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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Reforma da Previdência, crise no governo Bolsonaro e declaração de Trump estão no radar dos investidores

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Alguns pontos da proposta de reforma da Previdência escolhidos por Jair Bolsonaro agradaram o mercado financeiro e é vista como robusta. O item de maior dúvida era a idade mínima e ficou definida 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres, com um período de transição de 12 anos.

A divulgação dessas informações fez o Ibovespa saltar 2,27% na véspera, para 98.015 pontos, nas máximas do dia. O tom otimista com a reforma, que deve ser encaminhada ao Congresso dentro de uma semana, deve continuar permeando os negócios na bolsa brasileira, mas o clima de tensão crescente no governo traz cautela.

As denúncias envolvendo Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência continuam a gerar atrito na cúpula do governo e a oposição já prepara um enfrentamento para não deixar a temperatura esfriar. 

Veja no que ficar de olho nesta sexta-feira (15):

1. Bolsas mundiais

Enquanto o dia aponta para continuidade do ânimo no Brasil, os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda com os investidores ainda repercutindo os dados negativos do varejo no país. No foco de Wall Street está a fala de Donald Trump, às 13h (de Brasília), para falar sobre o que a Casa Branca chamou de "crise de segurança nacional e humanitária".  Trump deve declarar emergência nacional para financiar o muro na fronteira com o México.

Os investidores ainda aguardam o aval do presidente dos Estados Unidos para o acordo fechado entre parlamentares democratas e republicanos sobre o orçamento. A medida evitaria, por enquanto, uma nova paralisação do governo que pode acontecer no fim desta semana. O acordo provisório inclui R$ 1,375 bilhão para a construção de barreiras verticais de aço e não um muro sólido - defendido por Trump.

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As bolsas europeias operam majoritariamente em alta de olho nas reuniões entre representantes do governo norte-americano e chinês para tentar colocar fim à guerra comercial entre os países. 

As bolsas asiáticas recuaram após indicadores levantarem receio sobre uma possível deflação, enquanto investidores seguem à espera de resolução para a guerra comercial entre China e Estados Unidos. 

O acordo já está sendo finalizado, segundo a Agência Estado, e pode servir de base para um pacto que os presidentes Trump e Xi Jinping finalizariam em um encontro de cúpula que seria organizado para discutir a disputa comercial entre os países. 

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem pelo quarto dia seguido com a queda nos embarques da Arábia Saudita, que prometeu cortar sua produção, e da Venezuela, que sofre com sanções dos Estados Unidos. 

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h17 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,10%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,11%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,08%

*DAX (Alemanha) +0,02%

*FTSE (Reino Unido) +0,25%

*CAC-40 (França) +0,75%

*FTSE MIB (Itália) +0,44%

*Hang Seng (Hong Kong) -1,87% (fechado)

*Xangai (China) -1,37% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,13% (fechado)

*Petróleo WTI +0,20%, a US$ 54,52 o barril

*Petróleo brent +0,31%, a US$ 64,77 o barril

*Bitcoin US$ 3.576 +0,55%
R$ 13.351-1,98% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,32%, a 624,00 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Conexão Brasília

O Conexão Brasília desta semana recebe Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na pauta, a recente crise envolvendo suspeitas de candidaturas laranjas no partido do presidente Jair Bolsonaro e o atrito com ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral).

Também deverá ser analisada a nova escalada de tensão entre Legislativo e Judiciário, com a apelidada CPI Lava Toga e a proposta de revogação da PEC da Bengala. O programa é transmitido ao vivo, a partir das 14h45 (de Brasília), pela IMTV e pela página do InfoMoney no Facebook.

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3. Agenda econômica 

No mercado doméstico, às 8h30 (de Brasília), o Banco Central publica o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto). A estimativa mediana do mercado é de estabilidade em dezembro nas comparações mensal e anual, segundo a Bloomberg.

Nos Estados Unidos, serão conhecidos os dados de vendas do comércio e da produção industrial de janeiro.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Reforma da Previdência e crise no governo

Bolsonaro e a equipe econômica do governo decidiram na tarde de ontem que a proposta de reforma da Previdência fixará uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e 62 anos para mulheres, com um período de transição de 12 anos. 

