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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta segunda-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta segunda

Plataforma de petróleo
(Divulgação)

Após uma semana marcada pelas idas-e-vindas da votação da PEC da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e do reajuste no preço óleo diesel pela Petrobras, o Ibovespa encerrou a quinta-feira (véspera do feriado de sexta-feira santa) com alta de 1,39%, revertendo as perdas dos dias anteriores e garantindo ao índice acumular uma expansão de 1,83% na Semana Santa.

No entanto, o alívio pode não se manter esta semana, por conta das preocupações em relação à tramitação da reforma da Previdência na CCJC. Os parlamentares da comissão voltarão a se reunir amanhã (23) para tentar encaminhar a aprovação do parecer, que recebeu questionamento de vários integrantes. A avaliação dos deputados é de que alguns pontos podem ser considerados inconstitucionais ou desvinculados da Previdência Social.

No espectro corporativo, a Petrobras ainda deverá seguir no radar dos investidores. À Globonews, Jair Bolsonaro afirmou, no final da semana passada, ter uma “simpatia inicial” pela privatização da petroleira. Entretanto, um possível movimento de greve dos caminhoneiros, causa preocupação. O representante de um dos grupos afirmou que uma paralisação a partir da meia-noite do dia 29 de abril poderia ser desencadeada. 

Vale destacar que, no mercado internacional, os preços do petróleo disparam, o que pode afetar a Petrobras em meio à preocupação com os caminhoneiros, enquanto o minério de ferro também opera em alta. 

No exterior, a liquidez é reduzida pelo fechamento hoje dos mercados do Reino Unido, da Alemanha, da Espanha, da Itália, da França, de Hong Kong e da Austrália por conta do feriado que sucede o domingo de Páscoa. 

1. Bolsas Internacionais

O mercado asiático opera com sinais mistos, com queda em Xangai e alta em Tóquio. O destaque, porém, é a queda da bolsa na China, que registrou sua pior sessão em quatro semanas, diante das informações de que o governo deve diminuir o ritmo de flexibilização política após alguns sinais de estabilização econômica. A discussão na China está na busca de um equilíbrio entre expansão do PIB e a promoção de reformas e controle de riscos.

Sem algumas das principais bolsas mundiais abertas, os mercados são influenciados pela alta do preço do petróleo, após relatos de que os Estados Unidos devem anunciar que todas as importações de petróleo iraniano devem terminar ou estarão sujeitas a sanções. Além disso, a capital da Líbia, Trípoli, foi atingida por uma série de ataques aéreos e explosões no final de semana.

Nos Estados Unidos, um possível pedido de impeachment do presidente Donald Trump ganhou força após a divulgação de um relatório do procurador Robert Mueller. A senadora democrata Elizabeth Warren, pré-candidata à Presidência, defendeu que os deputados abram o processo. Por sua vez, Trump reagiu por meio do Twitter criticou as investigações em relação à interferência russa no pleito norte-americano. Ele aproveitou para defender sua gestão afirmando que os EUA atingiram o nível mais baixo em 50 anos dos pedidos de auxílio-desemprego.

Já o petróleo sobe mais de 2%, ao maior nível em quase seis meses, com a notícia de que os EUA podem anunciar hoje que não será renovada a dispensa de sanção ao Irã, que permitia aos importadores comprarem o produto do país, de acordo com informações da Bloomberg. Na China, o minério de ferro sobe com queda dos estoques no país.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:00 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,28%
*Nasdaq Futuro (EUA) -0,34%
*Dow Jones Futuro (EUA) -0,26%
*DAX (Alemanha) - (fechado)
*FTSE (Reino Unido) - (fechado)
*CAC-40 (França) - (fechado)
*FTSE MIB (Itália) - (fechado)
*Hang Seng (Hong Kong) - (fechado)
*Xangai (China) -1,7% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,08% (fechado)
*Petróleo WTI +2,36%, a US$ 65,51 o barril
*Petróleo Brent +2,57%, a US$ 73,82 o barril
*Bitcoin US$ 5.313,90, +0,31%
R$ 21.104, -0,19% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,29%, a 627 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, o Banco Central abre a agenda de indicadores locais com a divulgação do Boletim Focus. Novamente, o mercado fica no aguardo de possíveis revisões para baixo para o resultado do PIB e alterações nas expectativas de curvas dos juros e de inflação. A CNI deverá publicar, às 10h00, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI).

Nos Estados Unidos, o Fed de Chicago divulga, às 9h30, o índice de atividade nacional, enquanto às 11h00, serão publicadas as vendas de moradias usadas, medida pela Associação Nacional de Corretoras (NAR), ambos referentes a março. Está previsto ainda a divulgação do balanço da Whirlpool, após o fechamento do mercado.

