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Ibovespa ganha força e dólar cai quase 1% após reunião de Bolsonaro com ministros

Resultado do encontro foi foco na reforma da Previdência e na pacificação

Jair Bolsonaro
(Carolina Antunes/PR)

SÃO PAULO - O Ibovespa ganhou forças e o dólar ampliou a queda, passando a ser negociado abaixo dos R$ 3,87 no final da manhã desta segunda-feira (25). Isso ocorre em meio ao ânimo após o final da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os ministros  Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Segurança Institucional), em que discutiram a crise política que ganhou corpo nos últimos dias. 

O resultado da reunião, segundo a  GloboNews, é o foco na reforma da Previdência e na pacificação. Com isso, às 12h03 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira registrava alta de 0,57%, aos 94.263 pontos, enquanto o dólar futuro tinha queda de 1,10%, a R$ 3,865. Já o dólar comercial vai a R$ 3,8633 na venda, queda de 0,99%.

Segundo o blog do Valdo Cruz, do G1, participantes da reunião disseram que a avaliação de todos foi na direção de "não jogar mais lenha na fogueira" e "buscar uma pacificação para focar no que importa agora, a reforma da Previdência". Bolsonaro teria dito ainda que não tem interesse em manter um "clima de rivalidade" com Maia e está disposto a conversar com ele.

Além disso, Bolsonaro pediu na reunião que Onyx Lorenzoni procure líderes partidários para negociar a votação da reforma da Previdência. A ideia é mostrar que, sem a reforma, será muito ruim não só para o governo, mas, principalmente, para o país, e que isso geraria um cenário "grave" na economia brasileira.

Os principais contratos de juros futuros, por sua vez, zeraram os ganhos após dispararem no início da sessão. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 tem queda de 1 ponto-base, a 7,12%, após atingir 7,32%. Já o com vencimento em janeiro de 2023 opera estável em 8,30%, após atingir os 8,53% na abertura. Mais cedo, por volta das 9h, o contrato futuro do índice chegou a registrar perdas mais expressivas, de 1,5%, enquanto o dólar passou dos R$ 3,92.

A crise política teve novos capítulos no fim de semana, após o presidente retomar ataques à “velha política”, enquanto Maia acusou governo de ser um deserto de ideias. Por outro lado, Maia sinalizou que vai "blindar" a reforma da Previdência, o que dá certo alívio ao mercado nacional após as fortes quedas. 

Enquanto isso, a aversão ao risco segue para os investidores estrangeiros após a forte baixa dos mercados na sexta-feira, em meio aos dados negativos de atividade na Alemanha e EUA. Contudo, as perdas são mais discretas nesta sessão.

O presidente da distrital do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, disse que a inversão da curva de juros no fim da semana passada - quando o spread entre a T-bill de três meses e a T-note de 10 anos ficou negativo pela primeira vez em mais de uma década - indica probabilidade ligeiramente maior de a economia americana entrar em recessão.

Evans ressaltou, porém, que a tendência de achatamento da curva de juros não é uma surpresa.

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Já as bolsas asiáticas fecharam com perdas robustas nesta segunda-feira, também em meio a renovadas preocupações com a saúde da economia global. Vale ressaltar que, na quinta-feira, funcionários de alto escalão do governo americano estarão em Pequim para iniciar uma nova rodada de discussões comerciais de dois dias.

A expectativa é que EUA e China fechem um acordo comercial em algum momento de abril. Desde meados do ano passado, a disputa comercial entre as duas maiores economia do mundo vem pesando no sentimento do investidor.

Destaques de ações

A Vale movimentou o noticiário corporativo deste fim de semana, após uma barragem da mineradora em Barão de Cocais, na região central de Minas Gerais, entrar em alerta máximo para risco de rompimento na noite de sexta-feira, com o acionamento das sirenes no município. O nível de segurança da barragem sul superior da mina Gongo Soco subiu de 2 para 3, segundo informou a própria mineradora. 

De acordo com a Vale, a medida adotada é preventiva e foi decidida após um auditor independente informar que a barragem apresenta "condição crítica de estabilidade". 

Na temporada de resultados, a Cesp registrou em 2018 um lucro líquido de R$ 294,43 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 168,53 milhões em 2017.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 26,94 +4,30 +13,38 28,80M
 GOLL4 GOL PN N2 28,30 +3,82 +12,75 47,06M
 ELET3 ELETROBRAS ON 34,95 +3,62 +44,24 55,34M
 KROT3 KROTON ON 11,21 +3,13 +26,38 48,55M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,30 +2,59 +12,59 54,03M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,83 -1,92 +6,09 43,60M
 NATU3 NATURA ON 40,84 -1,59 -8,75 97,81M
 CIEL3 CIELO ON 9,83 -1,21 +13,18 64,25M
 BRFS3 BRF SA ON 21,94 -1,17 +0,05 40,35M
 CCRO3 CCR SA ON 11,56 -1,11 +3,21 22,37M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Embate entre Maia e Bolsonaro

Após uma sexta-feira tensa para os mercados com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ameaçando deixar a articulação política da Reforma da Previdência, o ambiente negativo continua. 

Neste fim de semana, o embate entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia teve novos capítulos; Maia subiu o tom da cobrança por maior envolvimento do Planalto na articulação da reforma, mas, em entrevista ao G1, tentou amenizar a crise, dizendo que a reforma está acima do governo.

Em entrevista ao Estadão, Maia afirmou que o governo é um "deserto de ideias" e sem projetos que não sejam a Reforma da Previdência e o pacote anticrime apresentado por Sérgio Moro. 

Maia disse ainda que Guedes tenta intervir na escolha de relator da Previdência, o que indica interferência do Executivo e que o presidente precisa ter convicção, parar de falar que é contra a reforma, o que atrapalha o andamento da mesma. 

Vale ressaltar que, neste fim de semana, Maia se reuniu com aliados como o governador de SP, João Doria. Segundo o blog de Andréia Sadi no G1, ele teria dito aos aliados que vai blindar a reforma. Maia disse ainda que é hora de evitar polêmicas e baixar a temperatura e negou que esteja em curso um troco de parlamentares a Bolsonaro.

Enquanto isso, Bolsonaro, em resposta às críticas de Maia, disse que a responsabilidade agora está com o Congresso e voltou a falar em pressão da velha política. Ele disse que perdoa Maia pela situação pessoal que ele está vivendo. 

Assim, sem trégua aparente, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), mandou mensagens ao partido logo depois de seu encontro com o presidente neste domingo reforçando as falas duras de Bolsonaro e dizendo que o presidente não pretende negociar, dizem Folha e Globo.

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