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Ibovespa cai, mas se afasta das mínimas após Trump falar que acordo ainda é possível

Mercado sofre, mas tem leve esperança de que ainda seja possível selar a paz na guerra comercial entre EUA e China

ações índices gráfico alta baixa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (9) seguindo o exterior, mas se afastou da mínima, quando chegou a bater 93.883 pontos. O índice repercutiu a mudança no tom do discurso do presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou ainda ser possível um acordo comercial entre Estados Unidos e China esta semana. Trump disse que pode conversar por telefone com o presidente chinês, Xi Jinping. 

O principal índice da B3 teve baixa de 0,83% a 94.808 pontos, com volume negociado de R$ 13,281 bilhões, enquanto o dólar comercial registrou ganhos de 0,52%, a R$ 3,9526 na compra e a R$ 3,9536 na venda. Em Wall Street, os três principais índices tiveram queda, mas já longe das mínimas, quando caíram mais de 1%.

Já o dólar futuro para junho tinha alta de 0,6%, a R$ 3,960, enquanto os contratos de juros futuros caem após o Copom manter a Selic estável. O DI para janeiro de 2021 recua seis pontos-base, para 6,94%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 cai quatro pontos, a 8,07%.

Trump disse nesta tarde que o presidente chinês, Xi Jinping, escreveu a ele uma "linda carta" e que provavelmente eles se falarão em breve. Os comentários foram feitos pouco antes de uma delegação chinesa chegar a Washington para a próxima rodada de negociações comerciais. Trump disse "veremos" sobre fechar um acordo e ressaltou que "nossa alternativa é excelente".

Mais cedo, Trump culpou a China pelo colapso das negociações, o que justificou seu anúncio, por meio do Twitter no último domingo, de que elevaria as tarifas, a partir de amanhã, sobre a importação US$ 200 bilhões em bens chineses.

Por outro lado, Pequim afirmou ontem que vai retaliar Washington se os aumentos tarifários forem confirmados. O vice-premier chinês, Liu He, viajou junto com sua delegação aos EUA, para a partir de hoje tentar encontrar uma saída para as negociações.

No Brasil, destaque para a participação de Guedes ontem na comissão da Câmara quando ressaltou que a recuperação econômica depende da reforma da Previdência. Além disso, o Banco Central manteve a taxa Selic inalterada, em 6,5% ao ano, por unanimidade, reforçando o risco de uma inflação menor por conta da fraca atividade econômica.

Entre as commodities, os futuros do minério de ferro operam praticamente estáveis; enquanto no Brasil está prevista para hoje a publicação dos resultados da Vale – o primeiro com os impactos do rompimento da barragem de Brumadinho, no final do mês de janeiro.

O petróleo opera em alta diante do acirramento do conflito entre as duas maiores economias globais, mesmo com um declínio acima do esperado dos estoques do produtos nos Estados Unidos.

Destaques corporativos

Em dia agitado da temporada de resultados, o Banco do Brasil informou que fechou o primeiro trimestre com um lucro líquido ajustado de R$ 4,25 bilhões, uma alta de 40,3% sobre o mesmo período do ano passado. O resultado também ficou acima da maior projeção dos analistas consultados pela Bloomberg, que era de lucro de R$ 3,88 bilhões.

De acordo com o banco, "esse foi o maior resultado nominal em um trimestre na história do BB", que ainda justificou a melhora por conta do aumento da margem financeira, pela redução das despesas de provisão de crédito, pelo aumento das rendas de tarifas e pelo controle de custos.

Já a CSN registrou um lucro líquido de R$ 86,763 milhões no primeiro trimestre deste ano, um desempenho 94% inferior ao reportado no mesmo período do ano passado, que somou R$ 1,486 bilhão. Segundo a empresa, o resultado do primeiro trimestre deste ano registrou um valor negativo de R$ 135 milhões na linha de outras receitas e despesas líquidas, revertendo um ganho de R$ 1,796 bilhão de um ano antes.

Essa perda de janeiro a março ocorreu, principalmente, pelo “reconhecimento ao resultado de hedge accounting e outras despesas, parcialmente compensados pela valorização das ações da Usiminas”, explicou a companhia no relatório de administração que acompanha o balanço.

Enquanto isso, o controlador do grupo varejista GPA, Casino Guichard-Perrachon, confirmou que estuda várias opções estratégicas para uma combinação de seus ativos latino-americanos, mas que isso até agora não justifica uma comunicação ao mercado. Ontem, as ações da empresa desabaram 7,4% na bolsa após notícia do colunista Lauro Jardim do jornal O Globo informar que a empresa quer combinar seus negócios na América do Sul.