"A proposta acabou sendo um equilíbrio do que defendia o presidente e as ambições da equipe econômica chefiada por Paulo Guedes", dizem os analistas da Rico, Matheus Soares e Thiago Salomão, em relatório enviado a clientes. 

Depois de assinar o texto da reforma e encaminhar ao Congresso, na próxima quarta-feira (20), Bolsonaro vai fazer um pronunciamento à nação para explicar a necessidade de mudar as regras para aposentadoria no país. 

A proposta ainda deve demorar uma semana para ir ao Congresso porque precisa ser avaliada por outras instâncias dentro do governo para verificar, por exemplo, se existe alguma inconstitucionalidade no texto. É possível que até sua assinatura a reforma ainda passe por alguma pequena mudança.

O governo calcula que a reforma vai permitir uma economia de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos. Por se tratar de uma PEC (proposta de emenda constitucional), a reforma da Previdência precisa ser votada em dois turnos na Câmara e depois no Senado, com apoio de no mínimo dois terços dos deputados e dos senadores em cada votação.

Enquanto isso, a maior crise do governo Bolsonaro segue em escalada por atritos com Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Ele era presidente do PSL durante a campanha de 2018 e o partido está sendo questionado pelo uso de R$ 400 mil do fundo partidário em benefício de uma candidata pouco expressiva em Pernambuco.

"Esta crise está ligada às denúncias em relação aos gastos de campanha do PSL e a um certo protagonismo do filho do presidente que, no afã de defender o pai, interferiu levando as discussões e debates em rede social que acabam sendo de domínio público, o que não é bom", disse o vice-presidente Hamilton Mourão.

Um dos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos, agravou a crise ao acusar Bebianno de mentir a respeito conversas que teria tido com o presidente sobre a denúncia. Bolsonaro colocou mais lenha na fogueira ao endossar a declaração de seu filho e a pressão para a demissão de Bebianno é crescente.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os partidos de oposição na Câmara pressionam o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), para colocar em pauta no plenário um pedido de convocação de Bebianno. Dois pedidos já foram protocolados: um pelo líder da bancada do PSOL, Ivan Valente, e outro pelo deputado Henrique Fontana (PT). O objetivo dos deputados é se reunir na próxima terça-feira (19) com Maia para tratar do assunto. 

Na semana que vem, a oposição vai definir outras linhas de atuação para manter acesa a crise no governo. No Senado, o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede), disse que os partidos também vão tentar convocar Bebianno para dar explicações, informa o Estadão. 

Do outro lado, líderes no Congresso saíram em defesa de Bebianno. O apoio veio também do Palácio do Planalto. “O ministro Gustavo Bebianno é uma pessoa super dedicada ao projeto, é um homem sério, responsável, correto. Acho que essas coisas são naturais em um processo que está iniciando", disse o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM).

A maior crise enfrentada pelo governo Bolsonaro em menos de dois meses de mandato pode trazer consequências à principal pauta de interesse dos agentes econômico, a reforma da Previdência. "[O caso] Pode ter custo reputacional elevado, de tal modo que podemos ter efeito que parece ser quase automático de diminuir o poder de arbitragem na Previdência", afirmou Rafael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada em entrevista ao InfoMoney.

Além disso, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, disse ao Estadão que Bolsonaro não tem hoje uma base no Congresso para aprovar a reforma. Waldir declarou que, para garantir governabilidade a Bolsonaro, os parlamentares querem participação no governo com cargos e emendas.

"Hoje o que tem é o apoio de alguns grupos temáticos em relação a alguns assuntos", disse o deputado, fazendo referência às bancadas ruralista, evangélica e da segurança pública. O líder do PSL negou, no entanto, que os aliados de Bolsonaro queiram fazer uma "troca" para votar a reforma da Previdência.

5. Noticiário corporativo

>> A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) já instaurou quatro processos administrativos relacionados à tragédia causada pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG). Dois deles são decorrentes de reclamações e investidores. Outros dois foram instaurados pela área técnica da autarquia para acompanhar os procedimentos de divulgação da empresa acerca do caso e a eventual responsabilidade dos administradores da companhia, diretores executivos e conselheiros.

