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Vale segue ADRs e sobe quase 3%; CSN dispara 9% com 3 boas notícias e CCR cai 3% com novo acordo de leniência

Confira os destaques da B3 na sessão da volta do feriado

Usiminas CSN Gerdau Siderurgia Aço Siderúrgica Indústria Steel
(Reuters)

SÃO PAULO - A B3 esteve por dois dias fechada por conta do Carnaval e fechou esta quarta-feira, de sessão reduzida, com leve queda de 0,41%, com o mercado repercutindo o movimento dos ADRs (American Depositary Receipts) durante o feriado. Os índices brasileiros não tiveram grande variação na NYSE entre segunda e terça, mas alguns papéis chamaram a atenção do mercado no período. 

Nesta sessão, o destaque ficou para a Vale, que teve o afastamento temporário de seu presidente e de diretores. Na última segunda, os papéis da Vale na NYSE caíram até 3,78%, fecharam quase estáveis para, na terça-feira, passarem a subir. As ações na B3 seguiram esse movimento e subiram 2,80%. Já a CSN teve uma sessão de fortes ganhos, subindo mais de 9%, com três boas notícias para a companhia. Enquanto isso, a CCR caiu mais de 3% com o valor do novo acordo de leniência superando as expectativas. 

Confira mais destaques de ações: 

Vale (VALE3) e Bradespar (BRAP4)

O noticiário sobre a Vale seguiu movimentado mesmo durante o feriado de Carnaval e impactou os papéis na B3 nesta quarta-feira.

No fim de semana, o diretor-presidente da empresa Fabio Schvartsman e outros executivos apresentaram pedidos de afastamento temporário, aceitos pela mineradora, após a sequência de dois desastres em cerca de três anos em barragens de rejeitos de mineração ampliar a pressão das autoridades. Com isso, na segunda-feira, os ADRs da Vale em Nova York chegaram a cair 3,8%, mas se recuperaram e acumularam ganhos de 2,18% nas últimas duas sessões na bolsa americana. Confira a análise sobre o afastamento dos diretores clicando aqui

Além dessa notícia, o Wall Street Journal informa, citando uma investigação interna da polícia e do Ministério Público, que a Vale demitiu um auditor que se recusou a certificar como segura a barragem de Brumadinho que entrou em colapso. 

A unidade brasileira da Tractebel, subsidiária da Engie, havia se recusado a assinar a segurança da barragem em setembro. A empresa substituiu o auditor pela Tüv Süd, que antes havia certificado a segurança da barragem em junho.

A Vale disse que está cooperando plenamente com as autoridades e realizando sua própria investigação, segundo o WSJ; Tüv Süd disse que também está cooperando.

Os representantes da unidade brasileira da Tractebel e Engie não puderam ser contatados para comentar. 

Cabe ressaltar que, segundo o Painel, da Folha de S. Paulo, a Câmara dos Deputados pretende elaborar um novo Código de Mineração. A pedido da bancada mineira, Rodrigo Maia (DEM-RJ) autorizou a instalação de uma comissão especial para discutir mudanças no marco regulatório do setor, em vigor há mais de 50 anos, informou o Painel da Folha. 

Já a Bloomberg informa, citando o analista da Sanford C. Bernstein, Paul Gait, que a Vale está embarcando minério de ferro de seus estoques existentes e de oferta adicional vinda do projeto S11D, ajudando a aumentar o fornecimento do metal usado na produção de aço. "Há redução de estoques para tentar maximizar as exportações", aponta o analista. 

CSN (CSNA3)

A CSN foi elevada de equalweight para overweight pelo Morgan Stanley, com preço-alvo sendo elevado de R$ 11,40 para R$ 15, em meio a uma combinação do preço mais alto do minério de ferro e potencial de desinvestimentos, o que deve levar a uma queda na dívida líquida. 

Vale ressaltar que as ações CSNA3 foram mais uma vez destaque de alta no Ibovespa nesta quarta-feira. Além da recomendação do Morgan e da revisão da estimativa para 2019 do Ebitda ajustado para R$ 7,5 bilhões (ante projeção em dezembro de 2018 de R$ 7 bilhões para este ano), o Valor informa a siderúrgica contratou o Citi para encontrar um comprador para seu fluxo futuro de minério de ferro de US$ 1 bilhão. Confira mais sobre a empresa clicando aqui. 

CCR (CCRO3)

Nesta tarde, as ações da CCR chegaram a ter a sua negociação interrompida, após o Ministério Público Federal do Paraná informar que firmou acordo de leniência com a Rodonorte, concessionária de rodovias do grupo CCR, em que a empresa se compromete a pagar R$ 750 milhões até 2021.

O acordo, segundo o MPF/PR, envolve "diversos atos de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a contrato de concessão firmado entre o Estado do Paraná, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), o Ministério dos Transportes e a concessionária".

"Dentre outros fatos, a Rodonorte reconheceu o pagamento de propinas para a obtenção de modificações contratuais benéficas à concessionária desde o ano 2000", afirmou o MPF/PR.

A CCR afirmou em comunicado ao mercado que, do total do acordo, R$ 350 milhões envolvem a redução de 30% no valor de pedágio de todas as praças de cobrança da concessionária por pelo menos 12 meses. Outros R$ 365 milhões são em relação a obras a serem realizadas pela empresa. A multa em si é de R$ 35 milhões.

Logo após a divulgação do comunicado pela CCR, os papéis voltaram a negociar. Os ativos chegaram a amenizar as perdas de 2% registradas durante o pregão, mas fecharam em baixa de mais de 3% uma vez que o mercado avaliou o valor despendido no acordo como bem acima do esperado (o Bradesco BBI, por exemplo, esperava um acordo de R$ 750 milhões). 

