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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta quinta

Roberto Castello Branco
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

Interrompendo uma sequência de dois dias em alta, o Ibovespa voltou a fechar em queda ontem, de 1,11%, refletindo o adiamento da votação da PEC da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC). O mercado deve seguir refletindo hoje, véspera de feriado em que a B3 ficará fechada, as incertezas quanto à possível desidratação da reforma na Câmara, mas deve registrar alívio em meio à confirmação por parte da Petrobras do reajuste no óleo diesel, barrado na semana passado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O imbróglio sobre a reforma da Previdência passa agora ao parecer final da proposta a ser votado na CCJC, com os partidos do “Centrão” querendo negociar pontos polêmicos já na comissão, contrariando o desejo do governo de promover alterações apenas na comissão especial. Diante do impasse, a votação acabou adiada para após o feriado de Páscoa, postergando ainda mais a previsão de ida da matéria ao plenário da Câmara dos Deputados.

No cenário corporativo, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, anunciou ontem, no início da noite, um reajuste de R$ 0,10 no preço do óleo diesel, representando uma alta entre 4,5% e 5,1%. Após o anúncio, as ADRs da empresa dispararam 2,94% em Nova York. O aumento passa a vigorar hoje e sinaliza uma importante independência na definição da política de preços em relação ao governo. O executivo afirmou ainda que irá apresentar uma proposta para a venda de refinarias.

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em queda, em um movimento de correção e realização de lucros após as altas das últimas semanas, enquanto na Europa os principais índices também recuam, menos na Alemanha, com investidores preocupados com as perspectivas de crescimento econômico global menor e indicadores mais fracos na Zona do Euro.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, houve movimento de correção, com as bolsas caindo após acumularem forte alta nos últimos dias refletindo dados econômicos chineses acima do esperado. Entretanto, os dados da balança comercial norte-americana publicados ontem após o fechamento dos mercados asiáticos mostraram que as importações vindas da China despencaram em fevereiro, reduzindo o déficit comercial dos EUA a seu menor patamar em oito meses.

Os investidores asiáticos aguardam ainda avanços no acordo comercial entre EUA e China. Adicionalmente, esperam-se por novas medidas de estímulo por parte do governo chinês. Entre os indicadores, o governo chinês divulgou que o Investimento Estrangeiro Direto no país avançou 4,9% em março e 3,7% no primeiro trimestre deste ano, ambos na comparação anual.

Na Europa, as bolsas operam predominantemente em queda diante da preocupação de analistas com a safra de resultados de bancos europeus nas próximas duas semanas. Os riscos externos de baixo crescimento, incertezas sobre o acordo comercial entre EUA e China, Brexit e uma reviravolta na política do banco central em direção a uma maior flexibilização puxam as desvalorizações dos índices acionários.

Na Zona do Euro, o índice de gerente de compras (PMI) industrial e de serviços preliminar recuou a 51,3 em abril ante 51,6 de março, no menor patamar em três meses, enquanto o mercado esperava estabilidade, puxado negativamente por serviços. Enquanto isso, na Alemanha o PMI composto subiu de 51,4 em março para 52,1 em abril. No Reino Unido, as vendas no varejo apontaram para uma alta de 1,1% em março ante fevereiro, resultado acima do esperado.

Entre as commodities, os preços do petróleo recuam diante do aumento da produção nos Estados Unidos, com o Brent se distanciando da máxima registrada em cinco meses. O preço do minério de ferro também operam em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 06:58 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,09%
*Nasdaq Futuro (EUA) -0,08%
*Dow Jones Futuro (EUA) -0,19%
*DAX (Alemanha) +0,12%
*FTSE (Reino Unido) -0,31%
*CAC-40 (França) -0,15%
*FTSE MIB (Itália) -0,58%
*Hang Seng (Hong Kong) -0,54% (fechado)
*Xangai (China) -0,40% (Fechado)
*Nikkei (Japão) -0,84% (fechado)
*Petróleo WTI -0,08%, a US$ 63,17 o barril
*Petróleo Brent -0,17%, a US$ 71,50o barril
*Bitcoin US$ 5.267,80, +0,71 %
R$ 20.812, +1,97% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,96%, a 620 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Sem indicadores no Brasil, as atenções estão voltadas ao exterior. Nos EUA, o FED da Filadélfia divulga, às 9h30, o índice de atividade regional de abril. Já o departamento de comércio publica as vendas no varejo de março, sem automóveis, além dos estoques das empresas de fevereiro. O Conference Board vai publicar, às 11h00, os indicadores antecedentes de março.

