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Quem é a executiva da Huawei que foi presa e por que isso está abalando o mercado

Prisão da chinesa Wanzhou Meng elevou os ânimos sobre a tensão comercial entre EUA e China

Huawei
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Na noite de quarta-feira (5), uma notícia abalou o mundo e leva praticamente todos os mercados no mundo a caírem forte hoje. Wanzhou Meng, vice-presidente do conselho da chinesa Huawei, foi presa em Vancouver, no Canadá, a pedido da justiça dos Estados Unidos.

Ela foi detida no último sábado (1) no aeroporto ao fazer uma conexão e está sendo acusada pelo governo norte-americano de violar as sanções impostas ao Irã. Sua prisão aumenta a tensão entre EUA e China e pode levar a retaliações dos chineses.

Apesar de não ser tão grande no Brasil, a Huawei é a maior empresa de equipamentos de telecomunicações e a segunda maior fabricante de smartphones do mundo, atrás apenas da Samsung. Por isso, o impacto da notícia sobre a companhia pesa para as outras empresas do setor, que nesta quinta desabaram nas bolsas asiáticas.

A executiva, que também é conhecida como Sabrina Meng, é filha do fundador e CEO (Chief Executive Officer) da Huawei, Ren Zhengfei, e hoje acumula os cargos de CFO (Chief Financial Officer, na sigla em inglês) e vice-presidente do conselho da empresa.

A informação da prisão foi dada primeiro pelo jornal The Globe and Mail e segundo o porta-voz do Departamento de Justiça canadense, Ian McLeod, ela enfrenta um processo de extradição para os Estados Unidos e uma audiência foi marcada para esta sexta-feira. Segundo a Huawei, não foram dados mais detalhes sobre o caso.

Em 2017, a Forbes classificou Meng em oitavo lugar em sua lista de mulheres empresárias mais relevantes da China, enquanto a presidente do Conselho da Huawei, Sun Yafang, ficou em segundo lugar no ranking.

Por que a prisão de Meng é importante?
A prisão da diretora da Huawei deve corroer as negociações comerciais entre Washington e Pequim, segundo análise da consultoria de risco Eurasia Group. "É provável que Pequim reaja com raiva a essa última prisão de um cidadão chinês em um terceiro país por violar leis dos EUA", escreveram analistas.

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A Eurasia acredita que o incidente envolvendo a Huawei provavelmente vai ofuscar as negociações entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, apesar de ponderar que isso não deve acabar com as negociações. Em geral, o caso eleva a tensão sobre o futuro deste acordo, tirando qualquer clima de calmaria que reinou no início da semana após o anúncio da trégua no encontro do G-20.

A Huawei é um dos "símbolos" da guerra comercial entre EUA e China. A companhia tem sido alvo do governo norte-americano desde 2016 e em agosto deste ano, Trump, alegando preocupações com a segurança nacional, assinou uma lei que proíbe agências do governo de usar produtos e serviços da Huawei e de sua concorrente chinesa ZTE.

Em fevereiro, altos funcionários da CIA, da NSA, do FBI e da Agência de Defesa disseram a um comitê do Senado que os smartphones dessas empresas representavam uma ameaça à segurança dos clientes americanos. Nas últimas semanas, a Nova Zelândia e a Austrália impediram as empresas de telecomunicações de usar o equipamento da Huawei para suas redes móveis de 5G.

A empresa de telecomunicações britânica BT disse na quarta-feira que não comprará equipamentos da empresa de tecnologia chinesa para o núcleo de sua rede sem fio de próxima geração. A empresa também disse que removerá a tecnologia existente da Huawei do coração de sua rede 4G dentro de dois anos.

Há uma sensação de perigo sobre a segurança dos aparelhos da Huawei, mas mais que a qualidade, a prisão de Meng reforça o clima tenso da disputa comercial entre EUA e China, mostrando que cada nação lutará para defender seus interesses e as conversas para um acordo ainda deve enfrentar muitas dificuldades.

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