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Em sessão de ajuste, Ibovespa perde os 98.000 pontos de olho em Brexit e Previdência

Índice tem dia de leve correção após duas sessões de euforia. Dólar cai 0,66%, cotado a R$ 3,8165 na venda, com investidores reagindo a inflação baixa nos EUA

Mesa operações XP
(Flavio Santana/Biofoto)

SÃO PAULO - Após duas sessões de otimismo, o Ibovespa teve um pregão de ajuste nesta terça-feira (12), encerrando o dia com leve queda de 0,20%, a 97.828 pontos, puxado sobretudo pelo recuo das ações de empresas exportadoras e da Petrobras (PETR4). O giro financeiro negociado na B3 foi de R$ 12,83 bilhões.

O movimento modesto do índice ocorre a despeito de um noticiário agitado, marcado por articulações em torno da reforma da previdência na Câmara dos Deputados, indicadores econômicos nacionais e internacionais e uma nova derrota da primeira-ministra britânica, Theresa May, na tentativa de aprovar um novo acordo para o Brexit junto ao parlamento.

O dólar comercial, por sua vez, fechou em queda de 0,659%, cotado a R$ 3,8165 na venda. O movimento refletiu a divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) de fevereiro nos Estados Unidos, que mostrou alta de 0,2% da inflação no período, ao passo que o núcleo (que exclui alimentos e energia), avançou 0,1% na comparação mensal, contra avanço de 0,2% projetado.

O resultado abaixo do esperado reduz ainda mais o espaço para altas de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses, o que ajuda a evitar uma pressão vendedora da moeda brasileira. Os yields dos Treasuries norte-americanos também apresentaram movimento negativo após a notícia, com os papéis com vencimento em 10 anos encerrando o dia a 2,60% – um recuo de 4 pontos-base.

Já os juros futuros fecharam em queda, refletindo a baixa da moeda americana e o alívio nos preços dos serviços, mostrado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de manhã. Os papéis com vencimento em janeiro de 2021 recuaram 6 pontos-base, a 7,01%, enquanto os títulos com vencimento em janeiro de 2023 caíram 8 pontos-base, a 8,08%.

Veja mais destaques do pregão abaixo:

Altas e baixas da Bolsa
Do lado acionário, o destaque negativo ficou com as ações de Magazine Luiza (MGLU3) e da B2W (BTOW3), que caíram na esteira do anúncio do Mercado Livre, que pretende oferecer aproximadamente US$ 1 bilhão em ações ordinárias em uma das maiores ofertas públicas já lançadas por uma empresa de tecnologia na América Latina. O Mercado Livre também pretende conceder aos acionistas a opção de compra, pelo prazo de 30 dias, de até US$ 150 milhões em ações ordinárias adicionais.

Do lado positivo, as ações da Sabesp (SBSP3) tiveram um novo dia de fortes ganhos e acumularam ganhos de quase 9% em apenas dois pregões de olho nas falas do governo paulista sobre a privatização. O Itaú BBA comentou a notícia de que o secretário da Fazenda do estado de São Paulo, Henrique Meirelles, reiterou ontem os planos do governo estadual de privatizar a Sabesp.

"Acreditamos que a privatização continua a depender da migração dos regulamentos de saneamento para uma estrutura federal. Acreditamos que, mesmo se a Medida Provisória 868 cair, a discussão poderá ser retomada por meio de um projeto de lei", afirmam os analistas do banco.

Também entre as maiores altas, a Marfrig (MRFG3) anunciou o fechamento de um acordo com parceiros para aumento conjunto de participação na norte-americana Iowa Premium. De acordo com a Marfrig, também participaram do acordo Jefferies Financial, Premium Beef, TMK, e NBPCo. Em conjunto, os sócios posteriormente vão realizar a integralização de capital na National Beef. O controle da Iowa Premium foi comprado da Sysco Holdings pelo valor total de US$ 150 milhões.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 47,95 -5,01 +14,11 138,53M
 CSNA3 SID NACIONALON 14,17 -2,68 +60,29 342,32M
 CYRE3 CYRELA REALTON 16,90 -2,59 +9,24 56,82M
 KROT3 KROTON ON 11,22 -2,26 +26,49 95,56M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 19,83 -2,22 +1,05 64,40M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 6,02 +6,93 +10,26 51,22M
 SBSP3 SABESP ON 42,62 +4,21 +35,30 187,44M
 JBSS3 JBS ON 13,77 +3,92 +18,81 134,75M
 LOGG3 LOG COM PROPON 17,59 +2,87 -2,39 1,87M
 HYPE3 HYPERA ON 27,10 +2,54 -10,26 87,97M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 27,46 -1,05 1,78B 1,43B 66.949 
 VALE3 VALE ON 49,98 +0,20 778,57M 1,04B 27.588 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 44,97 +0,27 595,13M 713,07M 21.438 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 36,97 +0,14 482,66M 692,96M 18.763 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 53,31 -0,67 426,01M 593,61M 18.322 
 CSNA3 SID NACIONALON 14,17 -2,68 342,32M 223,79M 26.639 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,96 -0,88 338,95M 393,04M 44.971 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 30,27 -1,21 254,26M 282,26M 10.000 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 12,89 +0,23 240,23M 448,35M 34.439 
 B3SA3 B3 ON 33,10 +0,61 205,75M 327,33M 14.733 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Indicadores e resultados
Na agenda doméstica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,43% em fevereiro, acima dos 0,38% projetados pelos economistas consultados pela Bloomberg. O resultado também ficou acima dos 0,32% de janeiro. No acumulado de 12 meses, o índice oficial de inflação do país ficou em 3,89%, acima dos 3,78% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Entre os balanços corporativos, o dia é mais tranquilo, com a divulgação dos números do quarto trimestre da Minerva (BEEF3), Tenda (TEND3), Sierra Brasil (SSBR3), LIQ (LIQO3) e Trisul (TRIS3), todos após o fechamento do mercado.

