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Ibovespa Futuro perto de zero de olho em tensão geopolítica e encontro entre Trump e Kim

O mercado ainda monitora a articulação política do governo Bolsonaro após reunião com líderes da Câmara e fala de Jerome Powell

Donald Trump Kim Jong-un
(Casa Branca)

SÃO PAULO - O mercado doméstico é influenciado pela tensão geopolítica que entrou no radar das bolsas internacionais após o Exército do Paquistão anunciar que derrubou dois caças indianos em seu espaço aéreo. Vale lembrar que os dois países já estiveram em guerra em 1971, o que eleva ainda mais os riscos. 

Ainda no exterior, os investidores acompanham com atenção o primeiro dia de reunião entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un no Vietnã. Os dois vão discutir as políticas de desnuclearização e a flexibilização das sanções contra a Coreia do Norte.

Neste contexto, às 9h47 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro tinha alta de 0,14%, a 98.340 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha queda de 0,19%, cotado a R$ 3,737, e o dólar comercial recuava 0,19%, para R$ 3,738. 

No mercado de juros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 permanece em 7,12%, e o DI para janeiro de 2023 caía de 8,24% para 8,22%.

No Brasil, o mercado monitora a articulação política do governo de Jair Bolsonaro após reunião com líderes da Câmara na véspera e as mudanças que poderão ser feitas na proposta de reforma da Previdência entregue ao Congresso na semana passada. 

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a reunião demonstra por parte do executivo um início de boa vontade que não havia sido visto até este momento com o Congresso. "Com tal abertura, ainda que sem resultados concretos, as pautas relevantes às reformas podem avançar após o carnaval, mas é nítido que o fisiologismo está muito incomodado com as escolhas técnicas atuais", acrescenta.

O noticiário corporativo também é quente, com a informação de que a Petrobras irá encerrar suas operações no prédio de São Paulo. O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, disse que a diretoria não planejou demissões, mas estuda o lançamento de um PDV (plano de demissão voluntária). A petroleira divulga balanço do quarto trimestre hoje, após o fechamento do mercado. 

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

O risco geopolítico entra no radar das bolsas internacionais após o Exército do Paquistão anunciar que derrubou dois caças indianos em seu espaço aéreo. Um dia antes, a Índia afirmou que bombardeou acampamentos insurgentes em território paquistanês. Vale lembrar que os dois países já estiveram em guerra em 1971. 

As bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda em meio a essas tensões e à espera da reunião entre o presidente Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un no Vietnã. O segundo encontro histórico de Trump e Jong-un, ocorrerá em duas etapas. A primeira será hoje (27) em um jantar e a segunda amanhã (28) com uma série de reuniões. Em discussão estão as políticas de desnuclearização e a flexibilização das sanções contra a Coreia do Norte.

O mercado ainda aguarda pela formalização do adiamento do prazo para a imposição de tarifas dos Estados Unidos aos produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões. 

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As bolsas europeias operam em queda, com destaque para os papéis da Air France-KLM que despencam até 10% após notícias de que o governo holandês busca por uma fatia maior no negócio.

As tensões geopolíticas com Paquistão e Índia e a expectativa com a reunião entre os líderes dos EUA e da China levaram ao encerramento sem direção definida das bolsas asiáticas.

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem à medida que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) se prepara para novos cortes na produção. O minério de ferro teme leve queda no mercado futuro de Dalian, na China, com os estoques elevados.

Reforma da Previdência 

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se na noite de ontem (26), durante quase três horas, com líderes de partidos na Câmara para discutir a reforma da Previdência. No encontro, eles trataram de eventuais mudanças na proposta enviada ao Congresso, sobretudo nas regras previstas para o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e a aposentadoria rural.

"A insatisfação em relação ao governo permanece, e somente se dissipará quando a interlocução com o mesmo melhorar, mas sinalizações nessa direção foram dadas ontem. Em linhas gerais, a percepção é que a proposta da Reforma da Previdência já veio com gordura para possibilitar negociações", avalia a equipe de análise da XP Research, em relatório enviado a clientes. 

Os principais pontos de embate parecem ser a aposentadoria rural e o benefício de prestação continuada para idosos de baixa renda, o que poderia diluir a proposta inicial de R$ 1,17 trilhão para algo próximo de R$ 900 bilhão, segundo a XP. enquanto alguma flexibilização na regra de transição também é provável. "Na nossa visão, o cenário base deve ser uma economia de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões, com o mercado esperando algo próximo à banda inferior", estimam. 

Segundo relatos dos deputados que estiveram no Palácio da Alvorada, o presidente está aberto a críticas e a mudanças na reforma. Participaram do encontro com o presidente 22 deputados federais, além do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Na contramão desses relatos, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, negou que tenha dado qualquer sinalização às bancadas partidárias na Câmara sobre quais pontos poderiam ser flexibilizados na proposta de reforma da Previdência. Ele enfrentou durante todo o dia de ontem uma maratona de reuniões com as bancadas para detalhar os pontos da reforma.