Clique aqui para conferir mais destaques.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 40,70 -6,97 -14,10 180,08M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 83,99 -4,32 +4,57 577,45M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 186,17 -3,79 +3,39 191,41M
 MRFG3 MARFRIG ON ATZ 6,50 -3,70 +19,05 29,23M
 PETR3 PETROBRAS ON N2 29,38 -2,78 +15,74 324,53M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 44,16 +6,98 +17,24 365,81M
 MRVE3 MRV ON 15,68 +5,02 +26,86 125,24M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,72 +4,19 +7,52 140,34M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT ED N2 16,48 +3,71 +5,12 148,11M
 JBSS3 JBS ON ED 20,80 +3,17 +79,49 185,20M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 26,83 -1,97 1,25B 1,82B 51.900 
 BBAS3 BRASIL ON 51,03 +0,87 775,92M 519,19M 46.065 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 32,56 -1,24 703,36M 581,81M 35.291 
 VALE3 VALE ON 48,54 -0,94 600,63M 737,91M 27.779 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 83,99 -4,32 577,45M 137,80M 33.646 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 44,16 +6,98 365,81M n/d 25.429 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,49 -2,40 362,95M 385,64M 28.427 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 34,87 -1,75 361,90M 508,10M 27.624 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 29,38 -2,78 324,53M 296,96M 25.010 
 BRFS3 BRF SA ON 30,90 +1,68 242,30M 287,59M 20.389 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário político

Durante uma longa sabatina ontem na comissão especial que analisa a reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, buscou fugir das armadilhas da oposição e traçou uma estratégia de defesa da proposta. Segundo ele, sem a aprovação da PEC, o País corre o risco de não conseguir garantir o pagamento a aposentados e que o “buraco fiscal” poderá “engolir o País”.

Aos deputados, o ministro adotou uma postura amena no tom da voz e recorreu a palavras didáticas para explicar a reforma. Ao lado de Guedes, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou ser injusto que 15% dos mais ricos acumulem 47% da renda previdenciária. Ontem, pesquisa da CNI apontou que 59% dos brasileiros apoiam a reforma – e que 83% dos entrevistados não querem pagar mais impostos e 59% acreditam que a falta de dinheiro deve ser combatida com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões.

A equipe econômica do governo estuda alguns modelos para implantar o regime de capitalização após a possível aprovação da proposta de reforma da Previdência, destaca o jornal Valor Econômico. O problema é que a ideia inicial de Guedes, de um sistema de contas individuais para todos, sem contribuição patronal, é o de maior custo de transição, por conta da arrecadação previdenciária que a mudança acarretará.

Segundo a publicação, entre as opções analisadas, estão exigir a capitalização para rendas acima de determinado valor e até alguma contribuição patronal. Ontem, Guedes afirmou que se a PEC aprovar economia de apenas R$ 700 bilhões, o sistema de capitalização será inviabilizado.

Copom

Por unanimidade, pela nona vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve ontem a Selic (taxa básica de juros) em 6,5% ao ano. No comunicado, o Banco Central pontuou o risco de uma inflação menor devido ao fraco desempenho econômico desde a última reunião em maço.

Um tom mais dovish (aberto a cortes de juros) foi adotado em determinados pontos, o que dividiu os especialistas entre os que consideraram a mudança suficiente e os que vêm o Banco Central conservador demais. 

Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Ratings, faz parte do segundo grupo. Para ele, já existem condições estruturais para reduzir a taxa de juros sem incorrer no risco de deixar a inflação fora de controle. A medida seria extremamente bem vinda para estimular a atividade econômica, visto que o desemprego bate recorde atrás de recorde e a recuperação econômica ainda patina.

Já o economista-chefe da ACREFi, Nicola Tingas, entende que o BC, como guardião da moeda, precisa ser mais conservador. "Um corte de juros poderia criar uma leitura de expectativa favorável, mas o custo do dinheiro não sofreria grande alteração e não é o BC o responsável por fazer a economia voltar a andar. Então a postura está correta em manter onde está pela análise que se faz do ambiente econômico", comenta. 

Noticiário Político

Uma de suas promessas de campanha, o decreto de Bolsonaro para facilitar o uso de armas poderá sofrer contestações por ser mais amplo do que o previsto inicialmente. O decreto, que facilita o porte de arma de fogo, foi publicado ontem e contemplou 19 categorias (como políticos, caminhoneiros, advogados, agentes penitenciários, entre outros), o que surpreendeu, já que inicialmente se esperava que apenas atiradores esportivos, caçadores, colecionadores de armas e praças das Forças Armadas fossem beneficiados. O texto, porém, está sendo questionado por juristas, já estaria ferindo o Estatuto do Desarmamento. A Câmara dos Deputados prepara estudo sobre a constitucionalidade da medida.

Ainda no aspecto político, o TRF-2 decidiu que o ex-presidente Michel Temer deverá retornar à prisão, sob acusação de chefiar uma organização criminosa, que teria negociado R$ 1,8 bilhão em propinas relacionadas às obras de Angra 3. O ex-presidente informou que irá se apresentar hoje à Justiça. O seu ex-assessor Coronel Lima também recebeu ordem de prisão.

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