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Ibovespa Futuro tem leve queda e dólar volta aos R$ 3,79 repercutindo Previdência e com reavaliação do Fomc

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após uma forte queda de 1,55% do índice à vista e de ter fechado com baixa de mais de 2% na véspera, o contrato do Ibovespa Futuro registra mais uma sessão de perdas na sessão desta quinta-feira (21). Às 9h03 (horário de Brasília), o índice futuro tinha queda de 0,26%, a 97.585 pontos, enquanto o dólar futuro tem uma sessão de alta, com ganhos de 0,44%, a R$ 3,793. Já o dólar comercial tem uma sessão mais expressiva de alta, com ganhos de 0,79%, a R$ 3,7958 na  venda. 

Esse movimento ocorre pela reavaliação da decisão de política monetária pelo Federal Reserve, que havia animado o mercado em um primeiro momento na véspera, mas principalmente com a repercussão negativa sobre a reforma dos militares apresentada ontem pelo governo brasileiro, com uma previsão de economia de apenas R$ 10,45 bilhões em 10 anos. 

Deputados reagiram negativamente à proposta que atrelou a discussão da previdência dos militares à reestruturação das carreiras das Forças Armadas. Até mesmo entre os parlamentares da base, há uma impressão de que a reestruturação dá um recado errado à sociedade. Para o delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido do presidente na Casa, é necessário analisar com cuidado a medida.

O principal ponto de dificuldade do governo é a articulação política. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao sair de uma reunião no Ministério da Economia com Paulo Guedes, e com o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, afirmou que a articulação do governo com o Parlamento está caminhando, mas "ainda peca". Essa avaliação, associada à queda da popularidade do governo Bolsonaro no último Ibope, significam um flanco aberto no governo para o Congresso fazer cada vez mais exigências em troca da aprovação de reformas.

Já sobre o Federal Reserve, a autoridade monetária manteve ontem seus juros básicos na faixa de 2,25% a 2,50%, mas também indicou que não irá elevar as taxas até o fim de 2019, diante de sinais de desaceleração da economia global, o que levou o investidor a reagir com cautela e suscita um movimento de queda dos mercados globais. 

Esses fatores acabam por ofuscar a decisão de política monetária do Copom, a primeira reunião comandada pelo novo presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. 

O Comitê, que teve a sua primeira reunião comandada por Roberto Campos Neto, apesar de ter expressado mudanças em seu balanço de riscos para a inflação - que passou a ser simétrico - repetiu, em seu comunicado que "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação". A visão é de que foi adotado um tom mais "dovish", mas sem incitar apostas de corte de juros nas próximas reuniões. 

Com isso, a taxa dos principais contratos de juros futuros têm queda nos vencimentos mais curtos. A de janeiro de 2021 tem baixa de 8 pontos-base, para 6,82%, enquanto a com vencimento em 2023 tem queda mais tímida, de 4 pontos, a 7,87%. 

Noticiário corporativo

O noticiário corporativo é movimentado nesta quinta-feira. A Vale suspendeu de forma preventiva Mina de Alegria, em Mariana, estimando um impacto potencial máximo na produção de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano.

Enquanto isso, na Câmara, foi aprovado o projeto que abre capital estrangeiro em aéreas. Os deputados analisam agora os destaques, pedidos feitos para votar, de forma separada, partes do texto após aprovação do texto principal. Depois de concluída essa etapa, a matéria seguirá para análise do Senado Federal.

A Sabesp celebrou protocolo de intenções com Santo André por dívidas, o Cade prorrogou o prazo para venda de ações da CSN na Usiminas e a Petrobras perdeu disputa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e terá de pagar R$ 2,17 bilhões; a estatal informou que irá recorrer da decisão. 

Já o Estadão informa que o governo tenta acelerar privatização da Eletrobras. "Para animar os investidores frustrados depois de sinalização de que o processo ficaria para 2020, ministérios de Economia e de Minas e Energia tentam viabilizar uma solução ainda este ano e o modelo deve ser definido até junho", destacou o jornal. O BB confirmou a captação de US$ 750 milhões, com cupom de 4,75% ao ano.

Na agenda de resultados, Anima, B2W e Lojas Americanas divulgaram seus números do quarto trimestre de 2018. 

(Com Bloomberg, Agência Estado)

 

 

 

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