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Ibovespa cai mais de 1% e perde os 97 mil pontos com falas de Guedes e Maia e exterior

Índice acompanhou o temor por guerra comercial entre EUA e União Europeia além de repercutir declarações do ministro da Economia e do presidente da Câmara

Bolsa de valores
(Shutterstock)

São Paulo - O Ibovespa caiu mais de 1% nesta terça-feira (9) com uma nuvem de pessimismo pairando sobre o cenário doméstico após tanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, negarem o posto de articuladores da reforma da Previdência. Os discursos se somaram ao mau humor no exterior em meio aos riscos de uma guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia. 

O principal índice da B3 fechou em queda de 1,11%, a 96.292 pontos com volume negociado de R$ 12 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,13% a R$ 3,8535 na compra e a R$ 3,8542 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para maio tinha leves ganhos de 0,17% a R$ 3,862.

No caso dos juros futuros, o DI para janeiro de 2021 subiu cinco pontos-base a 7,1% e o DI para janeiro de 2023 avança seis pontos-base a 8,27%. 

No exterior, os índices dos Estados Unidos caíram junto com os europeus em meio à proposta de Washington de aplicar tarifas sobre produtos da UE no valor de US$ 11 bilhões, como forma de retaliação a subsídios aéreos concedidos no continente. Logo pela manhã, a Airbus já se pronunciou, assim como a União Europeia (UE), que avaliou a reação como "exagerada".

Além das ameaças de guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia, o relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu a expectativa de crescimento da economia global de 3,5% para 3,3%.

Já no cenário doméstico, durante evento promovido pelo jornal o Globo e Valor Econômico, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, prometeram trabalhar pela reforma, mas recusaram o papel de articuladores políticos.

No debate, Maia afirmou que perdeu as condições de tratar da reforma e que não falará mais de prazo ou votos para que a PEC seja aprovada, enquanto Guedes sinalizou não ter temperamento para condução da articulação.

Segundo o analista da XP Investimentos, Gabriel Fonseca, o mercado brasileiro está negociando muito mais a agenda doméstica do que a global, de modo que as declarações pesaram nos ativos de renda variável. "O que se fala nas mesas é sobre esses sinais negativos de Guedes e Maia", comenta.

Por outro lado, o analista negou que houvesse muita ansiedade acerca da leitura do parecer sobre a reforma da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). "Está precificando que vai acontecer segundo o rito colocado, o que importa é a articulação pela aprovação."

Entre as commodities, o petróleo fechou em queda, o que freou o ímpeto de alta das ações da Petrobras nos últimos dias. 

Noticiário político

Na política, o destaque é a demissão do Ricardo Vélez Rodriguez, substituído por Abraham Weintraub no Ministério da Educação. A troca é uma tentativa de colocar fim à crise que se abateu sobre a pasta. 

Às vésperas de completar 100 dias de governo, Jair Bolsonaro disse que mais de 90% das metas fixadas desde que assumiu o poder serão cumpridas. “O dia que eu disse que ‘não nasci para ser presidente’, desceram a lenha em mim”, afirmou o presidente durante entrevista à TV Jovem Pan. “Não é fácil sentar nesta cadeira”, acrescentou. “[Mas] alguém tem de mudar o Brasil”, acrescentou, informando que, se fosse dar uma nota ao seu ministério, seria 10.

O presidente disse ainda que a proposta “mais importante” entre as elencadas para os 100 dias de governo é a reforma da Previdência. Segundo ele, o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e os avanços do país estão atrelados à reforma. Para Bolsonaro, sem a reforma, ficará impossível administrar o país a partir de 2022. “Acredito que a Previdência será aprovada em pouco tempo”, destacou o presidente. 

Bolsonaro também avisou que fará um "revogaço" para anular decretos que estariam inchando a máquina pública e criando burocracias desnecessárias. Ele não detalhou, no entanto, quais medidas serão atacadas pelo governo.

"Nos próximos dias realizaremos um 'Revogaço', anulando centenas de decretos desnecessários que hoje só servem para dar volume ao nosso já inchado Estado e criar burocracias que só atrapalham", escreveu Bolsonaro, ainda complementando: "Daremos continuidade ao processo. Vamos desregulamentar e diminuir o excesso de regras!"

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Após reunião de Bolsonaro com o presidente do partido Solidariedade, Paulinho da Força, o líder sindical disse que Bolsonaro sinalizou interesse na proposta de retirar da reforma da Previdência a adesão automática de Estados e municípios às novas regras. "Essa questão dos Estados, aqui entre nós, o presidente até gostou. O Onyx é quem disse que tem que discutir na comissão (da Câmara)", disse Paulinho.

Crítico ao texto, Paulinho fez outras sugestões na reunião com o presidente, entre elas fixar a mudança da ideia mínima em 62 anos para homens e 59 para mulheres. Pela proposta do governo, a idade mínima seria de 65 anos para homens e 62 para mulheres.

Empresas

No noticiário corporativo, o atual CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, foi indicado para a presidência da Embraer (EMBR3), sucedendo Paulo Cesar de Souza e Silva. A eleição do novo Presidente ocorrerá em reunião do Conselho após a Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada para o dia 22 deste mês.

Já a Vale (VALE3) não consegue se beneficiar da alta do minério de ferro, que já acumula valorização de cerca de 30% este ano. Fundos estrangeiros passaram a desmontar posições nas ações da Vale após a tragédia de Brumadinho.

O Financial Times, em reportagem publicada pelo Valor, destaca que a Union Investment, terceira maior gestora da Alemanha, vendeu todas as suas ações e bônus da mineradora. Outros fundos, como da Igreja Anglicana e do conselho de ética da Suécia, se desfizeram. Segundo a publicação, o fundo de petróleo da Noruega também estuda se desmonta ou não posição na mineradora brasileira.

Os investidores também devem ficar atentos hoje à reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que poderá deliberar e aprovar o acordo entre a Petrobras (PETR3; PETR4) e a União para a revisão do contrato de cessão onerosa, que se arrasta desde 2013, e a definição dos detalhes para o megaleilão dos volumes excedentes.

 

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