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Ibovespa tem pior queda do ano com tensão EUA-China; dólar sobe para R$ 3,80

Índice chegou a cair mais de 1% mais cedo com a piora das bolsas norte-americanas, enquanto discurso do presidente não empolgou o mercado

Donald Trump e Xi Jinping
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em queda desde a abertura, o Ibovespa chegou a esboçar uma reação nesta terça-feira (22) e atingiu sua máxima do dia, próximo da estabilidade, durante o discurso de Jair Bolsonaro em Davos. Apesar disso, o mau humor externo pesa mais, com os índices norte-americanos caindo cerca de 2% com as incertezas sob a economia global.

A baixa se intensificou, porém, com a notícia do Financial Times de que os EUA teriam rejeitado uma oferta da China nas tratativas preparatórias sobre as negociações comerciais, sendo seguida pela informação da CNBC de que um encontro entre os dois países foi cancelado por divergências sobre o cumprimento das regras de propriedade intelectual.

Com isso, o Ibovespa fechou com forte queda de 0,94%, aos 95.103 pontos, em seu pior pregão desde o dia 19 de dezembro, quando recuou 1,08%. Vale destacar que ante de hoje, o índice só havia caído três vezes em 2019, sendo a pior delas apenas 0,44%. O volume financeiro neste pregão ficou em R$ 13,747 bilhões.

Já o contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 teve alta de 1,70%, para R$ 3,819, enquanto o dólar comercial teve forte valorização de 1,25% - a maior em dois meses -, cotado a R$ 3,8057 na venda. No mercado de DIs, o contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 caiu 4 pontos-base, para 7,31%, enquanto o contrato para janeiro de 2023 recuou 1 pontos-base, a 8,43%.

Vale ressaltar ainda que, em seu primeiro discurso no exterior como presidente, Bolsonaro não empolgou o mercado. Ele defendeu a implementação de reformas estruturais para a economia brasileira, uma agenda rigorosa de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro e a compatibilização entre preservação do meio ambiente com o desenvolvimento econômico, mas sem tanta ênfase sobre a Previdência. 

Na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos (na Suíça), Bolsonaro buscou se apresentar às elites empresarial e política como uma nova liderança no Brasil, comprometida em recuperar a credibilidade de um país imerso “em uma profunda crise ética, moral e econômica”.

“Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo”, afirmou. O discurso teve duração de menos de 7 minutos.

O Fórum de Davos é a primeira grande oportunidade de Bolsonaro e de sua equipe entrarem em um contato mais estreito com os investidores estrangeiros, que ainda mostram uma dose de ceticismo para embarcarem de vez no Brasil.

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Para Roberto Secemski, economista do Barclays para Brasil, o discurso foi curto, direto ao ponto e reafirmou pontos de vista já conhecidos, mas sem grandes novidades. "Discurso não afetou mercado, uma vez que não incluiu termos novos do governo sobre planos para economia", disse para a Bloomberg lembrando que a menção à reforma da Previdência só veio na parte das perguntas.

Destaques de ações
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 5,70 -5,47 +4,40 30,36M
 BRFS3 BRF SA ON 23,26 -5,02 +6,06 329,16M
 GOLL4 GOL PN N2 22,81 -3,43 -9,12 79,43M
 EMBR3 EMBRAER ON 19,48 -3,28 -10,15 94,80M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 162,05 -2,96 -10,21 332,91M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 48,35 +3,05 +2,05 208,66M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,93 +2,71 +12,30 103,54M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 29,25 +1,74 +23,11 97,43M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 24,44 +0,74 +1,02 42,43M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 38,94 +0,70 +17,93 82,58M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,13 -1,57 1,55B 1,65B 47.212 
 VALE3 VALE ON 55,08 -0,36 938,40M 1,03B 34.835 
 BBAS3 BRASIL ON 48,20 -0,19 488,59M 499,95M 18.799 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 37,29 -0,16 453,44M 747,85M 29.707 
 BBDC4 BRADESCO PN 42,00 -0,45 412,54M 581,70M 21.378 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,54 -2,56 399,49M 397,45M 33.820 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 44,48 -2,46 363,35M n/d 24.436 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 162,05 -2,96 332,91M 155,25M 9.991 
 BRFS3 BRF SA ON 23,26 -5,02 329,16M 145,12M 29.167 
 ITSA4 ITAUSA PN 12,82 -0,47 311,27M 320,60M 34.729 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Reforma da Previdência

Enquanto o mercado esperava com ansiedade o discurso de Jair Bolsonaro em Davos, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou ontem que a proposta de reforma da Previdência deverá ser apresentada pelo governo só depois das eleições da Câmara e do Senado. Ele ainda negou que o caso envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, atrapalhe a negociação da proposta no Congresso Nacional.

Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica de Bolsonaro quer elevar a contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. As discussões na área técnica incluem também subir a cobrança sobre os inativos. Ainda não há decisão final sobre o assunto, especialmente porque o presidente nos últimos meses demonstrou clara resistência à ideia.

Também está em estudo, confirmou ontem Hamilton Mourão, mudanças na regra de aposentadoria dos militares. Está sendo considerada a aplicação de uma tributação sobre a pensão recebida por viúvas de militares e o aumento do tempo de permanência no serviço ativo, passando de 30 anos para 35 anos. As declarações de Mourão não deixam claro se as alterações já estariam no texto que será encaminhado ao Congresso Nacional em fevereiro ou se aconteceria depois.

Ainda sobre o rombo na Previdência, o governo federal vai ampliar o poder de fogo do INSS para identificar fraudes em benefícios, o que deve potencializar a economia que será obtida com a medida provisória (MP) editada na semana passada para combater essas irregularidades, disse ao Estadão/Broadcast o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.

O texto dá ao INSS acesso às bases de dados da Receita Federal, do SUS e do FGTS, e o cruzamento dessas informações ajudará a apontar outros benefícios com indícios de irregularidade para além dos 3 milhões que já estão no radar da equipe econômica e que passarão por um extenso pente-fino.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

 

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