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Ibovespa cai 2,7% e tem pior pregão em um mês e meio com tensão por guerra comercial

Índice segue exterior, com os índices americanos caindo mais de 2% de olho nas conversas entre Trump e Xi

Crash
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou com forte queda nesta segunda-feira (13) seguindo o exterior, com as bolsas americanas pressionadas pelas notícias de que a nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos para um acordo comercial fracassou. Os índices Dow Jones e S&P 500 caíram 2,5%, tendo aumentado as perdas depois da China anunciar que retaliará impondo tarifas de até 25% em US$ 60 bilhões em produtos fabricados nos EUA. 

O principal índice da B3 fechou em baixa de 2,69%, aos 91.726 pontos, praticamente na mínima do dia, sendo o pior pregão da bolsa desde 27 de março, quando caiu 3,57%. O volume financeiro ficou em R$ 13,578 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,89%, cotado a R$ 3,9792 na venda, ao passo que o dólar futuro com vencimento em junho subiu 0,78% a R$ 3,989.

Segundo o gestor do fundo XP Macro da XP Investimentos, Júlio Fernandes, existe a possibilidade do presidente dos EUA, Donald Trump, mostrar-se sensível com o impacto da guerra comercial na bolsa. Para ele, Trump pode mudar o tom para garantir um acordo que acalme os mercados se Wall Street perder muito dinheiro. "A primeira vez em que o Trump foi duro com a China, houve impacto nas bolsas. Não sei se ele quer isso novamente", avalia. 

Apesar disso, Fernandes acredita que o investidor brasileiro não está nervoso apenas por causa do exterior. "No Brasil, há um pouco de cenário político também. Tivemos uma sensação de melhora na articulação do governo na semana passada, mas depois dos ataques nas redes sociais à criação de dois novos ministérios e da retirada do [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] Coaf da gestão do [ministro da Justiça, Sérgio] Moro, o mercado voltou a ficar com um pé atrás", diz. 

Fernandes entende que existir uma disputa entre governo e Congresso para saber em que ministério pertence o Coaf é mau sinal. Isso porque, se o Planalto atender às reivindicações de Moro e brigar com o Centrão, põe a perder a moeda de troca que  ganharia na votação da Reforma da Previdência com a nomeação do secretário dos Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy (PP-GO) para o Ministério das Cidades. 

O mercado de juros futuros responde com alta às tensões. O DI para janeiro de 2021 subiu três pontos-base, a 6,92%, enquanto o DI para janeiro de 2023 avançou quatro pontos-base, a 8,05%. 

Ainda no cenário doméstico, o presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista à rádio Bandeirantes ontem, afirmando que pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que corrija a tabela do imposto de renda de acordo com a inflação no ano que vem. O presidente afirmou ainda que pretende indicar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.

Guerra comercial

Pelo Twitter, Trump escreveu hoje que algumas pessoas simplesmente não entendem que o crescimento inesperado de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre aconteceu em grande parte por conta das tarifas contra a China.

Além disso, o Trump avisou ao presidente chinês, Xi Jinping, que caso o acordo não saia a China sairá muito prejudicada, pois "empresas serão forçadas a deixar o país". "Ficará caro demais comprar da China. Vocês tinham um grande acordo e quase completo, mas deram para trás", postou. 

O presidente dos EUA ainda destacou que os consumidores americanos podem comprar os mesmos produtos chineses internamente ou de países que não sofrem com barreiras comerciais. "Muitas companhias tarifadas sairão da China para o Vietnã e outros países da Ásia. É por isso que os chineses querem tanto fazer um acordo!", acusou. 

Segundo o assessor da Casa Branca, Larry Kudlow, Pequim convidou Washington a seguir com as negociações e informou que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem conversar diretamente durante reunião do G-20, no Japão, no fim do próximo mês.