A CVM explica que o foco da análise sobre os administradores visa apurar se atuaram no interesse da mineradora e do conjunto de seus acionistas.

De acordo com informações do G1, sete funcionários da Vale foram presos na manhã desta sexta em uma investigação sobre o rompimento da barragem de Brumadinho, enquanto uma oitava pessoa é procurada. A tragédia deixou mais de 160 mortos. A operação é feita em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Os mandados seriam para oito funcionários da Vale. Um deles, Alexandre de Paula Campanha, foi preso em casa na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele foi citado em um dos depoimentos dos engenheiros da empresa alemã TÜV SÜD contratados pela Vale e teria pressionado os engenheiros para assinar o laudo que atestava estabilidade da barragem, que se rompeu em Brumadinho, sob o risco de perder o contrato.

>> A área técnica da equipe econômica considera que há grande dificuldade de o governo fechar até o fim do mês um acordo em torno da revisão do contrato da cessão onerosa entre Petrobras e Tesouro Nacional, informa o jornal Valor Econômico. O valor pedido pela Petrobras continua muito acima do limite estipulado internamente pela Fazenda, até porque o pagamento afetará o teto de gastos.

Apesar das dificuldades, ainda há fontes dentro do ministério da Economia que apostam em um entendimento entre o fim de fevereiro e o início de março, limite para que todo o processo envolvendo os leilões de excedentes possam ser concluídos ainda neste ano, com a receita das concessões sendo pagas até dezembro. 

Atenção ainda para as falas do CEO da estatal, Roberto Castello Branco, que afirmou em entrevista à jornalista Miriam Leitão para a GloboNews que a Petrobras pretende reduzir para 50% a participação da estatal no mercado de refino brasileiro. Atualmente, a companhia possui quase a totalidade do mercado. Ele acrescentou ainda que a empresa poderá vender 100% de sua participação em algumas refinarias.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) prevê para o final de março a assinatura do acordo com a estatal para o encerramento da controvérsia envolvendo a unificação das áreas do Parque das Baleias, na Bacia de Campos. A informação foi divulgada pela própria ANP, que fez  uma audiência pública para debater a minuta de acordo para possibilitar a agentes econômicos, entes federados e interessados que encaminharam sugestões sobre o tema, que passou por consulta pública por 45 dias.

A controvérsia surgiu a partir do momento em que a ANP determinou a unificação das áreas do Parque das Baleia, que abrange as áreas em desenvolvimento de Baleia Anã, Baleia Azul, Baleia Franca, Cachalote, Caxaréu, Mangangá, Pirambu e o campo de Jubarte, originadas do bloco BC-60, na Bacia de Campos, mas a Petrobras instaurou um processo arbitral perante a Câmara de Comércio Internacional contestando a decisão.

Segundo a ANP, a minuta do acordo prevê que a Petrobras pagará, em valores atuais, cerca de R$ 3,1 bilhões retroativos decorrentes de participações especiais no supercampo. Deste total, R$ 1,1 bilhão será a vista logo após a conclusão do acordo e o restante divididos em 60 parcelas mensais.

Em decorrência da necessidade de novos investimentos a serem realizados a partir do acordo, A ANP se compromete na minuta do contrato a prorrogar a fase de produção do Novo Campo de Jubarte por 27 anos, para 2056 (inicialmente, se encerraria em 2029).

A ANP ainda autorizou o pagamento de mais R$ 246,2 milhões à estatal referentes a subvenções do programa de subsídio ao diesel, encerrado no final do ano passado, segundo comunicado da agência reguladora do setor nesta quinta-feira.

>> A Marfrig Global Foods fez o primeiro embarque de carne bovina para o Japão por meio de unidades industriais no Uruguai. Com destino a Tóquio, a carga inclui uma variedade de hambúrgueres e cortes refrigerados. O produto será comercializado no mercado local pela National Beef, informou a Marfrig em nota.

Segundo o comunicado, a Marfrig lidera o setor de carne bovina no Uruguai, com duas fábricas de hambúrgueres localizadas nas cidades de Colonia e Tacuarembó. "A companhia tem capacidade de produção de 500 toneladas por mês desse produto e é fornecedora certificada global das principais redes de fast food internacionais", destacou a nota.