3. Noticiário Político

A política começa a semana com foco sobre a retomada das discussões da PEC 6/19, que trata da reforma da Previdência na CCJC. Em meio à falta de articulação, parlamentares do PSL seguem insatisfeitos com as críticas da equipe econômica e de aliados de Jair Bolsonaro à atuação da sigla na Câmara e na CCJC. Segundo o Painel da Folha, um vídeo em que Olavo de Carvalho com novos ataques a militares e à nova política foram postados e depois apagados no canal no YouTube de Jair Bolsonaro. A publicação destaca que o filme pode inflamar a já insatisfeita bancada do PSL.

Enquanto o governo sofre com as dificuldades para aprovar a reforma, entidades que representam a elite do funcionalismo, como auditores fiscais, policiais federais e funcionários do Banco Central e da Advocacia-Geral da União preparam uma ofensiva contra a reforma da Previdência, destaca o jornal Valor Econômico. A publicação informa que já circulam minutas de pelo menos doze emendas à PEC, a serem encampadas por deputados identificados com essas corporações.

4. Noticiário Econômico

O Estadão destaca que apenas dois de 15 segmentos da indústria nacional – o farmacêutico e o de papel e celulose – utilizaram em nível de capacidade de produção de suas fábricas em níveis elevados, ou seja, acima da média histórica, enquanto o de vestuário registrou capacidade em nível normal. Segundo o responsável pelo estudo, Aloísio Campelo, da FGV, a indústria “segue com muita ociosidade, o que retrata o ritmo lento da economia”. Já o vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, diz que não há nenhum indicativo de o mercado vá melhorar nos próximos seis meses.

A Folha informa que a frustração precoce com a gestão Bolsonaro está retardando a retomada econômica. Segundo analistas e empresários consultados, as incertezas e os riscos para a política econômica minam a confiança e represam os investimentos. O jornal cita as projeções do Boletim Focus do Banco Central, que previa uma expansão para o PIB deste ano de 3% em 18 de abril do ano passado e que agora, um ano depois, essa projeção já recuou para 1,95%. A Folha acrescenta que, diante das revisões de crescimento por parte das instituições financeiras nas últimas semanas, o avanço do PIB deverá ficar mais próximo do 1% em 2019.

O Valor Econômico ressalta que, apesar do patamar mínimo atingido pela taxa Selic, a acelerada expansão do ritmo de crescimento da dívida pública e o fraco nível da atividade econômica impedem uma redução na queda do custo para o governo com pagamento líquido de juros. Em fevereiro, esse patamar foi de 5,42% do PIB, acima dos 8,99% do pico de janeiro de 2016, mas ainda acima do observado entre dezembro de 2011 e janeiro de 2015, quando estava abaixo dos 5%.

5. Noticiário corporativo

Após a decisão da Petrobras de manter o reajuste no preço do diesel, lideranças de grupos de caminhoneiros ameaçam desencadear uma nova greve para a próxima segunda-feira, dia 29. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que tem audiência hoje com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, diz que a alta do combustível elevou “ainda mais a tensão instalada na categoria, que carrega desde o ano passado a frustação de não ter a Lei do Piso Mínimo do Frete cumprida”. Lideranças dos caminhoneiros têm afirmado que ou o governo faz vale o piso mínimo ou reduza o preço do diesel de R$ 0,50 a R$ 0,60 até que o piso comece a valer.

Apesar da insatisfação dos grupos de caminhoneiros, o líder do Comando Nacional do Transporte (CNT), Ivar Schmidt, acredita que é cedo para uma paralisação. Segundo ele, existe “a percepção de que o governo atual é muito recente e ainda não teve tempo de trazer uma solução. Mas se tiver mais dois reajustes já seria motivo para uma nova greve". A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) diz que, apesar do "esforço" do governo federal, ainda não foram resolvidos os problemas do cumprimento e fiscalização da tabela mínima de frete e da oscilação constante dos preços do diesel. "Entretanto, ainda não é possível afirmar que a categoria está se organizando para uma nova paralisação", disse a associação.

O relator da CPI de Brumadinho no Senado, Carlos Viana (PSD-MG), pretende propor em seu relatório final um aumento no imposto sobre o royalty pago pelas mineradoras, conhecido como Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), informa o Valor. Atualmente, as alíquota é de 3,5% sobre a receita bruta da venda do minério de ferro e o relator cogita que se eleve para 10%. No ano passado, esse tributo gerou uma arrecadação de R$ 3 bilhões à Agência Nacional de Mineração (ANM).

No setor de aviação segue o imbróglio sobre a venda dos ativos da Avianca. O presidente da Azul, John Rodgerson, afirmou no final da semana passada que não tem mais interesse em adquirir a companhia, diante do modelo proposto pelos credores. Enquanto isso, o Cade abriu um procedimento preparatório para acompanhar a venda dos ativos, já que haveria indícios de que a Gol e a Latam poderiam ter cometido condutas anticompetitivas na disputa. O Cade também enviou ofício à Anac alertando sobre os riscos à concorrência em um cenário em que Gol e Latam assumam os slots da Avianca.

(Agência Estado, Agência Câmara e Bloomberg)

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