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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Último dia de Davos e reforma da Previdência estão no radar. 

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Após bater o 10º recorde histórico na véspera, o Ibovespa deve continuar repercutindo positivamente as diretrizes informadas pelo governo Bolsonaro para a reforma da Previdência. Vale ressaltar que a bolsa brasileira não abrirá amanhã por conta do feriado em São Paulo. 

A equipe econômica do governo brasileiro participa de novas reuniões no último dia do Fórum Econômico de Davos e o presidente segue tendo que lidar com a pressão das investigações envolvendo seu filho Flávio Bolsonaro. 

A influência das bolsas internacionais é levemente positiva e os investidores ainda têm no radar os primeiros resultados da temporada de balanços do quarto trimestre de 2018.

Veja no que ficar de olho nesta quinta-feira (24):

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros das bolsas nos Estados Unidos apontam para abertura em leve alta à espera da divulgação de diversos balanços relativos ao quarto trimestre de 2018.

Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou a China que tarifas sobre produtos do país asiático podem ser elevadas caso um acordo comercial entre os dois países não seja alcançado. Apesar da ameaça, o republicano afirmou que as conversas entre autoridades americanas e chinesas estão "indo muito bem" e ressaltou que Pequim deseja fazer um acordo com Washington.

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Os índices europeus operam em leve alta a despeito dos ruídos sobre o embate entre China e Estados Unidos. Quanto ao Brexit, o ministro das Finanças do Reino Unido fará um discurso no Fórum Econômico de Davos e pedirá que os investidores continuem fazendo aportes no país mesmo depois da saída da União Europeia, marcada para 29 de março.

As bolsas asiáticas encerraram mistas a despeito das incertezas sobre o crescimento global e a guerra comercial entre China e Estados Unidos. 

No mercado de commodities, o preço do minério de ferro sobe mais de 1%. O petróleo opera perto da estabilidade com a pressão da desaceleração econômica global.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h09 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,19%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,17%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,49%

*DAX (Alemanha) +0,61%

*FTSE (Reino Unido) -0,14%

*CAC-40 (França) +0,65%

*FTSE MIB (Itália) +1,17%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,42% (fechado)

*Xangai (China) +0,41% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,09% (fechado)

*Petróleo WTI -1,19%, a US$ 53,16 o barril

*Petróleo brent -1,26%, a US$ 61,88 o barril

*Bitcoin US$ 3.515 -0,31%
R$ 13.541 -0,14% (nas últimas 24 horas)

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,61%, a 535,50 iuanes (nas últimas 24 horas) 

2. Davos e Reforma da Previdência

O presidente Jair Bolsonaro e sua equipe econômica participam do último dia do Fórum Econômico de Davos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista à Reuters que a proposta de reforma da Previdência que está sendo estruturada pelo governo pode render uma economia de R$ 700 bilhões a R$ 1,3 trilhão em 10 anos, podendo chegar a dois terços a mais do que o esforço do governo anterior, que falhou.

“Isso terá um poderoso efeito fiscal e vai resolver por 15, 20, 30 anos”, disse ele, que acrescentou mais tarde: “É isso ou seguimos (o caminho da) Grécia”. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a definição da proposta da reforma da Previdência deve ocorrer nas próximas semanas.

Ainda sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, sinalizaram que as regras para os militares podem ser alvo de mudanças apenas numa segunda etapa, após a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que deve alterar os critérios de aposentadoria pelo INSS e para os servidores públicos.

A estratégia que será defendida pela equipe econômica, porém, é que o projeto de lei dos militares seja encaminhado logo no início do ano legislativo, com o novo texto da reforma, para reforçar a tese de que todos precisarão dar sua contribuição para o equilíbrio da Previdência e das contas do País.

3. Agenda econômica

A agenda de indicadores no Brasil traz a divulgação da arrecadação de impostos, às 10h30 (de Brasília) que deve ter alcançado R$ 144,5 bilhões em dezembro, segundo mediana da Bloomberg.

Nos Estados Unidos, atenção para os dados de seguro-desemprego que serão divulgados às 11h30 (de Brasília). A estimativa mediana colhida pela Bloomberg aponta para 218 mil pedidos de auxílio ante 213 mil na semana anterior.