Segundo a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), na sexta-feira (1º), haverá uma reunião entre os líderes do governo e o núcleo político de Bolsonaro para afinar os detalhes da estratégia de articulação política sobre a reforma.

Na reunião com Bolsonaro, os líderes também cobraram a entrega da proposta de reforma para os militares. Eles querem que a proposta já enviada pelo governo espere o texto sobre os militares para começar a tramitar. O martelo não foi batido sobre o assunto, mas Hasselmann, a nova líder do governo no Congresso, acredita que é possível entregar em breve o texto referente aos militares.

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O vice-presidente Hamilton Mourão ressaltou ontem que as mudanças na Previdência dos militares serão de fato encaminhadas por meio de um projeto de lei. A afirmação vai na contramão do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), que disse, na segunda-feira (25), que está sendo estudada a possibilidade de uma medida provisória.

"Vi que o líder do governo andou falando isso. Ele pode mandar por MP, mas será encaminhada como projeto de lei", disse Mourão, depois de participar de evento no Círculo Militar, em São Paulo.

Agenda econômica 

No Brasil, às 9h serão divulgados dados do mercado de trabalho medidos pela PNAD Contínua no mês de janeiro. A expectativa mediana da Bloomberg aponta para taxa de desempenho em 11,9% ante 11,6% no mês anterior.

Às 10h30 serão divulgados os números de estoque de crédito e às 14h30 o resultado primário do governo central de janeiro, ambos pelo Banco Central. O resultado primário será o primeiro indicador econômico relativo ao governo Bolsonaro e a mediana da Bloomberg aponta superávit de R$ 28,6 bilhões na arrecadação ante queda de R$ 31,8 bilhões no mês anterior. 

Nos Estados Unidos, além da continuidade das conversas do governo com Kim Jong-Un, os investidores ficarão atentos principalmente às publicações dos números dos pedidos às fábricas e de bens duráveis, ambos relativos ao mês de dezembro e divulgados às 12h.

A busca por mais pistas sobre o rumo dos juros no país continua com a fala de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), às 12h (de Brasília), no segundo dia do painel sobre bancos no Senado dos EUA. 

Ontem ,Powell manteve o tom considerado de neutro a “dovish” do discurso, indicando principalmente a busca pela inflação como meta principal do Fed, em vista aos desafios da atividade econômica ainda aquecida, apesar dos sinais recentes de contração.

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Noticiário político

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que será a nova líder do governo no Congresso. Segundo a deputada, o anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, na abertura da reunião de Jair Bolsonaro com os líderes partidários, na noite de ontem (26), no Palácio da Alvorada.

A principal missão do líder do governo no Congresso é articular a aprovação do Orçamento Geral da União (OGU) e das demais leis orçamentárias, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), além de encaminhar a votação dos vetos presidenciais, em sessão de conjunta dos deputados e senadores.

Ainda sobre o Senado, o plenário aprovou na noite de ontem, por 55 a 6, o nome de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central. Mais cedo, ele já havia sido sabatinado na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Agora, a aprovação será comunicada à Presidência da República, para oficialização.

Os indicados para a diretoria do banco também foram aprovados após acenarem à continuidade da gestão de política monetária iniciada pelo time de Ilan Goldfajn. 

Azeitando a articulação política, Bolsonaro assinou na noite de ontem a revogação do decreto que ampliava o número de servidores autorizados a impor sigilo a documentos públicos. A decisão foi tomada para evitar uma nova derrota política no Senado, uma vez que o decreto foi suspenso pela Câmara na semana passada.

Na agenda política, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem almoço marcado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, e Davi Alcolumbre, às 13h. Na sequência, às 15h, Guedes participa de reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional) e às 17h de reunião do Conselho de Defesa Nacional

Noticiário corporativo

>> RD, ex-Raia Drogasil, anunciou na noite de ontem a aquisição da rede de farmácias Onofre. Com a confirmação do negócio, a americana CVS, que controlava a Onofre, deixa suas operações no Brasil. Por ter ficado abaixo dos parâmetros exigidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa não divulgou o valor da transação.

Segundo o jornal o Estado de S. Paulo, as conversas entre RD e a CVS começaram pouco antes do natal e a companhia americana chegou a oferecer a Onofre para outras empresas brasileiras e fundos. A publicação destaca ainda que a Onofre não era mais estratégica para a CVS por operar no vermelho.

>> A CCR afirma não saber onde foram parar R$ 4 milhões que a empresa relatou ter no caixa dois para distribuir para políticos. A lacuna - ou omissão - está em documentos sigilosos obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo do acordo que a empresa assinou em novembro de 2018 com o Ministério Público de São Paulo.

A reportagem informa que há outros buracos de informação no acordo. O ex-presidente da CCR, Renato Vale, diz não saber quem pediu e quem recebeu R$ 1,2 milhão para campanhas do MDB e R$ 520 mil para o PT em 2012.

A CCR, formada pelas empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Soares Penido, não poderia doar para políticos porque a legislação proíbe concessionárias de serviços públicos de dar recursos em eleições.

