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Ibovespa sobe mais de 1% e supera 93 mil pontos com exterior e Previdência; dólar cai a R$ 3,68

Bolsas internacionais mostram otimismo com diálogo entre Estados e China e proposta de Paulo Guedes mais robusta para a Previdência agrada mercado

gráfico Ibovespa dólar alta queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa superou marca histórica dos 92 mil pontos conquistada no último pregão e já sustenta patamar acima de 93 mil pontos nesta quarta-feira (8) apoiado no bom humor das bolsas estrangeiras pelo otimismo com o diálogo entre Estados e China. 

Os ventos domésticos também são favoráveis, com o aceno a uma reforma da Previdência mais robusta do que a sinalizado por Jair Bolsonaro dias atrás, o que agrada aos investidores. 

Neste contexto, às 13h16 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 1,61%, aos 93.512 pontos, após ter alcançando os 93.544 pontos na máxima. 

O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha queda de 0,83%, cotado a R$ 3,687, e o dólar comercial recuava 0,89%, para R$ 3,684. O real caminha para o quinto dia de valorização sobre o dólar em seis pregões. A moeda furou o patamar psicológico de R$ 3,70 e desceu à mínima das últimas 11 semanas.

O movimento global de desvalorização do dólar foi acentuado após o presidente da distrital do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) em St. Louis, James Bullard, dizer que teme que o país entre em recessão se a instituição seguir adiante com sua campanha de aumentos das taxas de juros.

"A taxa de juros (principal) está num bom nível hoje" e não há nenhuma urgência de elevá-la mais, disse Bullard, em entrevista ao The Wall Street Journal, acrescentando que inclusive estaria aberto a cortes de juros se a economia ou inflação desacelerassem mais do que o esperado.

O contrato de juro futuro com vencimento em janeiro de 2021 caía de 7,36% para 7,34% e o contrato para janeiro de 2023 tinha queda de 8,44% para 8,33%

O otimismo com Brasil leva o CDS (Credit Default Swaps) à sexta queda consecutiva. Conhecido como "seguro-calote", o CDS é uma das principais referências de risco utilizadas pelos investidores estrangeiros.

Para a equipe da XP Research, a sessão de negociações entre as maiores economias do mundo foi encerrada em clima de boa vontade de ambas as partes, apesar da natural divergência em certos assuntos. "Ainda há dois meses de negociações adiante, mas se um acordo for alcançado, seria bastante positivo para os mercados", afirmam os analistas em relatório enviado a clientes.

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Sobre a Previdência, a avaliação é de que a proposta de idades mínimas "mais dentro do ideal" (62 anos mulheres e 65 anos homens) e um ciclo mais curto de transição, seria a melhor reforma em diversos aspectos. "Dá no mínimo um alívio de curto prazo na questão fiscal, ao menos 4 anos e com a nova regra de capitalização, abre um espaço de no mínimo uma década para a rediscussão do tema", avalia Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Destaques da Bolsa

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 45,03 +7,21 +7,16 100,56M
 CCRO3 CCR SA ON 12,94 +5,72 +15,54 67,22M
 CSAN3 COSAN ON 37,88 +5,54 +13,21 37,62M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 37,66 +4,03 -1,10 100,35M
 LAME4 LOJAS AMERICPN EJ 20,81 +4,00 +6,04 34,85M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 26,86 -2,40 -2,65 67,17M
 FLRY3 FLEURY ON EJ 21,09 -1,45 +7,30 42,89M
 BRDT3 PETROBRAS BRON 25,61 -1,31 -0,35 184,76M
 HYPE3 HYPERA ON 30,67 -0,74 +1,56 38,03M
 EMBR3 EMBRAER ON ED 21,25 -0,52 -1,98 26,99M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Bolsas mundiais

As bolsas asiáticas encerraram em alta movidas pelas expectativas otimistas com o desfecho da guerra comercial entre China e Estados Unidos. As negociações em Pequim de representantes dos dois países encerraram nesta quarta-feira (9), um dia depois do esperado, e as autoridades envolvidas disseram que os detalhes serão divulgados em breve. 

Além disso, influenciou positivamente o fato de a China planejar medidas para estimular o consumo de automóveis e de eletrodomésticos e o governo central do país avisou que ampliará investimentos em infraestrutura.

