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Ibovespa vira para queda com exterior em meio à temores de paralisação do governo dos EUA

Índice esboçou uma recuperação durante a manhã, mas não se sustentou e passou cair conforme Wall Street estende as perdas da véspera

Donald Trump
(Joyce N. Boghosian/Casa Branca )

SÃO PAULO - Em um sessão bastante volátil, o Ibovespa se fixou no campo negativo na tarde desta quinta-feira (20) pressionado pelo cenário externo, após chegar a esboçar se descolar dos Estados Unidos e subir, enquanto os índices em Wall Street caíam preocupados com a decisão do Fomc. Pesa agora no mercado o risco de uma paralisação do governo norte-americano.

Às 14h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa tinha queda de 0,63%, aos 85.135 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial se mantém com queda de 0,43%, cotado a R$ 3,8561 na venda, amenizando as perdas após chegar a R$ 3,8358 na mínima do dia. Já os contratos futuros da divisa têm queda mais acentuada: 1,15%, a R$ 3,851.

O mercado brasileiro apontava maiores ganhos por volta das 9h30 com a mudança já no Ibovespa futuro, acompanhando o movimento dos índices futuros em Wall Street, que passaram de leve baixa para leves ganhos após a derrocada da véspera com a decisão do Fomc.

Porém, logo que a bolsa norte-americana abriu, os índices por lá passaram a cair forte, puxando o Ibovespa, que virou para o negativo. Este cenário, porém, durou pouco, e a bolsa brasileira voltou a subir, se descolando da tensão em Wall Street. Mas mais uma vez o mercado não teve força para se sustentar.

Os índices norte-americanos passaram a cair mais forte - puxando o Ibovespa - com a volta do temor de uma paralisação do governo ("shutdown", em inglês) conforme o presidente Donald Trump entrou em uma reunião com membros do partido republicano. Ele segue ameaçando parar os trabalhos caso não seja aprovado no orçamento uma quantia para a construção do muro na fronteira com o México.

Ontem, o Fed elevou seu juro básico em 0,25 ponto porcentual pela quarta vez este ano, para a faixa de 2,25% a 2,50%, como era amplamente esperado. A autoridade monetária americana também reduziu sua projeção de novos aumentos de juros em 2019, de três para dois, mas os mercados vinham precificando a hipótese de o banco central americano não elevar juros no próximo ano,  à medida em que a volatilidade dá sinais de afetar crescimento mundial.

As falas do chairman do Fed, Jerome Powell, também não agradaram, ao apontar que a autoridade monetária estava satisfeita com seu programa para reduzir o balanço e não tem planos de mudá-lo. Os investidores vêem isso como um caminho de aperto monetário, uma vez que o Fed está reduzindo o balanço fazendo menos compras como títulos do Tesouro e hipotecas.

Também em destaque, o Banco do Japão (BoJ) decidiu manter sua política monetária nesta quinta, mas apontou riscos para a perspectiva econômica, em especial a postura de protecionismo comercial de Washington e Pequim.

No mercado de commodities, o petróleo volta a cair forte com receio sobre economia global após reaver parte das quedas recentes na véspera. 

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Altas e baixas

O "combo" de decisões de Marco Aurélio Mello na véspera também afetou a Petrobras, dificultando a venda de seus ativos. O ministro disse que cabe ao Congresso, e não ao Executivo, legislar sobre licitações e contratações da Petrobras.

A decisão precisa ser confirmada em plenário, em data ainda não marcada, na "abertura do primeiro semestre do Judiciário em 2019” e menciona possível venda de campos de petróleo sem licitação e potencial venda de refinarias da estatal. O Executivo estava atuando para vender ativos “da sociedade a preços vis e ao largo da legislação”, disse a decisão. A Petrobras tem queda repercutindo essa decisão e também é impactada pela baixa do petróleo.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 9,28 -4,33 +2,42 165,89M
 CSNA3 SID NACIONALON 8,86 -4,22 +5,73 75,59M
 PETR4 PETROBRAS PN N2 21,47 -3,51 +34,49 2,15B
 CIEL3 CIELO ON EDJ 9,22 -2,83 -56,87 47,11M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 26,84 -2,65 +18,24 26,67M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 39,66 +3,96 +93,46 60,04M
 CMIG4 CEMIG PN 13,53 +3,92 +109,32 149,20M
 SBSP3 SABESP ON 30,58 +2,65 -8,28 21,33M
 GOLL4 GOL PN N2 25,23 +2,60 +72,81 114,10M
 HYPE3 HYPERA ON 30,55 +1,87 -11,15 28,48M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

