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3 temas que serão estratégicos para a bolsa brasileira em 2019, segundo o Itaú BBA

Privatizações e tributação de dividendos podem trazer uma reviravolta no valor de mercado das empresas

Lupa investimentos
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A equipe de análise do Itaú BBA elencou três temas estratégicos que os investidores devem acompanhar de perto neste ano porque terão influência no mercado financeiro, uma vez que podem ter impactos significativos sobre os setores econômicos afetados.

São elas a redução de tarifas de importação, as privatizações e tributação de dividendos. Confira o cenário estimado para cada uma delas:

Redução de tarifas de importação
O Itaú BBA considera que os produtores de aço e de etanol tendem a ser os mais afetados por eventuais reduções nas tarifas de importação. A alíquota média de 12% que incide sobre as importações é a quarta maior entre os mercados emergentes, cuja média é de 6%. O país fica atrás apenas do Paquistão, Índia e Argentina. Entre as economias desenvolvidas, como Estados Unidos e Alemanha, a taxa é de 1,5% e 1%, respectivamente.

Os setores mais beneficiados devem ser o de veículos e de vestuário, que possuem tarifas de importação de 34%, patamar 22 pontos percentuais acima da média. 

Privatizações
Com a privatização de volta às manchetes, o Itaú BBA vê uma longa lista de empresas que podem entrar na mira do governo, incluindo aquelas indiretas, geralmente pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que tem participações minoritárias em diversos setores. Nas estatais, os analistas destacam a Eletrobras, a Petrobras e o Banco do Brasil. 

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O levantamento do Itaú BBA mostra que o governo federal tem participação em 30 empresas do setor de óleo e gás, 21 de transporte e logística, 13 indústrias, 12 de tecnologia da informação, 7 ligadas ao agronegócio, 25 do setor financeiro, 7 empresas de saúde, 6 de mineração e 82 companhias de serviços como energia e saneamento. Desse total, 38 delas estão listadas na bolsa e somam R$ 330 bilhões em valor de mercado para o governo. 

Tributação de dividendos
A mudança no regime tributário de distribuição de dividendos tem sido um tema quente desde as eleições no âmbito da reforma fiscal. A prática é comum nos mercados internacionais e conta com o apoio de cerca de 44% do Congresso. 

Uma alíquota de 10% de imposto de renda sobre os dividendos, por exemplo, sem mudança no juro sobre capital próprio, reduziria o valor de mercado do Ibovespa em 4%. A desvalorização só deixa de acontecer se o governo cortar o imposto médio das empresas de 39% para 34%.

Caso o pagamento de juros sobre capital próprio seja suspenso e o dividendo seja tributado em 15%, o Ibovespa perderia 15% de valor de mercado. O índice sairia ileso apenas se o governo reduzir a taxação as empresas os atuais 39% para 25%.

Os impactos da tributação de dividendos devem ser mais negativos para as empresas de cuidados de saúde, consumo e varejo, serviços públicos e indústrias. A ausência dos juros sobre capital próprio deve atingir mais as companhias de telecomunicação e dos setores financeiro e de saúde.

Alterações fiscais combinadas, de tributação de dividendos, corte do juro sobre capital próprio e menor taxação de empresas, favoreceria os segmentos de consumo e varejo, serviços públicos e energia.

Vale destacar que esses cálculos supõem as empresas que não tomarão medidas adicionais para otimizar sua estruturas para torná-las mais eficientes.

 

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