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Ibovespa Futuro cai com novos tuítes de Trump e resultados fracos; DIs recuam

Mercado repercute falas do presidente norte-americano, que parece confortável com a manutenção das tarifas sobre produtos chineses

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (10) em meio às preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Hoje começaram a valer as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses e o presidente norte-americano Donald Trump demonstrou satisfação pelo Twitter com as medidas aplicadas. Por aqui, o mercado repercute o prejuízo da Vale no primeiro trimestre por conta dos impactos do rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Às 9h05 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho tinha baixa de 0,56% a 94.670 pontos enquanto o dólar futuro com o mesmo vencimento registra ganhos de 0,28% a R$ 3,966. 

Trump postou no Twitter às 8h que a taxação das mercadorias chinesas farão bem mais para os EUA do que um "acordo fenomenal". "O processo começou para aplicarmos tarifas adicionais de 25% nos US$ 325 bilhões restantes [de importações vindas da China]. Com os mais de US$ 100 bilhões em tarifas que tomaremos, iremos comprar produtos agrícolas de nossos grandes fazendeiros em quantidades maiores do que a China jamais fez", escreveu. 

O presidente dos EUA destacou ainda que com as taxas os fazendeiros americanos produzirão "melhor e mais rápido" e país onde a fome é grande poderão ser ajudados. 

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que manterá o recriado Ministério das Cidades com Alexandre Baldy (PP-GO), mas voltou atrás no caso da Integração Nacional, que deve ficar com Gustavo Canuto. Bolsonaro havia concordado em ceder os dois ministérios, mas os líderes do Centrão se coordenaram para tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da alçada do Ministério da Justiça de Sérgio Moro, de modo que nos bastidores se diz que o presidente está reclamando de "engolir sapos" sem receber a garantia do apoio dos partidos.

É destaque ainda o estudo do governo para aumentar a rentabilidade dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem ganhos abaixo da inflação.

A área econômica prevê mais um corte no orçamento, como forma de refletir a nova expectativa de alta do PIB, que deverá recuar dos 2,2% previstos inicialmente, para algo entre 1,5% a 2%. Os valores dos novos bloqueios não foram ainda definidos.

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No mercado de juros futuros, os DIs seguem em queda após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 6,5% na quarta-feira e fazer algumas sinalizações mais dovish no comunicado. O DI para janeiro de 2021 recua três pontos-base a 6,88%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem queda de dois pontos-base a 8,02%.

Inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,57% em abril, ante um avanço de 0,75% em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro, de 0,63%.

A variação acumulada no ano é de 2,09% e em 12 meses a inflação está em 4,84%. A alta de abril e a variação desde janeiro são as maiores desde 2016, quando o IPCA do mês subiu 0,61% e atingiu 3,25% no ano. 

O resultado do IPCA de abril sofreu forte influência dos grupos Alimentação e bebidas (0,63%), Transportes (0,94%) e Saúde e cuidados pessoais (1,51%). Juntos, estes três grupos responderam por 89,5% do índice do mês.

FGTS e Orçamento

O governo estuda medidas para aumentar a rentabilidade dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem ganhos abaixo da inflação. Segundo o Estadão, a equipe econômica avalia ainda a ampliação da possibilidade de saque do fundo, admitida ontem pela manhã pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, mas negada posteriormente.

A publicação afirma que o plano não deve ser colocado em prática imediatamente. Em nota, a secretaria informa que a proposta respeitará “os contratos firmados e a função social do fundo”, que conta com estoque de R$ 525 bilhões e tem uso limitado.

Em 2016, o governo Temer liberou R$ 44 bilhões de contas inativas, o que teria ajudado na expansão de 0,7 ponto porcentual do 1,1% de avanço do PIB daquele ano. O jornal O Globo acrescenta que o governo cogita ainda quebrar o monopólio da Caixa como gestora dos recursos do FGTS.

A revisão nas projeções de crescimento do País – que deverá passar dos atuais 2,2% para 1,5% – pode levar a novo corte no orçamento, que já havia sido bloqueado em R$ 30 bilhões, afirmou Rodrigues. O valor do corte anda não foi fechado, já que a equipe econômica analisa os números e as novas projeções macroeconômicas.