O otimismo anima as bolsas europeias, que também sobem, mas os investidores seguem de olho no Brexit. A primeira-ministra britânica, Theresa May, sofreu uma derrota no Parlamento ontem. Parlamentares contrários à saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo venceram uma votação, criando mais um obstáculo para um Brexit sem acordo.

Os índices dos Estados Unidos também sobem com o otimismo global. Na noite de ontem, o presidente Donald Trump fez um pronunciamento oficial defendendo a construção do muro na divisa com o México, impasse que mantém uma queda de braço entre o governo e os democratas no Congresso e resultou no "shutdown", com a paralisação do financiamento de diversos serviços públicos que já chega ao seu 19º dia. 

Trump disse que há uma crise humanitária e de segurança na fronteira e apelou: "quanto sangue americano terá que ser derramado até que o Congresso aprove?”. A maioria da Câmara dos Estados Unidos é democrata e se posiciona contra a construção do polêmico muro. 

O maior apetite ao risco global influencia também o mercado de commodities e os preços do petróleo também operam em alta. O dólar cai em relação a maior parte de seus pares.

Reforma da Previdência

O governo deve enviar ao Congresso em fevereiro uma proposta de reforma da Previdência mais robusta, com alterações sobre o atual regime das aposentadorias, mas também com a criação de um novo modelo capitalização para os trabalhadores que ainda entrarão no mercado de trabalho. 

Os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Economia, Paulo Guedes, sinalizaram que a visão da equipe econômica de uma reforma mais duradoura deve prevalecer na versão que será apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana.

Bolsonaro ainda vai bater o martelo sobre o desenho final, e a equipe econômica ainda terá de convencê-lo de que o Congresso Nacional é capaz de digerir a proposta de uma reforma mais dura e de longo prazo. Na semana passada, o presidente havia acenado com uma proposta mais "light", apenas para seu mandato, o que gerou apreensão entre economistas, uma vez que não representaria uma solução definitiva para o grave desequilíbrio nas contas públicas.

Nesta manhã, o presidente confirmou a revogação da adesão do Brasil ao Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular. Na sua conta no Twitter, ele afirmou que a iniciativa foi motivada para preservação dos valores nacionais. “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes”, disse o presidente. “Não ao pacto migratório.”

Agenda econômica

Dia de agenda esvaziada no Brasil. No exterior, a ata do Federal Reserve será divulgada às 17h (de Brasília) e o investidor buscará pistas sobre os bastidores da decisão unânime de elevar os juros em dezembro. Recentemente, o presidente do Fed, Jerome Powell sinalizou uma visão mais branda para a política monetária e despertou otimismo nas bolsas diante da desaceleração das maiores economias do mundo. 

Clique aqui para conferir a agenda completa de indicadores.

Noticiário político 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que a medida provisória antifraudes em benefícios previdenciários e assistenciais será enviada nesta quarta-feira (9) para o presidente Jair Bolsonaro. Guedes voltou a dizer que o efeito fiscal da medida deve ficar entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões por ano - inclusive 2019.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os ministros confirmaram que a proposta da reforma da Previdência será apresentada a Bolsonaro na próxima semana e deve ser enviada ao Congresso - junto com a criação de um novo modelo de capitalização - em fevereiro.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o decreto que flexibiliza a posse de armas de fogo deve estar pronto na próxima semana. O assunto foi tratado pelo presidente durante reunião ministerial ontem no Palácio do Planalto.

Outros temas seguem a todo vapor no governo de Bolsonaro. Sua equipe estuda mudar o modelo de concessão de rodovias federais. Segundo a Folha de S. Paulo, em vez de exigir pedágios mais baratos, o Ministério de Infraestrutura avalia cobrar outorgas bilionárias nos próximos leilões.

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O sistema, semelhante ao adotado pelos governos tucanos no estado de São Paulo desde os anos 1990, abandonaria as concessões que privilegiavam o critério de menor pedágio, que vigorava nas administrações Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e que sofreram críticas pela inviabilidade econômica que demonstraram na prática.

Caso a proposta vá adiante, o dinheiro arrecadado abastecerá um fundo rodoviário nacional com o objetivo de implementar melhorias e duplicações nas demais vias para que também sejam concedidas.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)

 

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