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Ibovespa Futuro tenta recuperação após baque com desastre em Brumadinho

Cinco pessoas foram presas sob a suspeita de atestar a segurança da barragem que se rompeu 

Ações bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O mercado financeiro tenta ganhar fôlego em meio aos desdobramentos do desastre em Brumadinho e após a Vale registrar seu pior pregão da história na véspera, com queda de 24,52% e perda de R$ 72 bilhões em valor de mercado.

Às 9h08 (horário de Brasília), o Ibovespa futuro subia 0,41%, a 96.000 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha queda de 0,04%, cotado a R$ 3,760, e o dólar comercial recuava 0,16%, para R$ 3,759. 

A sombra da desconfiança dos investidores em relação à Vale, e empresas que podem ser afetadas indiretamente pela tragédia, deve continuar pesando nos negócios. Nesta manhã, cinco pessoas foram presas sob a suspeita de atestar a segurança da barragem que se rompeu na sexta-feira (25).

A influência das bolsas estrangeiras é neutra em meio ao aumento da dose de tensão entre China e Estados Unidos com novo episódio envolvendo a Huawei.

O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

Bolsas mundiais

Os índices futuros das bolsas dos Estados Unidos apontam para uma abertura em queda em meio a novas tensões entre o país e a China. O governo de Donald Trump apresentou uma série de ações - inclusive acusações criminais - contra a chinesa Huawei Technologies, dias antes da retomada do diálogo sobre comércio com a China.

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Nos casos revelados hoje, promotores federais acusaram a Huawei de violar sanções dos EUA contra o Irã e de roubar segredos comerciais de um parceiro de negócios norte-americano, apresentando a empresa como uma violadora em série de leis americanas e das práticas de negócios globais.

A ação contra a Huawei desagrada o governo chinês e a empresa nega ter cometido quaisquer das violações citadas. 

As bolsas europeias operam em alta em meios às expectativas de nova votação sobre o Brexit, após a apresentação de planos alternativos pela primeira-ministra Theresa May. Antes, o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia sofreu derrota no parlamento em 15 de janeiro. A data para o Brexit é 29 de março. 

As bolsas asiáticas também encerraram em queda, em sua maioria, pressionadas pelo novo imbróglio entre China e Estados Unidos. 

Os preços do petróleo têm ganhos após o governo de Donald Trump aplicar sanções à petrolífera estatal da Venezuela, a PDVSA, como forma de pressionar a companhia a reconhecer Juan Guaidó como presidente do país.

Tragédia em Brumadinho

A tragédia de Brumadinho (MG) começa a ter consequências penais. Cinco pessoas, incluindo dois engenheiros, foram presos temporariamente por suspeitas de atestarem a segurança da barragem da Mina Córrego do Feijão, que se rompeu. Em nota, a Vale que está colaborando plenamente com as autoridades.

Na tentativa de evitar novos desastres e garantir punição efetiva no caso de Brumadinho, o presidente interino general Hamilton Mourão tem importante missão nesta manhã em reunião ministerial dedicada à tragédia a partir de 9h (de Brasília). A reunião ocorre no quarto dia de buscas por vítimas. Pelo último balanço, foram confirmadas 65 mortos, 279 pessoas desaparecidas e 135 desabrigados.

Ontem (28), o Gabinete de Crise da Presidência se reuniu em duas etapas – pela manhã e à tarde. Ao final, o governo anunciou que será publicada hoje (29) recomendação aos órgãos reguladores para promover fiscalizações, nos estados, observando todas as barragens, que têm ameaças à vida humana.

A medida inclui também a exigência das empresas para imediata atualização dos seus planos de segurança de barragens. Deverá ser criado um grupo de trabalho para atualizar a lei que estabeleceu a política nacional de segurança de barragens.

A orientação é para que os órgãos fiscalizadores avaliem a necessidade de remoção de estruturas próximas às barragens, como forma de resguardar a integridade dos trabalhadores.

Sobre as medidas a serem tomadas em relação à diretoria da Vale, o porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, disse ontem que o governo estuda mudanças na diretoria da mineradora. O governo federal tem participação na empresa e acredita que conseguirá convencer o restante dos representantes de acionistas a aprovarem a destituição dos diretores. Banco do Brasil e funcionários da empresa liderariam esse movimento, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Agenda econômica

No mercado doméstico, o Banco Central divulga os dados do crédito de dezembro e o Tesouro Nacional informar os dados fiscais.

Na Europa, atenção especial para a votação do plano B sobre o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) no Parlamento britânico. O governo está correndo contra o tempo para tentar chegar a um acordo e evitar que no dia 29 de março ocorra um "Brexit sem acordo", que poderia gerar um caos nos serviços de fronteira e nas relações com os países do bloco europeu.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

A cirurgia que Jair Bolsonaro fez ontem para a retirada da bolsa de colostomia, no hospital Albert Einstein, foi bem sucedida e o presidente deve retomar o trabalho após as primeiras 48 horas da cirurgia, ainda no hospital. Um gabinete especial será montado no hospital para que o presidente possa realizar seus trabalhos durante o período de internação, estimado em 10 dias.