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

4. Noticiário político 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quarta-feira (23), que o governo quer reduzir o Imposto de Renda pago pelas empresas do país de 34%, em média, para 15%. Para compensar o corte, Guedes estuda aumentar os tributos sobre renda e aplicações financeiras que hoje são isentas ou pagam pouco imposto.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, no Fórum Econômico Mundial, ele explicou que a motivação dessa reorganização tributária é atrair investidores estrangeiros. Declarações do ministro fizeram o dólar cair 1,13%, a R$ 3,76, e a bolsa bater o 10º recorde no ano.

A proposta de Guedes, no entanto, deve enfrentar resistência no Congresso, principalmente por parte de consultores, economistas, advogados e contadores que podem perder com a mudança. Micro e pequenas empresas do Simples também podem ser prejudicadas, se as alíquotas não acompanharem a redução.

Sobre as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, a pressão dos militares sobre o presidente para deixar que seu filho responda sozinho é cada vez maior e há até a sugestão de que ele não assuma seu cargo de senador até que as suspeitas sejam esclarecidas.

Bolsonaro chegou a dizer que seu filho deveria responder legalmente caso as investigações apontassem alguma responsabilidade, mas afirmou que o caso está sendo usado para pressionar o presidente. "A pressão enorme em cima dele é para tentar me atingir. Nós não estamos acima da lei. Pelo contrário, estamos abaixo da lei. Agora, que se cumpra a lei, não façam de maneira diferente para conosco. Não é justo atingir um garoto, fazer o que estão fazendo com ele, para tentar me atingir", disse Bolsonaro em entrevista à Record em Davos. 

5. Noticiário corporativo

>> A Eletrobras disse que encerrou o prazo para apresentação de recurso contra a decisão que aprovou em definitivo o acordo firmado entre a elétrica e seus acionistas norte-americanos, no âmbito da Class Action nos EUA, “sem que tenha sido interposto nenhum recurso”.

“Em decorrência do trânsito em julgado da Class Action, o Acordo já homologado adquire plena eficácia, não existindo mais nenhuma demanda judicial em curso contra a Eletrobras nos Estados Unidos, de conhecimento da Companhia”, afirmou a empresa.

>> Em entrevista ao Valor, o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que prevê que o contrato da operação com a Boeing será finalizado nos próximos dias.

  • Ele acredita que a fabricante americana, ao produzir no país, poderá ter acesso ao financiamento do BNDES. Souza e Silva disse ainda que o contrato da operação entre as duas companhias está sendo finalizado, talvez na semana que vem. Logo depois vai ser convocada uma assembleia geral extraordinária para submeter a operação para a aprovação final pelos acionistas.
  • >> O Banco Inter registrou lucro líquido contábil de R$ 22,3 milhões no quarto trimestre de 2018, o que representa um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2017. No critério recorrente, que exclui a reversão do diferimento de CSLL no quarto trimestre e no ano de 2018, o lucro foi de R$ 26,7 milhões, crescimento de 25,6% em um ano. Em todo 2018, o Banco Inter fechou com ganhos de R$ 74,2 milhões no critério recorrente, alta de 38% ante 2017.
  • >> Em relatório sobre elétricas, o Itaú BBA elevou a recomendação para os papéis de Eneva (ENEV3) e Ômega (OMGE3) para compra e estabeleceram novos preços-alvo para 2019 para os papéis, em R$ 23 e R$ 26, respectivamente.
  • >> Inquérito instaurado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para analisar a oferta global de ações da Oi em 2014, detectou pagamento de vantagem indevida a ex-executivos da companhia sem prévia aprovação de assembleia geral ou do conselho de administração, destaca o Valor. Informações sobre os pagamentos foram ocultadas nas demonstrações financeiras da empresa daquele ano, constatou o regulador do mercado de capitais. 

    >> A BCBF Participações, controladora da NotreDame Intermédica, emitiu R$ 900 milhões em debêntures com vencimento em 2023, pagando 1% + CDI. 

    (Com Agência Estado)

 

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