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Renner impressionante e decepção com Grendene: as análises de 6 balanços que estão agitando a Bolsa

Temporada de resultados do primeiro trimestre ganhou força na noite de quinta com muitas varejistas apresentando seus números de início de ano

Mercado
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2019 ganhou forças no final desta semana, com especial destaque para os números divulgados na noite da última quinta-feira. 

Lojas Renner, Cia. Hering e Localiza tiveram números considerados positivos e as ações sobem forte, enquanto a Grendene foi de longe o grande destaque negativo do setor de varejo, levando os papéis a mergulharem nesta sessão. Confira abaixo as análises sobre os resultados que estão agitando o pregão desta sexta-feira:

Lojas Renner (LREN3)

A Lojas Renner teve lucro líquido de R$ 161,6 milhões no primeiro trimestre, alta 45% na comparação anual. O Ebitda ajustado somou R$ 316,3 milhões, cifra 26,8% superior, com alta de 1,4 ponto porcentual na margem Ebitda, para 19,2%.

A receita líquida de mercadorias totalizou R$ 1,650 bilhão (+ 18%) e as vendas mesmas lojas avançaram 12,7% no período. Segundo a empresa, o aumento margem líquida no primeiro trimestre deveu-se basicamente ao melhor resultado operacional, com a expansão do Ebitda total ajustado. 

"A Lojas Renner reportou resultados fortes, com vendas mesmas lojas de 12,7% ao ano e lucro líquido acima das expectativas. Mantemos recomendação neutra com preço-alvo de R$ 43 por ação, mas a potencial revisão para cima dos lucros pode trazer riscos positivos", destacam os analistas da XP.

Itaú BBA, Bradesco BBI e Safra reiteraram a recomendação outperform para os papéis após o balanço. As vendas mesmas lojas da Renner superaram as estimativas já positivas do Itaú BBA e "a alavancagem operacional está de volta".

Já o Bradesco BBI apontou que a operação de varejo da companhia registrou resultados muito fortes, em meio a melhores tendências macro e forte execução. "No quarto trimestre de 2018 vimos um retorno da alavancagem operacional e isso continuou fortemente no primeiro trimestre de 2019".

Para o Safra, os resultados mais uma vez impressionaram, 
especialmente considerando o macro desafiador, e dão apoio às
perspectivas positivas. 

Cia Hering (HGTX3)

A Cia Hering registrou lucro líquido de R$ 46,685 milhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 36,1% superior ao resultado líquido do mesmo período do ano passado, de R$ 34,313 milhões.

Segundo a empresa, o crescimento foi impulsionado pelo melhor resultado operacional além da menor alíquota efetiva de imposto de renda em função da deliberação de juros sobre capital próprio.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) atingiu R$ 57,034 milhões no primeiro trimestre, representando uma alta de 25,9% sobre o mesmo período do ano passado. A receita líquida atingiu R$ 373,937 milhões no primeiro trimestre, alta de 8,8% ante os três primeiros meses do ano passado. 

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"A melhora reflete o crescimento das vendas em todos os seus canais (franquias, lojas próprias e webstore), além do fortalecimento das marcas, o acerto no abastecimento da rede e os avanços na multicanalidade, com a integração de todos os formatos de vendas", destaca a Coinvalores. 

Já o Itaú BBA destaca o forte crescimento da receita líquida e expansão da margem bruta, enquanto o Bradesco BBI aponta que o crescimento da receita da empresa se fortaleceu e a expansão da margem bruta combinada com fortes vendas de mesmas lojas é evidência de uma execução operacional mais forte. A empresa está agora "firmemente a caminho de recuperação", avaliam. 

Localiza (RENT3)

A Localiza registrou um lucro líquido de R$ 216,3 milhões no primeiro trimestre, cifra 22,9% superior a reportada no mesmo período do ano passado. O Ebitda avançou 25,4%, para R$ 498,5 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 34,3%, atingindo R$ 2,447 bilhões. 

Este foi mais um trimestre forte para a Localiza, destaca a XP Research. 