RTI e CMN
A quinta-feira começou com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação pelo Banco Central, que repetiu as sinalizações da ata do Copom de "cautela, serenidade e perseverança" para a política monetária.

O BC manteve sua projeção de inflação para 2018 no cenário de mercado., indicando  um IPCA de 3,7% para este ano. O porcentual é o mesmo verificado na ata do último Comitê de Política Monetária (Copom), que saiu na terça-feira (18). 

Para 2019, o cenário de mercado indica que o IPCA ficará em 3,9%, porcentual também igual ao visto na ata. No RTI de setembro, a projeção era de 4,0%. Já a projeção para o IPCA de 2020, pelo cenário de mercado, está em 3,6% - mesmo patamar previsto em setembro. No caso de 2021, o BC prevê inflação de 3,7%, ante 3,8% no RTI anterior.

De olho no documento, a sessão é de queda nas taxas dos principais contratos futuros. A taxa de juros com vencimento em janeiro de 2021 cai 7 pontos-base, a 7,40%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 tem baixa de 11 pontos-base, a 8,65%. 

Já na reunião da véspera, o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou o uso de LIG, LF em operações compromissadas. O objetivo é aumentar a liquidez e aprimorar o processo de formação de preços desses títulos, segundo nota do BC. A CMN também acabou com a trava bancária, mecanismo em que o recebível fica travado para a instituição financeira que concedeu crédito ao lojista.

Toffoli derruba decisão de Marco Aurélio

Na noite de ontem, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, suspendeu a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que permitia a soltura de todos os presos condenados em segunda instância da Justiça, atendendo a um pedido feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Com a decisão, a liminar (decisão provisória) de Toffoli terá validade até o dia 10 de abril de 2019, quando o plenário do STF deve julgar novamente a questão da validade da prisão após o fim dos recursos na segunda instância.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, elogiou a decisão de Toffoli pelo Twitter. A decisão do ministro Marco Aurélio Mello poderia beneficiar milhares de presos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril em Curitiba.

Por outro lado, outra decisão de Marco Aurélio, de que haja voto aberto na escolha do presidente do Senado, foi mantida, reduzindo o favoritismo de Renan Calheiros, enquanto na Câmara medida favoreceria reeleição de Rodrigo Maia, ressalta o Valor. Embora a decisão seja para o Senado, aliados de Maia entendem que ela se estende a todo o Legislativo.

Ainda no campo jurídico, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou na noite de ontem o presidente Michel Temer e mais cinco investigados ao Supremo pelos crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. 

Além de Temer, foram denunciados os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, sócios da Rodrimar; Carlos Alberto Costa e João Batista Filho, além do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures.

Orçamento de 2019 aprovado

O Congresso Nacional aprovou ontem o projeto de Lei Orçamentária Anual para 2019 com a previsão de receitas e despesas totais de R$ 3,381 trilhões para o ano que vem. O texto segue agora para sanção presidencial. Este será o primeiro Orçamento de Bolsonaro.

Aprovado em sessão conjunta de senadores e deputados, o projeto determina que R$ 758,7 bilhões serão direcionados para o refinanciamento da dívida pública. Do dinheiro restante, R$ 2,5 trilhões devem ser direcionados aos orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, e R$ 119,6 bilhões para investimentos.

A previsão da meta fiscal, deficitária em R$ 139 bilhões, e o valor do salário mínimo, reajustado para R$ 1.006, foram mantidos pelo relator conforme o texto enviado pela equipe econômica do governo.

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(Com Bloomberg e Agência Brasil) 

 

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