Reforma da Previdência
Enquanto o mercado aguarda a possível instalação das comissões na Câmara dos Deputados, em especial a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), as conversas parlamentares sobe a reforma da Previdência ganham destaque.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia formalizou a convocação para instalar a CCJ nesta quarta-feira. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, disse na segunda que já está definido que a presidência da CCJ é do deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Já a deputada Bia Kicis, também do PSL de Bolsonaro, é cotada para vice da comissão.

Enquanto isso, líderes da Câmara criticaram a articulação do governo, que tenta negociar cargos com o Congresso para aprovação da Nova Previdência, e também deram sinais negativos sobre a aprovação da PEC, refutando declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que faltariam poucos votos para passar a medida.

O líder do PRB, Jhonantan de Jesus (RR), afirmou que, do jeito como está posta hoje, seu partido votaria contra a PEC. "Não há base ainda para aprovar a Previdência. Há apenas os votos do PSL", disse. Ele insinuou também que o partido espera saber a quais cargos terá direito para avançar nas tratativas sobre a proposta. Para ele, o governo precisa ceder para criar sua base.

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), por sua vez, classificou como "escandalosa" a tentativa do governo de negociar cargos para aprovar a Previdência. Ele criticou também a PEC do Pacto federativo. Para ele, a medida pode comprometer a destinação de recursos para áreas como saúde e educação.

Já o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), disse que seu partido é a favor da Previdência, mas que há uma questão fechada sobre o BPC. Os tucanos não querem que haja mudança nas regras e reforçou que o impacto fiscal previsto para esse ponto é praticamente nulo.

Em meio a tudo isso, para agradar os deputados que analisarão a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro liberou R$ 1 bilhão em emendas parlamentares. Um levantamento feito pelo Palácio do Planalto mostrou que havia cerca de R$ 3 bilhões em emendas impositivas que não haviam sido pagas.

Noticiário político
O governo divulgou na noite de segunda uma edição extra do "Diário Oficial da União" em que exonera seis integrantes do alto escalão do Ministério da Educação. A portaria foi assinada por Abraham Weintraub, ministro-chefe substituto da Casa Civil.

Deixaram o cargo: Tiago Tondinelli (chefe de gabinete do ministro); Eduardo Miranda Freire de Melo (secretário-executivo adjunto da Secretaria-Executiva do Ministério); coronel Ricardo Wagner Roquetti (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Claudio Titericz (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Silvio Grimaldo de Camargo (assessor especial do ministro); e Tiago Levi Diniz Lima (diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco).

Ainda na mesma edição do Diário, foram nomeados novos funcionários para três dos seis cargos vagos. Enquanto isso, os cargos de assessor especial e os dois diretores de programas do MEC não tiveram novas nomeações.

Josie Priscila Pereira de Jesus será a nova chefe de gabinete do Ministério; Robson Santos da Silva será diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco; e Rubes Barreto da Silva será secretário-executivo adjunto da diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco.

Em nota, o MEC disse que "as movimentações de pessoal e de reorganização administrativa, levadas a efeito nos últimos dias, em nada representam arrefecimento no propósito de combater toda e qualquer forma de corrupção" e que "ademais, envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração".

Enquanto isso, aumentam as chances de queda do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que vê sua situação ficar cada vez mais insustentável. E quem articula sua queda é exatamente a mesma pessoa que o indicou para o comando da pasta três meses atrás: Olavo de Carvalho.

Segundo informações da jornalista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo, o ideólogo indicou para o lugar de Vélez o atual secretário de alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim. Ele é conhecido por defender o ensino domiciliar e ser dono da página da internet "Como Educar seus Filhos".

Brexit: novo impasse
Por 361 votos contra e 242 a favor, os parlamentares britânicos rejeitaram o acordo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), impondo uma nova derrota à primeira-ministra Theresa May. Logo após proclamado o resultado, a premiê fez um pronunciamento e afirmou que não haverá orientação na votação que ocorrerá amanhã, em que os deputados decidirão sobre a possibilidade de um "Brexit sem acordo".

May afirmou que lutou pela proposta e que está consciente da necessidade de honrar o referendo. Mas ela também sabe como é importante conseguir um acordo. A primeira-ministra afirmou ainda que, se os deputados decidirem uma saída sem acordo, isso se tornará uma política de governo.

Em seguida, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, disse que o Parlamento deve se unir em torno de uma proposta que pode ser negociada. Esse plano foi apresentado pelos trabalhistas, diz ele, reforçando que eles irão colocar seu plano em prática novamente. "May atropelou o relógio. Talvez devêssemos ter uma eleição geral", disse.

Durante a madrugada, May conseguiu negociar autoridades da União Europeia algumas garantias juridicamente vinculativas sobre a parte mais problemática do acordo, o backstop irlandês. Isso fez com que muitos deputados mudassem de voto em relação à votação de janeiro, mas não foi suficiente para uma vitória do governo.

Com este resultado, é esperada uma nova votação nesta quarta-feira, desta vez para definir se os parlamentares aceitam um "Brexit sem acordo".

Caso esta proposta também seja derrotada, na quinta eles irão decidir se pedem uma extensão do Artigo 50, que define as regras do Brexit, incluindo a data de 29 de março para a saída definitiva dos britânicos da União Europeia (entenda os detalhes clicando aqui).

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