>> A unidade brasileira do Banco Santander contratou Camila Stolf, ex-Bank of America, para chefiar a área de vendas de ações à medida que o banco se prepara para um aumento esperado nos negócios.

>> O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, gravou um vídeo na noite de ontem para reduzir os efeitos negativos produzidos por uma fala do gerente de Recursos Humanos da empresa, Claudio Costa, em reunião na sede da companhia em São Paulo na véspera.

Ao contrário do que afirmou o gerente, Castello Branco disse que a diretoria não planejou demissões, mas estuda, sim, o lançamento de um PDV (plano de demissão voluntária). Castello Branco informou ainda que os empregados do prédio da empresa em São Paulo, o Edisp, que será fechado, vão ser redirecionados para outras unidades da estatal e que algumas pessoas vão trabalhar de casa.

Ainda nos destaques, a Petrobras divulga nesta quarta-feira o balanço do 4º trimestre após o fechamento do mercado.

>>  A AES Tietê Energia, do grupo AES, teve lucro líquido consolidado de R$ 104,9 milhões no quarto trimestre, salto de 141,9% ante o mesmo período de 2017.

>> A Enel (antiga Eletropaulo) reportou prejuízo líquido de R$ 157 milhões, ante perdas líquidas de R$ 975,5 milhões no quarto trimestre de 2017. O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 218,4 milhões, valor 38,7% inferior na comparação anual. 

>> A Iguatemi teve lucro líquido de R$ 76 milhões no quarto trimestre, superando em 14,1% o resultado de um ano antes. O ebitda somou R$ 159 milhões, com margem de 79,3%.

>> A Totvs, anteriormente classificada como ‘neutra’ pelo JPMorgan, teve a sua recomendação elevada a ‘overweight’ pelo analista Andre Baggio. O preço-alvo, por sua vez, foi elevado de R$ 33 para R$ 42, o que implica em um potencial de alta de 20% em relação ao último fechamento.

>> Antes com classificação de ‘outperform’ pelo Safra, o ADR da Braskem teve a recomendação rebaixada a ‘neutra’ pelo analista Kaique Vasconcellos. Já o preço-alvo foi elevado de US$ 29,80 para R$ 30 - potencial de upside de 0,2%.

>> O Secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, afirmou ontem que a privatização eventual da Sabesp deverá encontrar muita resistência interna, e que a operação continua a depender da aprovação da MP do Saneamento.

Segundo a coluna do Broadcast, a família Klein pode estar perto de retomar o comando das Casas Bahia sem desembolsar nenhum centavo. Isso porque o GPA está reduzindo diretamente no pregão a sua participação na Via Varejo, controladora da rede de eletrodomésticos e móveis.

Com as vendas, sua fatia na Via Varejo já foi reduzida a 36,27% (há dois meses eram 42,23%). Dessa forma, se o varejista continuar e vender mais de 10% do capital, a família Klein voltará a se o maior acionista, uma vez que possui 25,53% das ações.

>> O Carrefour Brasil teve um lucro líquido atribuído aos acionistas e controladores de R$ 636 milhões no 4º trimestre de 2018, uma valorização de 6,7% na comparação com o mesmo período de 2017.

Com relação ao Ebitda, este somou R$ 1,3 bilhão, aumento de 18,8% na comparação anual. A receita subiu para R$ 15,2 bilhões e as vendas líquidas subiram 10,1%, para R$ 14,4 bilhões.

>> A Odontoprev registrou um lucro líquido de R$ 77,4 milhões no 4º trimestre de 2018, 21% acima do apresentado no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado subiu 20,4%, para R$ 112,99 milhões, com expansão de margem de 25,3% para 26,1%.

>> A SulAmérica registrou um lucro líquido de R$ 393,6 milhões no 4º trimestre de 2018, recuo de 4,6% frente ao apurado no mesmo período de 2017. Segundo a companhia, o motivo é o aumento pontual nos sinistros retidos entre outubro e dezembro.

>> O Paraná Banco registrou em 2018 o maior lucro líquido recorrente acumulado da história, com R$ 215,6 milhões, 7,8% superior a 2017.

>> A Aliasnce registrou um lucro líquido de R$ 61,3 milhões no 4º trimestre de 2018, recuo de 19,7% em relação ao mesmo período de 2017 e margem de 38,1%.O Ebitda ajustado ficou em R$ 13,4 milhões, com margem de 77,2%.

>> A Wiz reportou um lucro líquido de R$ 49,6 milhões entre outubro e novembro de 2018 - um aumento de 24,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita líquida foi de R$ 154,2 milhões (+14,8%) e o Ebitda ficou em R$ 84,6 milhões (+37,3%), com margem de 54,9%.

>> No 4º trimestre de 2018, a Ourofino registrou um lucro ajustado de R$ 21,5 milhões, recuo de 6,1% em relação ao mesmo período de 2017. A receita líquida foi de R$ 175,3 milhões (+8,2), com Ebitda ajustado de R$ 36,5 milhões e margem de 20,8%.

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

 

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