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CCR dispara 11% após acordo de leniência e Suzano salta 6% por fusão aprovada na Europa

O acordo da CCR também impulsionou as ações da Ecorodovias, que recentemente foi alvo de investigações da Polícia Federal

CCR - Nova Dutra
(Divulgação/CCR)

SÃO PAULO - o Ibovespa renovou sua máxima histórica de fechamento após bater seu teto intraday por duas vezes no pregão e alcançar 89.909 pontos. A forte alta do petróleo no mercado internacional deu base ao otimismo dos investidores, enquanto as incertezas em relação à cessão onerosa pesaram no humor do mercado.

Neste contexto, o Ibovespa encerrou em alta de 0,51%, aos 89.709 pontos, com volume financeiro de R$ 13,36 bilhões. O patamar superou a máxima histórica de fechamento de 89.598 pontos observada em 5 de novembro. O dólar comercial teve alta de 0,34%, cotado a R$ 3,856 na venda, e o contrato futuro do dólar com vencimento em dezembro avançou 0,04%, para R$ 3,850.

Em destaque de alta na bolsa ficaram a CCR, com o acordo de leniência, e a Suzano, após ter a fusão com a Fibria aprovada na Europa. 

Confira os destaques do pregão desta quinta-feira (29):

Suzano (SUZB3) e Fibria (FIBR3)

A Suzano e a Fibria informaram que a autoridade de concorrência da Europa aprovou a combinação de seus negócios e bases acionárias. A única restrição é a rescisão antecipada do contrato comercial da empresa com a Klabin (900 mil toneladas até 2021). Agora, a Suzano espera finalizar a listagem de seus ADRs na bolsa de Nova York e, posteriormente, concluir a transação em 15 de janeiro. 

Segundo os analistas do Itaú Unibanco, a notícia é positiva, uma vez que não inclui restrições maiores, como a venda forçada de ativos. No entanto, eles ressaltam que a rescisão antecipada do contrato da Klabin terá um impacto de capital de giro negativo para a Suzano/Fibria de US$ 700 milhões. "Esperamos que o acordo seja concluído até 15 de janeiro, quando mais detalhes sobre potenciais sinergias poderão ser anunciados", escreve o Itaú BBA em relatório enviado a clientes.

CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)

As ações da CCR saltam até 10% após a notícia, publicada pelo Estadão e depois confirmada pela empresa, de que a companhia e o Ministério Público de São Paulo fecharam acordo de leniência.

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Segundo o jornal, no acordo é revelado caixa 2 de pelo menos R$ 30 milhões para campanhas eleitorais dos ex-governadores José Serra e Geraldo Alckmin, além e deputados de São Paulo. Pelo menos 15 políticos são citados no termo, denominado Auto Composição para Ato de Improbidade, aponta a publicação. 

A concessionária informou que se dispõe a pagar multa de R$ 81 milhões – parte desse valor, R$ 17 milhões, será destinada, na forma de doação, à Biblioteca da Faculdade de Direito da USP, nas Arcadas do Largo São Francisco.

A notícia também impulsionou as ações da Ecorodovias, que recentemente também foi alvo de investigações da Polícia Federal. 

Além disso, vale destacar que a  equipe responsável pela Secretaria do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo selecionou uma série de novos projetos de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias que vão compor a lista de empreendimentos que serão concedidos à iniciativa privada na gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Os projetos são endossados pelo futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

A carteira do PPI para Bolsonaro já contemplava uma série de leilões com datas marcadas. Nesta sexta-feira, 30, serão publicados os editais das concessões da Ferrovia Norte-Sul, de 12 aeroportos e de 4 terminais portuários. A expectativa é que o novo governo consiga concluir até 24 concessões nos primeiros cem dias.

Petrobras (PETR3PETR4)

Depois de registrar baixa durante boa parte da manhã, o petróleo virou alta após a notícia de que a Rússia teria aceitado a necessidade de cortar a produção, segundo a Reuters. A Rússia a Arábia Saudita ainda estariam conversando sobre o momento e o tamanho dos cortes.

Contudo, os papéis da estatal ainda não tiveram um forte ímpeto de alta, uma vez que ainda estão de olho no Congresso. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), anunciou ontem que irá adiar a votação do projeto que revisa o contrato de cessão onerosa da Petrobras. Segundo o emedebista, por uma resistência da equipe econômica do governo Michel Temer, não foi possível chegar a um entendimento sobre o repasse para Estados e municípios, de 20% dos R$ 100 bilhões que devem ser arrecadados com o leilão.

