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Ibovespa sobe com as atenções voltadas para China e EUA e temporada de balanços

Donald Trump e o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, se reunirão nesta tarde

Trump EUA China
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O bom humor das bolsas mundiais influenciar o mercado doméstico. Os investidores acompanham de perto a reunião na tarde desta sexta-feira entre o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, e o vice-primeiro-ministro da China, Liu He.

Neste contexto, às 14h44 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,69%, a 97.602 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha queda de 0,92%, cotado a R$ 3,735, e o dólar comercial recuava 0,74%, para R$ 3,735. 

No mercado de juros, os contratos futuros com vencimento em janeiro de 2021 caíam de 7,10% para 7,05%, e os contratos para janeiro de 2023 recuavam de 8,22% para 8,14%.

As duas grandes potências econômicas tentam entrar em um acordo para colocar fim à guerra comercial que pode elevar as tarifas sobre os produtos chineses importados pelos norte-americanos de 10% para 25% a partir de 1º de maio - se nada for feito até lá. A expectativa é de que seja anunciada a prorrogação deste prazo.

"A China propôs elevar as compras de commodities agrícolas em US$ 30 bilhões. Além disso, a queda global dos indicadores PMI colocam pressão para que os dois países entrem em acordo", destaca Faria Júnior, diretor técnico da Wagner Investimentos.

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No cenário doméstico, destaque para a disputa por cargos em Brasília que alimenta a tensão de parlamentares com o governo Bolsonaro em meio a queixas sobre a comunicação do Palácio do Planalto com o Congresso. 

A reforma da Previdência segue no radar com líderes do governo na Câmara e no Senado reconhecendo a possibilidade de desidratação do texto enviado. Especialistas ouvidos pelo Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney,  consideram que cerca de 30% de seu impacto fiscal, hoje estimado em R$ 1,16 trilhão, podem se perder no processo.

Ainda sobre a proposta, crescem as pressões no Congresso, especialmente de servidores públicos, que podem acabar levando à judicialização da reforma. Parlamentes do Centrão também pressionam e brigam por cargos.

"Como quer se distanciar do presidencialismo de cooptação que imperou no Brasil desde a redemocratização, a dificuldade é de entender, em vista a um tema tão sensível como a reforma da previdência, como o executivo vai se comportar em vista às infelizes tradições legislativas brasileiras", afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

No noticiário corporativo, destaque para os balanços de Magazine Luiza e B3, que foram positivos, e Suzano, que frustrou analistas. 

Destaques da bolsa

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 175,50 +8,94 -2,76 360,34M
 CSNA3 SID NACIONALON 12,48 +8,24 +41,18 275,65M
 NATU3 NATURA ON 49,42 +5,49 +10,43 146,55M
 USIM5 USIMINAS PNA 9,90 +4,21 +8,22 152,39M
 ELET3 ELETROBRAS ON 38,04 +3,93 +57,00 129,56M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 HYPE3 HYPERA ON 27,73 -4,05 -8,18 107,41M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 60,76 -1,83 -0,69 61,45M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT ED N2 18,06 -1,31 +13,85 18,31M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,51 -1,25 +0,92 14,20M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 18,40 -1,08 +31,19 18,75M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos operam em alta à espera de novidades sobre a nova rodada de negociações entre China e Estados Unidos. Começou ontem a segunda parte das negociações entre os países, envolvendo funcionários de alto escalão.

A equipe americana é liderada pelo Representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e inclui o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o Secretário do Comércio, Wilbur Ross. O Ministério do Comércio chinês informou que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, participará das conversas de hoje.

As bolsas europeias operam em leve alta também à espera de novidades sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Vale lembrar que falta menos de uma semana para que o prazo para o aumento das tarifas sobre os produtos chineses importados pelos EUA, marcado para 1º de março. O presidente Donald Trump já acenou para um possível adiamento desse prazo, mas ainda não há nada oficializado sobre o imbróglio.

No noticiário local, o índice de sentimento das empresas da Alemanha caiu de 99,3 pontos em janeiro a 98,5 pontos em fevereiro, atingindo o menor nível desde dezembro de 2014, segundo pesquisa do instituto alemão Ifo. O resultado, que marcou a sexta queda consecutiva do indicador, ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam redução para 99 pontos.

A bolsa de Xangai saltou quase 2%, enquanto os demais índices tiveram alta mais discreta.

No mercado de commodities, os preços do petróleo operam em alta divididos entre os cortes de produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e o crescimento global mais modesto, enquanto o minério de ferro fica perto da estabilidade no mercado futuro de Dalian, na China.

Reforma da Previdência 

O líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), disse em entrevista ao jornal Valor Econômico que a proposta de reforma da Previdência poder estar "votada em definitivo pelas duas Casas em meados de setembro".

Sobre a possibilidade de desidratação do projeto enviado ao Congresso, Coelho disse que "o governo vai defender seu texto. Mas ele [Bolsonaro] tem a compreensão, por ter sido parlamentar por 27 anos, de que nada chega ao Congresso Nacional e sai da forma que entrou.

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O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL), foi no mesmo sentido e disse que a proposta pode ser alterada em qualquer aspecto pelos parlamentares. 

Enquanto isso, associações de servidores públicos que ganham altos salários ameaçam ir à Justiça contra o aumento para até 22% da contribuição previdenciária, previsto na reforma, informa o jornal Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, as entidades alegam que a alíquota é ilegal e que a carga tributária imposta para quem ganha acima de R$ 39 mil é equivalente a um confisco.

Noticiário político

Insatisfeitos com a falta de interlocução no Planalto, líderes de partidos que reelegeram Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara já começam a cobrar a fatura política, informa o jornal Folha de S. Paulo. Sob o argumento de que a demora do governo para liberar cargos e emendas pode se refletir no placar de votação, deputados pressionam Maia para que ele consiga convencer Bolsonaro a “destravar” pelo menos as nomeações.

Segue no radar a tensão com a Venezuela. O líder venezuelano Nicolás Maduro fechou a fronteira do país com o Brasil na noite de ontem em meio à pressão para que ele permita a entrada de ajuda humanitária oferecida pelos Estados Unidos e por países vizinhos.

O pedido de ajuda foi feito pelo auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro, porém, refuta a ajuda e condena o que ele chama de intervenção externa no país. O governo de Bolsonaro decidiu manter o envio de ajuda humanitária, mas descarta intervenção no vizinho. 

 

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