Contudo, o Ministério das Finanças da China anunciou em comunicado nesta segunda-feira que imporá tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos a partir de 1º de junho. O governo de Pequim afirma que a tarifa americana sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, que entrou em vigor na última sexta-feira, representa uma "escalada nas fricções econômicas e comerciais" entre os países, "contrária ao consenso entre a China e os Estados Unidos de resolver as diferenças comerciais por meio de consultas", por isso a reação.

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O comunicado oficial chinês diz que as novas tarifas do país abrangerão cerca de US$ 60 bilhões em produtos americanos, com tarifas de até 25%. Sobre 2.493 produtos, haverá tarifa de 25%; sobre 1.078, a tarifa será de 20%; sobre outros 974 itens, de 10%; e sobre 595 itens, de 5%. São, portanto, afetados mais de 5 mil produtos americanos nesse anúncio chinês.

Noticiário corporativo

A Petrobras (PETR3; PETR4) iniciou a fase não vinculante de venda das ações da Liquigás Distribuidora. Segundo a empresa, nesta etapa, os interessados que tiverem assinado o Acordo de Confidencialidade receberão um memorando descritivo contendo informações mais detalhadas sobre os ativos, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes.

Ainda sobre a petroleira, a companhia espera concluir a venda de oito refinarias de petróleo e da infraestrutura logística associada a elas em 2021. Segundo o Estadão, à medida que as negociações avançarem, as unidades vão ser transformadas em empresas independentes, que poderão contratar os empregados da estatal.

O Carrefour (CRFB3) informou que, diante de uma decisão desfavorável do Supremo Tribunal Federal (STF), a companhia revisou a probabilidade de êxito de uma série de processos judiciais que tratam sobre o estorno parcial dos créditos de ICMS relacionados a produtos da cesta básica. Em comunicado à CVM, à varejista diz ter decidido, "em uma abordagem cautelosa", realizar uma provisão integral do valor envolvido nestes processos. O valor total das autuações recebidas e não provisionadas sobre esse caso chegava a R$ 815 milhões.

O Burger King (BKBR3) reportou um lucro líquido de R$ 3,05 milhões entre janeiro e março, cifra 65,4% inferior a registrada no mesmo período do ano passado. O Ebitda, por sua vez, subiu 136%, para R$ 86 milhões. A receita somou R$ 665 milhões, um avanço de 38%.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CVCB3 CVC BRASIL ON ED 49,50 -7,68 -19,05 180,16M
 GOLL4 GOL PN ES N2 23,71 -7,02 -5,54 98,88M
 BRKM5 BRASKEM PNA 37,25 -6,99 -21,38 131,38M
 SBSP3 SABESP ON 42,60 -6,99 +35,24 186,07M
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 38,13 -5,41 +1,23 342,75M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,73 +2,60 +7,74 157,08M
 BRFS3 BRF SA ON 29,98 +0,33 +36,71 184,78M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,90 -2,92 1,12B 1,79B 44.012 
 VALE3 VALE ON 47,43 -4,10 885,57M 753,56M 41.701 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 31,90 -1,57 602,74M 601,01M 36.338 
 BBAS3 BRASIL ON 48,37 -3,57 495,28M 544,68M 28.086 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 33,70 -2,49 472,12M 504,30M 30.445 
 ITSA4 ITAUSA PN 11,25 -1,75 425,51M 200,28M 33.422 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,01 -1,68 418,21M 385,36M 37.524 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 38,13 -5,41 342,75M n/d 30.989 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 28,51 -2,86 285,41M 300,94M 15.435 
 RENT3 LOCALIZA ON ED 35,00 -4,74 230,81M 179,24M 16.582 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Relatório Focus

A projeção para o avanço do PIB brasileiro em 2019 foi cortada de 1,49% para 1,45% na mediana das projeções dos economistas consultados pelo Banco Central no Relatório Focus. Há quatro semanas, a previsão era de crescimento de 1,95%.

As expectativas para a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por outro lado, ficaram estáveis novamente em 4,04%. 

A taxa de câmbio esperada no fim do ano é de R$ 3,75 para US$ 1,00 e a previsão para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, é de 6,5% ao ano.

 

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