A empresa também já exporta outros produtos industrializados para o mercado japonês, como extrato de carne e jerky beef, snack de carne bovina muito popular nos Estados Unidos e no Japão.

>> A GWI saiu do bloco de controle da Gafisa após leilão, segundo fonte ouvida pela Bloomberg. A Planner intermediou venda de 14,6 milhões de ações ordinárias da companhia nesta quinta-feira e a própria corretora adquiriu os papéis em nome de um grupo de investidores que se mostrou interessado, disse uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu anonimato porque não pode falar publicamente.

As ações foram vendidas a R$ 9 por ação, enquanto os papéis eram negociados a R$ 16 há um mês. O GWI achou o leilão em bolsa a forma mais transparente de sair do bloco de controle da companhia, segundo a fonte. Os nomes dos investidores não foram divulgados. Procurada pela Bloomberg, a Planner não quis fazer comentários.

As ações representam 33,67% dos papéis com direito a voto da Gafisa e, segundo a agência, pelo volume envolvido, a própria Gafisa deve divulgar um comunicado nos próximos dias sobre a venda.

>> A Usiminas reportou no quarto trimestre de 2018 lucro líquido de R$ 401 milhões, revertendo o prejuízo líquido de R$ 45 milhões em igual período de 2017. No ano, a siderúrgica mineira teve lucro líquido de R$ 829 milhões, crescimento de 163% ante os R$ 315 milhões em 2017.

O lucro atribuído aos acionistas da companhia, que é aquele que é utilizado no cálculo para a distribuição de dividendos, ficou em R$ 354,8 milhões, ante prejuízo de R$ 49,9 milhões em igual trimestre do ano anterior.

O Ebitda ajustado chegou a R$ 830 milhões entre os meses de outubro a dezembro do ano passado, alta de 84% em relação ao observado em igual período do ano anterior, R$ 450 milhões. Na comparação com o terceiro trimestre, a alta foi de 18%. No ano, a geração de caixa pelo mesmo critério somou R$ 2,69 bilhões, alta de 23%.

A margem Ebitda ajustada foi de 24% no quatro trimestre de 2018, ante 15% em igual período de 2017 e de 18% no terceiro trimestre. No ano, a margem ficou estável, em 20%.

A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 3,43 bilhões no trimestre, queda de 11% na comparação com o terceiro trimestre de 2018, mas alta de 12,5% na comparação anual. No acumulado do ano, as receitas subiram 28% para R$ 13,7 bilhões.

>> A Smiles teve lucro líquido de R$ 164,6 milhões no quarto trimestre de 2018, alta de 33,8% em relação a igual período de 2017. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 205 milhões, alta 37,4%, enquanto a margem foi de 63,6% para 73,5%.

De acordo com o Itaú BBA, a companhia reportou números fortes e melhores do que o esperado. "A empresa entregou crescimento de faturamento e margens saudáveis, o que gerou um lucro líquido de R$ 165 milhões, 9% acima da nossa projeção. A empresa também anunciou dividendos que levam a um payout de 70% em 2018, incluindo o JCP pago em trimestres anteriores. O bom desempenho pode gerar um price action positivo no papel, embora os investidores estejam focados no possível fechamento de capital pela Gol nos próximos meses", avaliam os analistas. O Itaú BBA mantém recomendação de compra em Smiles, com preço-alvo para 2019 de R$ 60 .

>> A Cosan teve lucro líquido de R$ 1,33 bilhão no quarto trimestre de 2018, alta de 93,3% na comparação com o mesmo período de 2017, enquanto a receita operacional líquida do quatro trimestre subiu 31,7%, para R$ 2,8 bilhões. O Ebitda totalizou R$ 1,76 bilhão, 7,5% maior do que no quarto trimestre de 2017.

A XP Research ressalta que um dos principais destaques foi a melhora expressiva de margens no negócio de distribuição de combustíveis, implicando uma leitura positiva não só para a empresa, mas para outras distribuidoras listadas como Ultrapar e BR Distribuidora. 

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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