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Ibovespa futuro sobe e dólar cai com falas de Bolsonaro e Guedes em Davos e exterior mais "tranquilo"

Os destaques do mercado na sessão desta quarta-feira (23)

posse de Jair Bolsonaro
(Fabio Rodrigues Pozzebom)

SÃO PAULO - Depois de uma forte queda na véspera em meio às notícias negativas sobre as negociações comerciais entre Estados Unidos e China e com o discurso inicial de Jair Bolsonaro em Davos não ajudando a empolgar os investidores por aqui, a sessão desta quarta-feira (23) promete ser de maior ânimo para o mercado brasileiro. 

O Ibovespa Futuro com vencimento em fevereiro registra às 9h12 (horário de Brasília) alta de 0,62%, a 95.655 pontos, aos 95.685 pontos, enquanto o dólar futuro tem queda de 0,69%, a R$ 3,793, acompanhando tanto o noticiário local quanto o internacional mais positivo. 

Ontem, as bolsas americanas tiveram forte queda  com a notícia do Financial Times de que os EUA rejeitaram uma oferta da China nas negociações comerciais e a realização de um novo encontro.

Contudo, hoje, os índices em Wall Street apontam para leves ganhos após o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, negar as informações e dizer que não havia nenhuma outra reunião planejada além da visita do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, na próxima semana.  

Já as bolsas asiáticas fecharam perto da estabilidade, após a China prometer hoje ampliar gastos fiscais este ano, focando no corte de impostos para pequenas empresas, de forma a impulsionar sua economia, que no ano passado cresceu no ritmo mais fraco desde 1990. Em 2018, os gastos fiscais do governo chinês avançaram 8,7%, a 22,09 trilhões de yuans (US$ 3,26 trilhões), enquanto a receita cresceu 6,2%, a 18,34 trilhões de yuans, de acordo com dados do Ministério de Finanças chinês. 

Já no noticiário doméstico, o mercado repercute o tom mais incisivo de Bolsonaro sobre a reforma da previdência em entrevista à Bloomberg, além da fala de Paulo Guedes sobre taxação de JCP e dividendos. 

Em entrevista à Bloomberg, Bolsonaro prometeu reformar a Previdência, adotando a idade mínima, e afirmando que a mudança será substancial. Ele disse ainda que a situação dos estados aponta para a aprovação da reforma, que interessa aos governadores.

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  • Bolsonaro, assim como o ministro da Economia Paulo Guedes e da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, seguem com agenda em Davos. O presidente fará declaração à imprensa às 13h (horário de Brasília), acompanhando pelo ministro da Economia. Bolsonaro terá reuniões com governantes ao longo do dia e Guedes se reunirá com dirigentes do BID, OCDE, OMC, Siemens, Uber, General Atlantic, UBS e BBVA.
  • Ainda sobre Davos, em almoço fechado promovido pelo Itaú, Paulo Guedes afirmou que  o governo quer simplificar a tributação, mas vai taxar os dividendos e juros sobre capital próprio. 

    Vale destacar ainda o movimento de queda dos contratos de juros futuros, com baixa de 5 pontos para o contrato de janeiro de 2021, a 7,25% e baixa de 3 pontos-base para o vencimento em janeiro de 2023, a 8,40%. Os investidores repercutem o IPCA-15, que ficou em 0,30% em janeiro na comparação mensal, ante estimativa de alta de 0,35%. 

Vale ressaltar que, ontem à tarde, os contratos foram impactados pela entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, à Reuters, que destacou que o BC sempre olhará se os juros estão estimulativos. Isso fez os juros futuros reverterem alta por volta das 16h,  com o mercado interpretando a fala como dovish, uma vez que para a política monetária ficar mais estimulativa a Selic poderia ter de cair.

Mais tarde, o BC afirmou em nota de esclarecimento que "a mensagem de política monetária não se alterou desde a última reunião do Copom". "Autoridade monetária continua priorizando a cautela, a perseverança e a serenidade", destacou. 

Ainda em destaque, o BC oferta até 13.400 contratos de swap cambial para rolagem de contratos de fevereiro, 11h30 às 11h40, resultado a partir das 11h50
BC divulga fluxo cambial semanal, 12h30. Às 12h30, serão revelados os dados de fluxo cambial. 

Noticiário corporativo

Em destaque no radar corporativo, a Petrobras perdeu uma disputa bilionária no Carf, segundo informa o Valor. A 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) manteve uma autuação de R$ 1,7 bilhão recebida pela Petrobras. Cabe recurso no próprio conselho, diz jornal.

Ainda em destaque sobre a estatal, o JPMorgan afirmou que considera Petrobras mais atraente que Vale. Enquanto a Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, se beneficia de maior lucratividade e múltiplo atrativo, a Petrobras tem um case estrutural com maior apelo, segundo os analistas do JPMorgan.

Continuando no noticiário de estatais, o secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, afirmou que o estado usará a Sabesp para cumprir orçamento este ano. Bandeira do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o programa de desestatização poderá contribuir de forma importante para o Estado cumprir o Orçamento em 2019. A capitalização da Sabesp, estimada em R$ 5 bilhões, junto com o contingenciamento de R$ 6 bilhões em recursos do Orçamento, ajudaria o Estado a cobrir R$ 10 bilhões em receitas consideradas incertas.

Por fim, a Coluna do Broad informa que a Caixa vai assessorar seus próprios IPOs e limitar número de bancos.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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