Em mercados / acoes-e-indices

Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta sexta

 Jair Bolsonaro
(José Cruz/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Os pedidos para a aprovação da reforma da Previdência e de desculpas pelas “caneladas” nos políticos por parte do presidente Jair Bolsonaro, após uma série de reuniões em Brasília, contribuiu para que o Ibovespa subisse cerca de 2% ontem. Novos desdobramentos sobre o andamento das reformas devem ganhar corpo hoje, a partir das 8h30, quando o presidente Bolsonaro vai se reunir com jornalistas para um café da manhã, segundo a agenda oficial da presidência.

Mesmo que as lideranças do PSDB, PSD, PP, PRB e MDB tenham manifestado ontem que não pretendem entrar na base de sustentação do governo, o fato do governo buscar uma articulação sinaliza um importante esforço de reconciliação com o Congresso. A aproximação acontece após a aprovação da PEC do Orçamento Impositivo, tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, que deverá gerar sérios problemas ao governo. Ao criar as chamadas despesas “finalísticas”, que precisam ser, obrigatoriamente, pagas, Bolsonaro terá os gastos de seu governo engessados e, na avaliação de especialistas consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo, deverá dificultar ainda mais o ajuste das contas públicas, afetando também os estados e os municípios.

Enquanto o cenário local é dominado pelos desdobramentos da reforma da Previdência, no exterior o encontro do presidente norte-americano Donald Trump com o vice-premiê e principal negociador chinês, Liu He, para tratar do acordo comercial entre os dois países, impulsionaram as ações no Japão e nas cotações futuras em Nova York.

1. Bolsas Internacionais

Com os mercados da China e de Hong Kong fechados nesta sexta-feira por conta de um feriado, a bolsa japonesa registrou ganhos hoje refletindo o avanço das negociações comerciais entre China e EUA. O índice Nikkei subiu puxado pelos ganhos de empresas locais que dependem da demanda chinesa, junto com o resultado melhor do que o esperado pelo mercado dos gastos das família japonesas.

Nos Estados Unidos, Trump afirmou que o país está construindo um acordo “monumental” com a China e que uma cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, poderá ocorrer dentro de quatro semanas. Representantes comerciais norte-americanos reiteraram que as conversas com premiê Liu He foram bem, mas que ainda existem questões a serem resolvidas, como as relativas a produtos chineses.

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia ganharam um novo capítulo com a proposta do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, de permitir aos britânicos uma maior flexibilização para deixar a UE, que poderia ser de 12 de meses. No entanto, os lideres do bloco ainda precisam concordar e uma reunião da cúpula está prevista para a próxima semana. Adicionalmente, Theresa May pediu uma extensão do Brexit até 30 junho a Tusk.

Entre maiores economias europeias, o destaque nos indicadores fica por conta da Alemanha que registrou um avanço um pouco acima do esperado na produção industrial de fevereiro ante janeiro cresceu 0,7% na série com ajuste sazonal.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:14 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,16%
*Nasdaq Futuro (EUA) +0,21%
*Dow Jones Futuro (EUA) +0,13%
*DAX (Alemanha) +0,03%
*FTSE (Reino Unido) +0,06%
*CAC-40 (França) 0,24%
*FTSE MIB (Itália) +0,43%
*Hang Seng (Hong Kong) (fechado hoje por feriado)
*Xangai (China) % (Fechado hoje por feriado)
*Nikkei (Japão) +0,38% (fechado)
*Petróleo WTI -0,02%, a US$ 62,09 o barril
*Petróleo Brent -0,26%, a US$ 69,22 o barril
*Bitcoin US$ 4.962,97, -0,80%
R$ 19.349, 0,0%% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,32%, a 627 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

Na agenda de indicadores, o foco total dos investidores estará nos Estados Unidos, onde a partir das 9h30 o Bureau of Labor Statistics divulgará o Payroll, levantamento sobre a criação de empregos, relativo a março. Em fevereiro, os números vieram significativamente mais fracos, com a geração de 20 mil postos, ante um incremento de 311 mil em janeiro.

No Brasil, logo cedo, a FGV divulgará variações entre março e fevereiro do Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), que mensura o impacto na movimentação dos preços entre as famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos.

3. Noticiário político

Ontem, durante live no Facebook, o presidente Jair Bolsonaro destacou as reuniões que teve ontem com líderes partidários e que o encontro serviu para tratar de governabilidade e da reforma da Previdência. “Em nenhum momento tratamos de cargo”. 

Vale destacar que, nos encontros com PSDB, DEM, PSD, PP, PRB e MDB, Bolsonaro pediu ajuda para aprovar a reforma da Previdência na Câmara, pediu desculpas por "caneladas" e expôs a ideia de criar um "conselho político", com quem pretende se reunir a cada 15 dias para sentir a temperatura do Congresso. Após ser avisado de que o mal-estar com o Congresso havia piorado por causa de suas críticas à "velha política", Bolsonaro prometeu deixar a expressão de lado. 