Enquanto isso, em Brasília, deputados e senadores se articulam no Congresso para viabilizar a instauração de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que apure a responsabilidade sobre o rompimento da barragem da Vale. Para a criação de uma CPMI é necessário o apoio de 171 deputados e 27 senadores.

Noticiário corporativo

>> A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil e uma das principais sócias da Vale, informou que, apesar da forte queda das ações da mineradora, não terá problema de pagar os benefícios de seus associados, e que também não há necessidade de vender as ações da Vale. Os papéis da companhia fecharam em queda de 24,52%, impactados pela tragédia do rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais.

>> A Petrobras pode retomar o plano de vender sua participação na petroquímica Braskem, que havia sido suspensa. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, foi o que Roberto Castello Branco, novo presidente da estatal, disse durante reunião com analistas do mercado financeiro na última sexta-feira (25).

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Ainda de acordo com o jornal, Castello Branco afirmou que analisa a possibilidade de vender também a BR Distribuidora. O objetivo seria concentrar esforços na exploração de petróleo na camada pré-sal, intenção que o executivo já havia divulgado antes de assumir o cargo.

A Petrobras divide o controle da Braskem com a Odebrecht, que está negociando a venda de sua participação para a multinacional LyondellBasell.

Ainda no radar da estatal, a Reuters informa que a Chevron finalizou uma proposta para adquirir a refinaria de Pasadena, localizada em Houston, da Petrobras. "Se confirmado, veríamos o desinvestimento como positivo para a Petrobras, sinalizando o avanço do programa de venda de ativos e o fim de um capítulo problemático na história da empresa desde que a refinaria foi adquirida em 2006", destacam os analistas da XP Research. 

>> Quatro escritórios norte-americanos de advocacia anunciaram na segunda-feira (28) que pretendem entrar com ações coletivas contra a Vale na Justiça dos Estados Unidos após as perdas causadas aos investidores pelo rompimento da barragem em Brumadinho. A Vale já foi alvo de dois processos semelhantes nos EUA em 2015 após o rompimento de barragem da Samarco em Mariana (MG). 

>> A Cielo teve lucro líquido de R$ 724,1 milhões no quarto trimestre, uma queda de 30,6% ante mesmo período de 2017. O resultado operacional da companhia medido pelo ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) somou R$ 1,09 bilhão, recuo de 20,8% na comparação anual. A margem Ebitda despencou 9,1 pontos percentuais, para 36,3%. 

É a primeira vez que a Cielo reporta queda em seu lucro anual desde que abriu capital na bolsa, em junho de 2009, quando emplacou uma das ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) mais rentáveis daquele ano.

>> Furnas e Cemig devem paralisar a hidrelétrica de Retiro Baixo, no rio Paraopeba, após rompimento de barragem da Vale. Uma onda de água turva com sedimentos tem avançado pelo rio e pode alcançar a usina entre os dias 5 e 10 de fevereiro, de acordo com um boletim do Serviço Geológico do Brasil.

>> O Credit Suisse reiniciou cobertura para onze ações do setor de varejo. São elas: Arezzo (ARZZ3), Cia. Hering (HGTX3), Lojas Renner (LREN3), B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4), Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3), Carrefour Brasil (CRFB3), Pão de Açúcar (PCAR4), Hypera (HYPE3) e RD (RADL3). 

Dentre os papéis com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), está a Arezzo com preço-alvo de R$ 65, o que configura um potencial de valorização de 24% em relação ao fechamento da véspera, Via Varejo (preço-alvo de R$ 7, com upside de 27%), e Pão de Açúcar (preço-alvo de R$ 112, com upside de 18%). Para a Arezzo, os analistas ressaltam que a companhia talvez seja a única  que não tenha seu plano de expansão 100% incorporado no preço da ação e que as operações nos EUA possam ser um catalisador de curto prazo para o papel. Já sobre VVAR, apesar de não verem o papel como promissor no curto prazo, exposição da empresa a bens discricionários faz com que a empresa seja altamente alavancada a recuperação macro do Brasil. Com relação ao GPA, a expectativa é de um crescimento consistente na receita. 

Já entre os papéis com recomendação neutra, estão Magazine Luiza (preço-alvo de R$ 170, com 1,5% de upside), apontando que, apesar da qualidade, a companhia  precifica um cenário de expectativas altas, o que não deixa muito espaço para desapontamentos. Americanas, Hering, Carrefour e Hypera também possuem recomendação neutra. Já B2W e RD possuem recomendação underperform. 

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)

 

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