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Ibovespa tem leve alta em meio a dúvidas sobre EUA e China; dólar cai até R$ 3,82

O mercado acompanha as negociações para a tentativa de colocar em votação a cessão onerosa e a aproximação de Bolsonaro dos líderes das bancadas partidárias

gráfico Ibovespa dólar alta queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O otimismo no mercado doméstico, que vem renovando suas máximas históricas, é atenuado pelo clima negativo das bolsas internacionais, que passaram a digerir as incertezas do "cessar-fogo" da guerra comercial entre Estados Unidos e China após a euforia da véspera.

Às 10h29 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,28%, a 90.070 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em janeiro de 2019 tinha queda de 0,23%, cotado a R$ 3,835, e o dólar comercial caía 0,23%, para R$ 3,832 na venda. 

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O mercado doméstico ainda acompanha de perto as negociações para a tentativa de colocar em votação o projeto da cessão onerosa e a aproximação do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dos líderes das bancadas partidárias, recuando de sua decisão de negociar com bancadas temáticas.

No exterior, o otimismo generalizado da véspera dá lugar à cautela diante de incertezas em relação aos detalhes do acordo fechado entre China e Estados Unidos no G-20, que aceitaram dar uma trégua na guerra comercial travada há semanas. 

Não há informações sobre o momento em que terá início o "cessar-fogo" de 90 dias. Uma autoridade da Casa Branca disse que a pausa começaria em 1º de dezembro, segundo a Reuters, enquanto Larry Kudlow, consultor econômico da Casa Branca, disse a repórteres que o prazo começará em 1º de janeiro de 2019. 

Também há divergências sobre quais são exatamente os pontos do acordo e quais serão as contrapartidas de cada país. Segundo os EUA, o país suspendeu o aumento das tarifas para 25% sobre os US$ 200 bilhões em bens chineses que entrariam em vigor em 1 de janeiro. Em contrapartida, a China se comprometeu a aumentar suas compras do mercado norte-americano de produtos agrícolas, energéticos e industriais. Não foi fechado um valor específico e a China não comentou nenhum ponto do acordo, suscitando dúvidas nos investidores. 

Neste contexto, os índices futuros em Wall Street apontam para abertura em queda. Os preços do petróleo operam mais um dia em alta em meio a expectativas de cortes de oferta liderados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e uma redução obrigatória na produção canadense.

Destaques do Ibovespa

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 9,82 +1,66 -55,36 8,90M
 WEGE3 WEG ON 18,23 +1,50 -0,25 2,94M
 FLRY3 FLEURY ON 21,84 +1,30 -23,68 2,52M
 TAEE11 TAESA UNT N2 22,80 +1,24 +19,79 1,26M
 BRFS3 BRF SA ON 22,83 +1,24 -37,62 6,77M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CCRO3 CCR SA ON 12,59 -2,40 -17,76 5,01M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 9,35 -1,37 -18,04 1,89M
 USIM5 USIMINAS PNA 9,71 -0,82 +7,17 13,68M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 47,23 -0,74 -35,46 3,01M
 NATU3 NATURA ON 41,27 -0,72 +26,05 3,04M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Noticiário político 

O economista Roberto Campos Neto, indicado à presidência do Banco Central pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, se encontrará nesta manhã com o atual diretor de regulação da autoridade monetária, Otavio Damaso, para discutir sua sabatina no Senado.

Bolsonaro também desembarca hoje em Brasília, onde fica até quinta-feira (6). Ele terá reuniões com representantes do MDB, PRB, PR e PSDB. É a primeira vez que Bolsonaro conversa com bancadas de partidos e não com bancadas temáticas, de segmentos específicos, como houve com os evangélicos e os empresários do agronegócio.

A viagem ocorre no momento em que são aguardados os anúncios dos nomes para dos nomes dos titulares para os ministérios do Meio Ambiente e o de Cidadania (que deve ser criado para reunir direitos humanos, mulheres e minorias).

No Senado deve haver nova tentativa de aprovar o projeto de cessão onerosa, que poderá render R$ 60 bilhões ao governo. A votação chegou a um impasse na semana passada diante das dificuldades técnicas para viabilizar parte dos recursos arrecadados aos Estados e municípios.

A matéria esteve na pauta do Senado na última semana, mas não foi apreciada por falta de consenso em torno da partilha de royalties da cessão onerosa do pré-sal com estados e municípios. Na quarta-feira (28), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse que não colocaria a matéria em votação porque não houve entendimento entre os membros da equipe econômica do governo atual e o do presidente eleito, Jair Bolsonaro. 

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), disse que a votação deve ocorrer a partir desta terça-feira (4). Segundo Jucá, a cessão só será votada se houver uma solução contábil para que os R$ 100 bilhões não impactem no teto de gastos do governo. 

Flávio Bolsonaro, em entrevista à Globo News, defendeu aprovação da reforma da previdência em 2019, mas disse que não será o primeiro ato do governo e que algumas medidas podem ser tomadas antes para garantir a força do governo no momento inicial. Haverá uma nova proposta com emenda à Constituição, mas também com projetos de lei.

O filho do presidente eleito defendeu ainda que haja regras diferenciadas para alguns segmentos. No campo da política, disse que Bolsonaro não fará interferências na eleição das Casas, mas mostrou rejeição à eleição de Renan Calheiros, no Senado, e Rodrigo Maia, na Câmara. Para o time da XP Research, esse ponto é um "complicador para a articulação em momento que Onyx e Bolsonaro se encontram com bancadas e líderes partidários".

Além disso, vale ficar de olho no STF (Supremo Tribunal Federal)  A Segunda Turma do Supremo deve julgar hoje, a partir das 14h, mais um pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fazem parte do colegiado o relator do pedido, Edson Fachin, e os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Cármen Lúcia, e o presidente da turma, Ricardo Lewandowski.

"A tendência é que o ex-presidente seja mantido preso, mas o relator do caso, ministro Edson Fachin se prepara para eventuais manobras de colegas", avalia a XP Research.

 

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