades termoelétricas, a UTE Breitener Tambaqui e a UTE Breitener Jaraqui, ambas situadas em Manaus (AM), e com 315 MW de capacidade instalada. Segundo a estatal, as usinas possuem 120 MW de capacidade contratada com a Amazonas Energia até 2025

Já a BR Distribuidora informou ontem que teve início a fase vinculante do processo competitivo para a alienação da totalidade de sua participação societária na empresa CDGN Logística (49%).

Agora pela manhã, a Oi informou um lucro líquido consolidado de R$ 766 milhões entre janeiro e março, resultado que representou uma queda de 97,5% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda somou R$ 1,251 bilhão, queda 20,4%. A receita líquida totalizou R$ 5,130 bilhões, o que significou uma retração de 9,5%.

(Agência Estado)

 

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