Ainda nos Estados Unidos, estão previstos os dados do PMI da indústria e dos serviços de abril; os números do departamento de trabalho sobre pedidos de auxílio-desemprego até o dia 13 de abril, assim como o balanço da American Express.

3. Previdência

As dificuldades com a aprovação da reforma da Previdência seguem na CCJC. Pressionados por partidos do chamado “Centrão” – PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade –, o governo cedeu e sinaliza que pontos com menor impacto fiscal já sejam excluídos do projeto de reforma da Previdência pela CCJC. O jornal Valor Econômico destaca, porém, que o governo conseguiu manter a proposta de restringir o abono salarial, pelo até que o mérito do projeto seja analisado pela comissão especial. O Estadão pontua que outros pontos sensíveis, como o fim do pagamento de multa do FGTS para aposentados, serão debatidos na comissão especial.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, minimizou ontem o tom de derrota do governo, afirmando que é preciso ter paciência. Ele prevê para a próxima semana a votação na CCJC, apostando que a PEC possa ser apreciada cerca de 50 dias após o início da fase de debates na comissão especial.

4. Cessão Onerosa e Paulo Guedes

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu ontem que o megaleilão de petróleo da chamada cessão onerosa terá um bônus de assinatura no valor de R$ 106 bilhões. Esse é o montante que o governo espera arrecadar com a assinatura. Desse valor, cerca de R$ 33 bilhões devem ser repassados à Petrobras. O leilão está marcado para o dia 28 de outubro.

Segundo o jornal O Globo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizou ainda que poderá antecipar até R$ 6 bilhões dos recursos do pré-sal a Estados e Municípios. Estes valores serão repassados, porém, afirmou Guedes, apenas se os governos apoiem a PEC da reforma da Previdência, fazendo pressão aos parlamentares nos seus redutos eleitorais.

Ainda sobre Paulo Guedes, em entrevista à GloboNews na noite de quarta, o ministro da Economia negou que tenha tido sua autonomia atingida por decisões do governo de Jair Bolsonaro.

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Ele ainda disse que o governo já tem preparada uma série de medidas "extraordinariamente fortes" para estimular a economia. "Choque da energia barata, pacto federativo, redução e simplificação de impostos, privatizações", relatou. 


5. Noticiário corporativo

A Petrobras confirmou ontem o aumento no preço do diesel, que será de R$ 0,10 por litro, o que implica numa variação mínima de 4,518% e máxima de 5,147%, nos seus 35 pontos de venda no Brasil. O aumento passa a vigorar a partir de hoje e é uma importante sinalização da direção da companhia em relação à sua independência na determinação do preço final dos combustíveis aos consumidores. Sobre a possibilidade de novos movimentos grevistas por parte de caminhoneiros, Castello Branco comentou que não existe possibilidade de eliminação deste risco, que “sempre existe”.

Em entrevista coletiva para anunciar o reajuste, o CEO da Petrobras afirmou ainda que pretende apresentar uma proposta de venda de refinarias à direção executiva e posteriormente ao conselho, que ainda não se reuniu este mês. “As vendas de refinarias vão mostrar que a companhia não vai ter interferência externa”, disse, acrescentando que a determinação do valor e a periodicidade dos reajustes cabe à companhia.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, afirmou ontem que a Eletrobras está aprofundando os seus estudos para definir se vai partir para uma capitalização ou venda da companhia, com uma definição podendo ocorrer até o meio do ano. Segundo ele, um processo de venda de 40 Sociedades de Propósito Específico (SPE) deve ser iniciado em maio, o que poderá resultar numa redução da alavancagem para a abaixo de três vezes ao final do segundo trimestre. Além disso, a empresa poderá concluir até junho os estudos sobre as alternativas de desenho societário para a venda de Angra III, com sua possível apresentação a investidores na segunda metade do ano.

O jornal Valor Econômico destaca que a Gol e a Latam, juntas, podem perder cerca de R$ 378 milhões caso a Avianca tenha que encerrar suas atividades antes do leilão de venda de seus ativos. Em recuperação judicial, a Avianca está com seu passivo aumentando rapidamente, somando cerca de R$ 2,4 bilhões. Segundo a publicação, citando uma fonte a par do assunto, a Avianca tem 60% de chances de entrar em colapso antes do leilão, previsto para o dia 7 de maio.

(Agência Estado e Bloomberg)

 

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