Enquanto isso, Bolsonaro segue enfrentando uma deterioração na sua aprovação popular, de acordo com a pesquisa mensal XP/Ipespe, realizada entre os dias 1º e 3 de abril. Segundo o levantamento, as avaliações positivas ("ótimo" e "bom") atribuídas pelos entrevistados ao governo caíram de 40% para 35% de janeiro para cá. No mesmo período, o nível "regular" oscilou de 29% para 32%, ao passo que as avaliações negativas subiram de 20% para 26%. Veja mais clicando aqui. 

Já no noticiário de jornais, O Globo informa que o governo decidiu reajustar o salário mínimo apenas pela inflação. De acordo com a publicação, a equipe econômica vai propor no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias a ser entregue até o dia 15 a alteração no cálculo no reajuste, vigente de 2007. Assim, o resultado do PIB de dois anos antes deixaria de fazer parte do cálculo para o reajuste. A regra para o piso em 2020 renderia uma economia de R$ 7,6 bilhões à Previdência.

Já o Valor Econômico destaca que o governo decidiu liberar os preços dos remédios vendidos sem exigência de prescrição médica. Atualmente, 30% desses produtos já têm preços livres e o plano é ampliar essa lista, especialmente de produtos onde exista concorrência na fabricação. Segundo a publicação, essa alteração será feita de forma gradual, em três etapas. Em até duas semanas, os prazos e as quantidades serão definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

4. IMTV

Na IMTV, o programa Conexão Brasília desta semana entrevista o analista político Carlos Eduardo Borenstein, da consultoria Arko Advice. Na pauta, a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com o mundo político e os obstáculos para a construção de um arco de apoio para a aprovação da reforma da previdência.

O programa é transmitido ao vivo, a partir das 14h45 pela IMTV e pela página do InfoMoney no Facebook. Acompanhe.

5. Noticiário corporativo

O presidente da Azul, John Rodgerson, disse em entrevista ao Estadão que a entrada da Gol e da Latam na disputa pela compra da Avianca Brasil, que está em recuperação judicial, tem como objetivo impedir a companhia de crescer no aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Segundo Rodgerson, “vão quebrar a empresa para evitar que a gente faça a ponte aérea”. A Azul havia oferecido US$ 105 milhões por aviões e autorizações de slots da Avianca.

A entrada da Gol e da Latam na disputa pela Avianca, porém, não foi bem recebida pelo Cade, pontuou a coluna Painel S.A. da Folha. A publicação ressalta que qualquer operação que transfira slots da Avianca em Congonhas e Santos Dumont à Gol e Latam geraria uma concentração de mercado, tornando a operação praticamente impossível de ser aprovada pelo órgão, afirmaram profissionais do órgão.

Enquanto aguarda os desdobramentos da negociação sobre a Avianca, a Gol divulgou ontem à noite que a demanda doméstica cresceu 3,2% em março sobre igual período do ano passado, enquanto a oferta no período avançou 1,8%. Já a taxa de ocupação doméstica subiu 1,1 ponto porcentual, para 79,8%. No mercado internacional, a demanda subiu 20,5%, enquanto a oferta avançou 24,3%.

Está previsto para hoje, na B3, o leilão de arrendamento de áreas portuárias no Pará: porto de Vila do Conde e Porto de Belém. Os investimentos deverão somar R$ 430 milhões, nos espaços que são destinados à movimentação e armazenagem de combustíveis. Cabe ressaltar que o certame faz parte do programa de concessões no setor de infraestrutura, que inclui portos, aeroportos e ferrovias. O sucesso ou não do leilão pode demonstrar como está o apetite dos investidores

A Eletrobras informou ontem que contratou o Santander para contribuir, por meio de novas captações de recursos para quitação ou gestão de dívidas, à uma captação de debêntures. Segundo a Coluna do Broadcast, o banco será o coordenador único da operação que poderá movimentar cerca de R$ 4 bilhões.

Segundo jornal Valor Econômico, a justiça de Alagoas acatou parcialmente o pedido de bloqueio dos bens da Braskem, no montante de R$ 100 milhões, por conta da mineração de sal-gema da petroquímica, que estaria afundando o solo de três bairro em Maceió. A empresa tem cinco dias para recorrer.

A Hapvida fechou contrato de compra da Infoway Tecnologia e Gestão em Saúde, com atuação no Norte e Nordeste, por um valor que poderá atingir até R$ 20 milhões. A Infoway atua no desenvolvimento de tecnologias inovadoras na área de saúde.

O conselho de administração da Cyrela aprovou a emissão de debêntures no montante de R$ 100 milhões.

Por fim, o Morgan Stanley iniciou a cobertura dos papéis da resseguradora IRB com recomendação de “Overweight” e um preço alvo de R$ 104, o que configura um potencial de alta de 13%. Segundo o documento, o crescimento da indústria brasileira de resseguros deve acelerar significativamente nos próximos três a cinco anos, com a recuperação econômica, proporcionando à companhia um aumento da lucratividade.

(Agência Estado e Bloomberg)

 

Contato