Durante o feriado, a coluna Painel, da Folha, informou que a Rodonorte afirmaria à Justiça que pagou propina para políticos do PSDB no Paraná. 

A publicação ainda ressaltou que um ex-motorista da concessionária disse ter entregue malas de dinheiro na sede do governo, no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e na associação das empresas concessionárias.

Além da CCR, os papéis da Ecorodovias (ECOR3), tiveram baixa ainda mais expressiva. 

JBS (JBSS3)

As ações da JBS caíram forte após a agência de notícias Reuters revelar que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aumentará as exigências para os fabricantes de carnes no país em uma resposta ao crescimento dos “recalls” de carnes dos últimos meses.

As companhias terão que iniciar investigações quando receberem reclamações de clientes e notificar o governo dentro de 24 horas caso haja produtos contaminados no mercado.

Vale ressaltar que, recentemente, houve recalls dos produtos de frango da Tyson Foods, Perdue Foods e Pilgrim’s Pride (esta controlada pela JBS). Questionadas pela Reuters, Pilgrim’s Pride e Smithfield Foods, do WH Group, não comentaram. 

BRF (BRFS3)

Segundo informa o Valor Econômico, a aposta financeira da BRF na alta das próprias ações se voltou contra a companhia. No mês passado, a companhia finalizou a liquidação de instrumentos derivativos firmados em 2017 junto ao Bradesco para imitar uma recompra de ações.

O saldo foi negativo e consumiu mais de R$ 200 milhões do caixa da BRF em um momento delicado, no qual a companhia trabalhava para vender ativos e assim diminuir as dívidas, informa o jornal. A BRF começou a encerrar esses contratos derivativos a partir de junho de 2018.

Educacionais

Destaque para uma notícia que voltou a movimentar as ações de educacionais, como Kroton (KROT3), Estácio (ESTC3), Ser (SEER3) e Anima (ANIM3).  O presidente Jair Bolsonaro defendeu a "Lava Jato da Educação" em seu perfil do Twitter na manhã da última segunda-feira (4). Para embasar seu ponto de vista, ele citou que o Brasil gasta mais em educação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do que a média de países desenvolvidos, mas ocupa as últimas posições na Programa Internacional de Avaliação (PISA). Segundo ele, em 2003, o Ministério da Educação (MEC) gastava R$ 30 bilhões em Educação, e, em 2016, gastou quatro vezes mais, chegando a R$ 130 bilhões.

"Há algo de muito errado acontecendo: as prioridades a serem ensinadas e os recursos aplicados. Para investigar isso, o Ministério da Educação junto com o Ministério da Justiça, Polícia Federal, Advocacia e Controladoria Geral da União criaram a Lava-Jato da Educação."

BR Malls (BRML3) e Enel (ELPL3)

A BR Malls aprovou a  emissão entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões em
debêntures.

Já a Enel, ex-Eletropaulo, aprovou emissão de R$ 500 milhões em notas promissórias.

Ainda sobre a Enel, a companhia informou que parte dos recursos a serem obtidos em um processo de capitalização, lançado em 27 de fevereiro de 2019 e ainda sujeito às aprovações societárias pertinentes, poderá ser destinado a apoiar estruturas e mecanismos, ora em estudo, para mitigação dos riscos do passivo e possível solução (total ou parcial) do déficit atuarial de fundo de pensão patrocinado pela companhia.

"A companhia esclarece que está avaliando tais estruturas e mecanismos à luz da regulamentação vigente, e que a sua adoção dependerá de decisões em instâncias técnicas, acordos entre as partes envolvidas e de aprovações dos órgãos reguladores competentes, bem como aprovações societárias da companhia", afirmam em comunicado. 

BR Distribuidora (BRDT3)

A BR Distribuidora recebe parcela de R$ 130,1 milhões da Eletrobras.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras registrou uma variação tímida nesta quarta-feira entre ajuste dos ADRs e uma sessão de leves variações para os principais contratos futuros de petróleo. 

No radar da estatal, a companhia começou a fase vinculante do processo de venda da totalidade de suas participações em três campos terrestres em produção, chamados Lagoa Parda, Lagoa Parda Norte e Lagoa Piabanha (Polo Lagoa Parda), no Espírito Santo, disse nesta sexta-feira.

Nesta etapa do projeto, os interessados habilitados na fase anterior receberão cartas-convite com instruções detalhadas sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para a realização de "due diligence" e para o envio das propostas vinculantes.

O negócio está em linha com os planos da empresa de vender ativos que não são essenciais. A petroleira está focando na exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas.

PetroRio (PRIO3)

A PetroRio comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que foram aprovados em Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 1 de março de 2019, i) o desdobramento das ações de emissão da Companhia, à razão de 1 para 10, de forma que cada ação de emissão da Companhia passe a ser representada por 10 (dez) ações; e ii) a ratificação da eleição do Sr. Nelson de Queiroz Sequeiros Tanure ao Conselho de Administração.

Serão emitidas 122.018.211 novas ações, sendo que o capital social se mantém no valor de R$ 3.421.864.092,46, passando a ser composto por 135.575.790 ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal.

O desdobramento será efetuado sempre em números inteiros, diante disso não há que se falar em tratamento de frações. As novas ações emitidas terão os mesmos direitos e características das ações atualmente existentes, participando de forma integral a todos os benefícios, inclusive a dividendos e eventuais remunerações de capital que vierem a ser aprovados no exercício.

As ações passarão a ser negociadas desdobradas no dia 6 de março de 2019. O crédito das ações desdobradas será realizado no dia 11 de março de 2019 pelo Banco do Brasil, na função de escriturador.

 

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