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Estas são as 5 únicas ações do Ibovespa em queda no ano; veja por que elas estão em baixa

Além das já esperadas Vale e Bradespar, ano não começou bem para Embraer, Magazine Luiza e Cemig

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O ano começou em ritmo de euforia no mercado financeiro, com o Ibovespa renovando diversas vezes sua máxima histórica e se aproximando da marca dos 100 mil pontos. E mesmo que desde o fim de janeiro o índice esteja se distanciando desta marca, apenas 5 das 65 ações que fazem parte do Ibovespa estão em queda no acumulado de 2019.

Destas, três chamam mais atenção por estarem mais nos noticiários recentes, caso da Vale e Bradespar, por conta da tragédia de Brumadinho, e a Embraer, pelo seu acordo com a americana Boeing. Estas companhias são as únicas com perdas de mais de 10% no ano até o momento.

Além delas, começaram 2019 no negativo o Magazine Luiza e a Cemig. Ainda existem outas quatro ações que estão oscilando entre leves perdas e ganhos a cada pregão, sem passar nem 1% de alta e nem 1% de baixa nos últimos dias.

Confira abaixo o desempenho e os motivos para estas empresas não acompanharem o bom humor da bolsa até agora:

Vale (VALE3, R$ 42,25, -17,16%) e Bradespar (BRAP4, R$ 26,43, -14,87%)
A grande (má) notícia deste início de ano foi a tragédia que se abateu sobre Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro. Como dona da barragem que se rompeu, a Vale passou então a ser penalizada na bolsa, caindo 24,52% apenas no primeiro pregão após o ocorrido, perdendo R$ 72 bilhões de valor de mercado e marcando sua pior sessão na história.

Nos dias que se seguiram, a mineradora passou a oscilar bastante conforme cada notícia nova ia saindo, como suspensão de diversas minas, em especial a de Brucutu, que tem produção anual de aproximadamente 30 milhões de toneladas, ou 7,5% da produção anual da Vale.

A companhia também teve R$ 10 milhões bloqueados pela Justiça e foi intimada no fim da semana passada a realizar um depósito judicial de R$ 7,431 bilhões. A Vale tem sofrido pelas incertezas, já que ainda não é possível calcular ao certo todo o desastre e como isso irá impactar os negócios da mineradora.

A Bradespar, por sua vez, tem caído na esteira do movimento da Vale por ser uma holding com 6,3% de participação na mineradora. Uma holding não possui resultados operacionais, tendo assim os dividendos como basicamente o rendimento que ela possui. Por isso, os dividendos a serem pagos por suas controladas são tão importantes para a definição da tese de investimento da companhia. Como a Vale suspendeu o pagamento de proventos, a holding deve ser fortemente impactada.

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Embraer (EMBR3, R$ 18,49, -14,71%)
No caso da Embraer, apesar de ter ocorrido em janeiro o aval do governo para a joint venture entre a companhia e a Boeing, o que chegou a dar um ânimo temporário para as ações, analistas passaram a revisar suas estimativas para as receitas da companhia, que aliado com a queda de 5,6% do dólar no mês passado afetaram fortemente os papéis.

Uma das revisões que mais chamou atenção foi a do Morgan Stanley, que em relatório intitulado "Agora vai ter que provar", reduziu sua recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts) da fabricante de aeronaves de 'overweight' (exposição acima da média do mercado) para 'equal-weight' (exposição em linha com a média do mercado).

O relatório destaca que a ação possui um risco-retorno equilibrado, com um valuation já não mais atrativo, que a joint venture com a Boeing já está precificada e que a projeção da companhia para os resultados entre 2018 e 2020 desapontou, tanto na divisão executiva quanto na de defesa.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 163,85, -9,21%)
Para o investidor, pode até parecer estranho o Magazine Luiza estar nesta lista em um ano que começou com tanta euforia no mercado. Mas uma primeira explicação para esta queda recente é exatamente o tanto que a companhia já subiu na bolsa. Desde 2015 até o fim do ano passado, os papéis MGLU3 tiveram valorização de 17.733%.

Analistas apontam que diversos números que estarão no resultado da companhia a ser divulgado no dia 21 de fevereiro já foram adiantados, como as vendas de Black Friday e Natal, o que já levou os papéis a precificarem este cenário de fim de ano. Além disso, os recentes investimentos feitos em tecnologia e inovações também já estariam no preço.

Vale lembrar ainda, que a concorrência também está pesando. Recentemente, a Amazon anunciou que trouxe para o Brasil sua categoria 1P (vendido e entregue pela Amazon) e inaugurou centro de distribuição próprio na grande São Paulo. Esta novidade pesou para praticamente todas as varejistas brasileiras e mostra que o cenário daqui para a frente será mais complicado.

Cemig (CMIG4, R$ 13,11, -5,41%)
Completando a lista, a Cemig chamou atenção no fim do ano passado com uma forte disparada principalmente quando o mercado se deu conta que Romeu Zema, do Novo, era o favorito para ocupar o cargo de governador de Minas Gerais, o que se concretizou.

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Com viés fortemente liberal, Zema sinalizou num primeiro momento a privatização de estatais, o que fez a Cemig praticamente dobrar de valor apenas no último trimestre de 2018. 

Contudo, a ideia de privatização enfrenta alguns obstáculos, principalmente na Assembleia Legislativa mineira, ao mesmo tempo em que o próprio governador deu sinais de que pretende melhorar as operações das estatais, sem que a venda do controle seja algo a ser feito imediatamente, o que tem pesado no mercado.

 

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