O destaque foi o desempenho da divisão de aluguel de veículos, que continua a mostrar forte aceleração, destaca a Levante Ideias de Investimentos, com crescimento de 26,2% na frota de veículos alugados no trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. 

No lado negativo, aponta, a margem Ebitda da divisão seminovos caiu para 1,7% no trimestre (ante 5,7% no mesmo período de 2018). O resultado mais fraco na divisão seminovos ocorreu em função da queda do preço de veículos vendidos zero quilômetro pelas montadoras, o que diminui o preço da revenda dos seminovos e aumentou a depreciação média por carro vendido (de 1,6 mil reais no primeiro trimestre de 2019 versus 1,0 mil em 2018).

No entanto, esse resultado mais fraco foi compensado pelo fato da Localiza também pagar mais barato pelos carros que estão sendo comprados agora.

Copasa (CSMG3)

No setor de saneamento, a Copasa divulgou um lucro líquido de R$ 186 milhões no primeiro trimestre, representando uma alta de 13,7%. O Ebitda teve alta de 38,4%, para R$ 442,5 milhões, enquanto a receita avançou 37,3%. 

Conforme destaca a Levante, o principal destaque positivo ficou por conta do controle de custos administráveis com crescimento de apenas 1,4% no trimestre em comparação com o mesmo período de 2018, o que demonstra que as despesas estão controladas mesmo com o crescimento da companhia.

Contudo, o principal catalisador é a medida provisória 868, que trata do marco regulatório do setor de saneamento. O relator da MP é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o texto precisa ser aprovada pela comissão especial do Senado Federal antes ser aprovada pelo Congresso.

A MP atualiza o marco legal do saneamento básico e dá competência para a Agência Nacional de Águas (ANA) editar normas nacionais sobre esse serviço público. 

A MP também autoriza a União a participar de um fundo para financiar serviços técnicos especializados no setor e determina que a regulamentação de águas e esgotos, hoje atribuição dos municípios brasileiros, se torne responsabilidade do governo federal, através da agência reguladora, que ficaria responsável pela fixação das tarifas cobradas. Já os contratos de saneamento passariam a ser estabelecidos por meio de licitações, facilitando a criação de parcerias público-privadas.

Fleury (FLRY3)

O Fleury teve um lucro de R$ 96,9 milhões no primeiro trimestre, alta de 0,5%. O Ebitda avançou 5,8%, para R$ 196,7 milhões. A receita subiu 7,2%, somando R$ 700,6 milhões. 

"As margens vieram pressionadas por conta de seu plano de expansão, que estima a abertura de 73 a 90 unidades até 2021. Mesmo com um plano agressivo de investimentos, a companhia continua com baixa alavancagem, com dívida líquida/EBITDA em 0,8 vez", destaca a Coinvalores. 

Grendene (GRND3)

A Grendene divulgou uma queda de 51% no lucro do primeiro trimestre, para R$ 76,5 milhões. O Ebitda recuou 63,2%, para R$ 50,3 milhões. Segundo a empresa, a retração na venda de pares de calçados, de quase 30%, influenciou o resultado negativo. A receita líquida caiu 2,7%, somando R$ 423,3 milhões.

A companhia teve forte queda em seu volume de pares vendidos, com redução de 29,5%, tanto no mercado interno (com baixa de 26,6%) quanto no mercado externo (com queda de 37,0%). Assim, a Grendene perdeu market share nos dois mercados, levando ao pior primeiro trimestre de vendas desde 2004, afetando as margens e levando à forte queda do lucro líquido. 

"O principal problema enfrentado pela empresa no trimestre foi a falta de vendas de uma forma praticamente generalizada entre marcas, modelos e geografias", destaca a Coinvalores. A Grendene é fabricante dos chinelos Rider e das sandálias Melissa e Ipanema.

Em teleconferência, a Grendene atribuiu o mau desempenho à economia ainda fraca e apontou não projetar uma recuperação tão cedo no consumo, ainda mais quando se trata das classes C e D.

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