Os números serão anunciados em 22 de maio, destaca o Estadão. A publicação informa, com base em fontes da área econômica, que o País caminha para um “shutdown” na máquina pública, até pior do que o registrado em meados de 2017, quando vários serviços públicos federais foram prejudicados. A situação fiscal de fragilidade deverá ainda levar a União a não permitir o repasse este ano dos 70% previstos por Paulo Guedes na partilha do pré-sal com os estados, que deverá ficar para 2020, diz O Globo.

Noticiário Político

A comissão do Congresso que analisa a Medida Provisória (MP) da reforma administrativa impôs derrota a Sérgio Moro ao tirar o Coaf do ministério da Justiça, recolocando-o na Economia. Para não correr o risco de perda da validade da MP, o governo não se empenhou pelo ex-juiz. A sessão de ontem da Câmara foi encerrada por Rodrigo Maia, sem que a matéria fosse ao Plenário.

Além de retirar o Coaf da Justiça, a comissão que analisa a reforma administrativa retirou da Economia e colocou na Ciência e Tecnologia, do ministro Marcos Pontes, as políticas de desenvolvimento da indústria, comércio e serviços. Ainda no Congresso, Maia afirmou ontem que tentará “reorganizar” o decreto sobre o porte de armas, por conta de “inconstitucionalidade”. Juristas ouvidos pelo Estadão afirmam que o texto abre espaço para armar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Noticiário corporativo

No noticiário corporativo o destaque é para os resultados do primeiro trimestre da Vale (VALE3), que capta os impactos da tragédia de Brumadinho. A empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 6,4 bilhões, revertendo lucro de R$ 5,1 bilhão do mesmo intervalo de 2018.

O rompimento da barragem levou a empresa a registrar, pela primeira vez, um potencial de geração de caixa, medido pelo Ebitda, negativo, em 2,8 bilhões. As provisões relacionadas ao incidente do final de janeiro somaram R$ 17,1 bilhões, porém estes valores poderão ser revistos e ajustados de forma significativa, aponta a empresa, com base na análise de auditores do balanço.

A empresa informou que R$ 7,1 bilhões serão usados para descomissionamento de barragens do sistema de alteamento a montante e outros R$ 6,8 bilhões por conta do acordo assinado entre a Vale e a Defensoria Pública de Minas Gerais.

Ontem, o governo definiu ontem as regras para o processo de venda das refinarias da Petrobras (PETR3; PETR4), como forma de aumentar a concorrência no setor e tentar reduzir os reços dos combustíveis. A resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética prevê que a estatal se desfaça das operações, dando preferência a grupos econômicos que não operem de forma verticalizada no mercado. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou essa semana que a empresa pretende vender suas refinarias, mas “sem criar monopólios regionais”.

Ainda na matriz energética, o governo pretende anunciar em breve um plano para baratear o preço do gás, o que incluiu a saída da Petrobras do setor e a privatização de distribuidoras estaduais, destaca O Globo. Além disso, estão previstas mudanças na regulação do setor, como a permissão do acesso de gasodutos, pertencentes aos estados, para acesso de terceiros. Assim como no setor de energia elétrica, o governo quer incentivar a figura do consumidor livre de gás, permitindo que as empresas decidam de quem querem comprar o produto. Pela lei atual, os estados controlam a maioria das distribuidoras, que contam com a Petrobras como sócia.

Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas de Xangai e Shenzhen encerraram o pregão com altas respectivas de 3,1% e 4%, mesmo com as altas nas tarifas e a promessa de retaliação chinesa à elevação. Segundo analistas, o avanço pode estar relacionado à correção para baixo dos mercados nos últimos dias, porém é preciso aguardar os desdobramentos das reuniões entre os representantes dos dois países, que poderá levar a novos ajustes nos mercados acionários na segunda-feira (13).

Na Europa, o movimento também foi de recuperação das bolsas no início desta manhã com os principais índices acionários com ganhos próximos a 1%. Entre os indicadores, destaca-se o resultado da balança comercial do Reino Unido, que registrou um déficit de 13,6 bilhões de libras em março, montante inferior ao de fevereiro, de 14,4 bilhões de libras.

Entre as commodities, o preço do minério de ferro disparou 2,2% nos futuros de Dalian, após a divulgação do balanço da Vale. O preço do petróleo também opera em alta, diante da escalada da guerra comercial EUA-China.

 

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