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Ibovespa Futuro sobe quase 1% e dólar cai com "trégua política" e exterior mais positivo

Mercado também fica de olho na ida do ministro da Economia Paulo Guedes na CCJ

Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia
(Antonio Cruz/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O ambiente de pacificação na política e os menores temores externos guiam uma sessão mais positiva para o Ibovespa Futuro nesta sessão. Às 9h02 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice com vencimento em abril de 2019 registra alta de 0,94%, a 94.900 pontos, enquanto o dólar futuro de mesmo vencimento registrava baixa de 0,30%, a R$ 3,84. 

Nesta terça, o ministro Paulo Guedes vai à CCJ falar da reforma da Previdência e deve tentar ampliar a pacificação entre o governo e a classe política. A notícia de que Rodrigo Maia barrará pauta bomba também favorece o humor do mercado, mas ainda há desafios para a melhora do ambiente político, como o governo dar mais sinais de coordenação política para a aprovação da Reforma. 

Contudo, o ambiente de "trégua" na política e o humor mais positivo no exterior ajudam a guiar o dia de ganhos para o mercado. 

A sessão é de leve alta para as bolsas europeias e de ganhos mais expressivos para os índices futuros norte-americanos, enquanto os rendimentos dos treasuries sobem com sinal de refluxo após receio gerado pela inversão de uma parte da curva de juros. Na véspera,  o yield dos títulos do tesouro de curto prazo (3 meses) ficou acima do yield da treasury de longo prazo (10 anos), algo que não acontecia desde 2007 e visto como um alerta de recessão, o que foi contestado por muitos do mercado.

Hoje, o Goldman Sachs se juntou ao coro minimizando a ameaça da curva invertida. Na véspera, a ex-chairwoman do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou acreditar que a inversão da curva de juros nos Treasuries dos EUA pode sinalizar possível necessidade de corte na Fed Funds Rate, e não desaceleração econômica prolongada. 

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, com parte delas se recuperando de perdas causadas justamente por temores com a tendência de desaceleração da economia global. 

O clima, porém, ainda é de cautela com novos sinais de deterioração na perspectiva econômica mundial. Na China, os mercados ampliaram hoje as expressivas perdas da sessão anterior, também à espera de uma nova rodada de discussões comerciais entre funcionários de alto escalão dos governos chinês e dos EUA, em Pequim, a partir de quinta-feira (28). 

No mercado de commodities, o petróleo sobe com renovadas tensões na Venezuela, que volta a sofrer apagões de energia.

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Alívio político

O clima em Brasília está um pouco menos tenso em meio às indicações de Jair Bolsonaro de focar na Reforma da Previdência após troca de farpas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo aponta a consultoria de risco político Eurasia, Bolsonaro joga lenha, mas reforma deve ser aprovada e tem 70% de chance de sucesso e é provável que Bolsonaro revise lentamente sua estratégia de confrontar líderes partidários à medida que os riscos de uma derrota se tornem claros, mas consultoria reitera que o ambiente da opinião pública continua favorecendo a aprovação.

Para isso, informa o jornal o Globo, o governo conta com a ajuda do ministro da Economia, Paulo Guedes, para tentar arrefecer a crise com o Congresso e abrir caminho para aprovar a reforma da Previdência . Guedes participa de audiência pública nesta terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para falar da proposta. 

Segundo a Veja, espera-se para esta terça-feira na CCJ o anúncio do nome do relator da reforma. Também hoje, segundo o Globo, os líderes do DEM, MDB, PSD, PP, PR e PRB farão declaração de apoio à reforma, mas dirão que não apoiarão mudanças no BPC e nas regras dos trabalhadores rurais.

Uma das possíveis respostas ao governo não será mais dada pela Câmara. A Casa não deve mais suspender a isenção de visto aos americanos, mas Maia deve ter apenas papel institucional na reforma. Já a Folha informa ainda que Maia teria se comprometido a não permitir pautas bombas e não dar andamento a eventuais pedidos de impeachment, mas a responsabilidade de ordenar a base seria do governo. 

Agenda do dia

O Banco Central divulgou nesta manhã a ata da primeira reunião sob o comando de Roberto Campos Neto, que manteve a taxa básica de juros em 6,5% ao ano e trouxe tom levemente dovish para a política monetária à frente, sem incitar apostas de corte de juros. No documento, o Copom destacou que os ndicadores recentes da atividade econômica apontam ritmo aquém do esperado. Não obstante, a
economia brasileira segue em processo de recuperação gradual.

Já às 9h o IBGE apresenta o IPCA-15 de março teve alta de 0,54%, levemente acima da estimativa de alta de 0,51% na comparação mensal, de acordo com mediana de economistas consultados pela Bloomberg.  Esse foi o maior valor do IPCA-15 para o mês desde 2015. 

Os EUA divulgam às 9h30 o dado de início de construções de moradias de fevereiro e, às 11h00, a confiança do consumidor da Conference Board de março. Às 22h30, a China divulga lucros industriais de fevereiro. 

Noticiário corporativo

Em destaque no noticiário corporativo, a Natura teve o rating colocado em watch negativo pela Standard & Poor's, a Klabin aprovou a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, Vale confirma bloqueio de R$ 2,95 bi por decisão judicial e a Vale confirmou um bloqueio de mais R$ 2,95 bilhões por decisão judicial.


(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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