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Ibovespa segue exterior de olho no Brexit e segura euforia após duas fortes altas; dólar cai

Índice opera entre perdas e ganhos atento ao cenário externo, enquanto a moeda norte-americana recua após dado de inflação nos EUA

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após a euforia da véspera, o Ibovespa entra no clima de cautela global e opera com leves perdas atento à votação decisiva do acordo do Brexit nesta tarde. Enquanto isso, por aqui, investidores ficam de olho às articulações do governo para conseguir a aprovação da reforma da Previdência.

Neste cenário, às 12h15 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,42%, aos 97.619 pontos. Em Wall Street, os índices operam sem muita força, com o Dow Jones se descolando do cenário e caindo, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançam.

O contrato de dólar futuro com vencimento em abril, por sua vez, recuava 0,72%, a R$ 3,816, enquanto o dólar comercial caía 0,73%, para R$ 3,8139 na venda, acentuando as perdas após o núcleo do CPI, dado de inflação dos EUA, ficar abaixo do previsto.

Os índices globais operam sem direção única nesta sessão antes do Parlamento britânico votar mais uma vez o acordo da primeira-ministra Theresa May sobre o Brexit. Em uma última tentativa de persuadir seus opositores, ela voltou a negociar com autoridades da União Europeia e conseguiu algumas garantias juridicamente vinculativas sobre a parte mais problemática do acordo, o backstop irlandês.

A libra esterlina subiu após o anúncio, mas virou novamente para queda depois que os procurador-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox, comentou o acordo de May. Segundo ele, os riscos legais para o Brexit ainda permanecem apesar das concessões da União Europeia nesta madrugada. Ele acrescentou que o documento revisado não deu à Grã-Bretanha qualquer meio legal de sair unilateralmente dos acordos de "apoio irlandês".

Caso o acordo seja rejeitado nesta terça, é esperada uma nova votação na quarta, desta vez para definir se os parlamentares aceitam um "Brexit sem acordo". Caso esta proposta também seja derrotada, ainda nesta semana eles irão decidir se pedem um adiamento do prazo, marcado para 29 de março, para a saída definitiva dos britânicos da União Europeia (entenda os detalhes clicando aqui).

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Reforma da Previdência
Enquanto o mercado aguarda a possível instalação das comissões na Câmara dos Deputados, em especial a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), as conversas parlamentares sobe a reforma da Previdência ganham destaque.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia formalizou a convocação para instalar a CCJ nesta quarta-feira. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, disse na segunda que já está definido que a presidência da CCJ é do deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Já a deputada Bia Kicis, também do PSL de Bolsonaro, é cotada para vice da comissão.

Enquanto isso, líderes da Câmara criticaram a articulação do governo, que tenta negociar cargos com o Congresso para aprovação da Nova Previdência, e também deram sinais negativos sobre a aprovação da PEC, refutando declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que faltariam poucos votos para passar a medida.

O líder do PRB, Jhonantan de Jesus (RR), afirmou que, do jeito como está posta hoje, seu partido votaria contra a PEC. "Não há base ainda para aprovar a Previdência. Há apenas os votos do PSL", disse. Ele insinuou também que o partido espera saber a quais cargos terá direito para avançar nas tratativas sobre a proposta. Para ele, o governo precisa ceder para criar sua base.

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), por sua vez, classificou como "escandalosa" a tentativa do governo de negociar cargos para aprovar a Previdência. Ele criticou também a PEC do Pacto federativo. Para ele, a medida pode comprometer a destinação de recursos para áreas como saúde e educação.

Já o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), disse que seu partido é a favor da Previdência, mas que há uma questão fechada sobre o BPC. Os tucanos não querem que haja mudança nas regras e reforçou que o impacto fiscal previsto para esse ponto é praticamente nulo.

Em meio a tudo isso, para agradar os deputados que analisarão a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro liberou R$ 1 bilhão em emendas parlamentares. Um levantamento feito pelo Palácio do Planalto mostrou que havia cerca de R$ 3 bilhões em emendas impositivas que não haviam sido pagas.

Indicadores e resultados
Na agenda doméstica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,43% em fevereiro, acima dos 0,38% projetados pelos economistas consultados pela Bloomberg. O resultado também ficou acima dos 0,32% de janeiro.

No acumulado de 12 meses, o índice oficial de inflação do país ficou em 3,89%, acima dos 3,78% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Entre os balanços corporativos, o dia é mais tranquilo, com a divulgação dos números do quarto trimestre da Minerva (BEEF3), Tenda (TEND3), Sierra Brasil (SSBR3), LIQ (LIQO3) e Trisul (TRIS3), todos após o fechamento do mercado

Bolsas mundiais
O presidente Donald Trump disse ao governo alemão que limitará o compartilhamento da inteligência norte-americana com Berlim se a empresa chinesa de tecnologia Huawei for autorizada a construir a infraestrutura de internet móvel 5G da Alemanha, segundo informações do Wall Street Journal.

Ainda na Alemanha, o ministro das Finanças, Olaf Scholz, confirmou na segunda-feira que os dois maiores bancos do país, o Deutsche Bank e o Commerzbank, estão estudando uma possível fusão, de acordo com informações da Reuters.

Enquanto isso, as bolsas asiáticas fecharam em alta em reflexo do pregão positivo nos Estados Unidos na véspera e também impulsionados com a recuperação da libra na madrugada após a notícia de que May conseguiu um ajuste de última hora no acordo do Brexit junto à UE.

As ações das companhias de petróleo da Ásia conseguiram ganhos expressivos conforme os preços do petróleo continuam a se recuperar nesta semana, impulsionados pelos comentários do ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, que disse que o fim dos cortes de oferta da Opep é improvável antes de junho.

Noticiário político
O governo divulgou na noite de segunda uma edição extra do "Diário Oficial da União" em que exonera seis integrantes do alto escalão do Ministério da Educação. A portaria foi assinada por Abraham Weintraub, ministro-chefe substituto da Casa Civil.

Deixaram o cargo: Tiago Tondinelli (chefe de gabinete do ministro); Eduardo Miranda Freire de Melo (secretário-executivo adjunto da Secretaria-Executiva do Ministério); coronel Ricardo Wagner Roquetti (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Claudio Titericz (diretor de programa da Secretaria-Executiva do Ministério); Silvio Grimaldo de Camargo (assessor especial do ministro); e Tiago Levi Diniz Lima (diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco).

Ainda na mesma edição do Diário, foram nomeados novos funcionários para três dos seis cargos vagos. Enquanto isso, os cargos de assessor especial e os dois diretores de programas do MEC não tiveram novas nomeações.

Josie Priscila Pereira de Jesus será a nova chefe de gabinete do Ministério; Robson Santos da Silva será diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco; e Rubes Barreto da Silva será secretário-executivo adjunto da diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco.

Em nota, o MEC disse que "as movimentações de pessoal e de reorganização administrativa, levadas a efeito nos últimos dias, em nada representam arrefecimento no propósito de combater toda e qualquer forma de corrupção" e que "ademais, envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração".

Enquanto isso, aumentam as chances de queda do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que vê sua situação ficar cada vez mais insustentável. E quem articula sua queda é exatamente a mesma pessoa que o indicou para o comando da pasta três meses atrás: Olavo de Carvalho.

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Segundo informações da jornalista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo, o ideólogo indicou para o lugar de Vélez o atual secretário de alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim. Ele é conhecido por defender o ensino domiciliar e ser dono da página da internet "Como Educar seus Filhos".

 

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