"Entrei numa reunião com o governo atual e governo futuro para discutirmos essa matéria e fiquei até agora buscando entendimento. Até agora não se fez o entendimento. Não vou colocar essa matéria (cessão onerosa) em votação enquanto não houver entendimento. Vou transferir (a votação) para a próxima semana para encontrarmos um equilíbrio", afirmou.

Já nesta manhã, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR) confirmou pelo Twitter de que o projeto deverá ser votado somente a partir de terça feira (4). "Até lá, continuamos construindo uma solução técnica para o repasse dos recursos aos Estados e municípios", afirmou.

Também no radar de Petrobras, a companhia reduziu o preço do diesel nas refinarias em 15%, de R$ 2,1228/litro para R$ 1,7984/litro, com preços válidos a partir desta quinta. Também foi divulgada a tabela válida para essa sexta, com manutenção do preço. O preço da gasolina segue inalterado em R$ 1,5007/litro.

A empresa ainda informou que o Conselho de administração, em reunião nesta quarta-feira, apreciou o Plano de Negócios e Gestão para 2019-2023 considerando uma proposta de investimento no montante aproximado de US$ 85 bilhões, segundo comunicado da estatal comentando reportagem publicada nesta quinta-feira. “Entretanto, não houve qualquer deliberação pelo órgão”. 

Cesp (CESP6)

Em relatório, o Bradesco BBI destaca que teve acesso à avaliação técnica requerida pela 17ª Vara de Brasília (que analisa o processo de Três Irmãos contra o governo federal) e, na avaliação do perito, a companhia teria direito a R$ 7 bilhões (aparentemente a preços de 2011) de reembolso pelos ativos não depreciados (ou R$ 11,7 bilhões esperados para 2018.

Com isso, o analista Francisco Navarrete fez um exercício de sensibilidade do valor presente líquido do reembolso incremental, uma vez que o valuation da CESP hoje está ancorado nos R$ 3 bilhões inicialmente oferecidos pelo governo. Foram vistos dois cenários: (1) incremento de 18,30 por ação (ou R$ 6 bilhões) se os R$ 7 bilhões da avaliação estão em preços de 2011; (2) incremento de R$ 8,55 por ação (ou R$ 2,8 bilhões) se os R$ 7 bilhões já estão a preços de 2018.

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Ao falar com advogados do setor, eles estimam ao menos 10 anos para resolução desse processo uma vez que não houve decisão ainda em primeira instância, mas parece claro que CESP tido bom progresso no processo, apontam os analistas. 

IMC (MEAL3)

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deu o sinal verde para a Sapore efetuar a compra de até 49,99% da IMC (International Meal Company).

Porém, há um impasse sobre o assunto: a Sapore disse que pretende cancelar a transação caso a IMC aprove, em assembleia, uma mudança no seu estatuto social que a obrigue a fazer uma oferta pela totalidade das ações em caso de sucesso da OPA, segundo nova versão do edital divulgada pela IMC.

Veja mais sobre o caso: 
"Guerra pelo frango": Sapore faz nova tentativa para "garfar" IMC e coloca acionistas em alerta

Cemig (CMIG4); Light (LIGT3)

De acordo com a Reuters, um executivo da Cemig afirmou que o cancelamento da oferta de ações da Light ocorreu por falta de acordo de preço. O plano de venda, porém, permanece de pé.

“Trabalhamos fortemente na [venda da] Light, mas não deu certo momentaneamente. A Light já está preparada para o passo seguinte. Nada está descartado. Pequenas questões que estão na mesa ainda podem voltar”, disse o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Maurício Fernandes Leonardo Júnior, em teleconferência com analistas e investidores.

Magazine Luiza (MGLU3)

O HSBC rebaixou os papéis de Magazine Luiza de “hold” para “reduzir”, elevando o preço-alvo de R$ 115 para R$ 128, implicando em um potencial de baixa de 25% em relação ao último fechamento.

Lojas Renner (LREN3)

A Renner também foi rebaixada pelo HSBC: de “buy” para “manutenção”. O preço-alvo foi elevado de R$ 35 para R$ 38, o que implica em um potencial de baixa de 3,8% em relação ao fechamento do último pregão.

B2W (BTOW3)

A B2W, anteriormente classificada como “buy” foi rebaixada a “manutenção” pelo HSBC. O papel teve o preço-alvo elevado de R$ 31,50 para R$ 38 - implicando em um potencial de baixa de 3,3% em relação ao último fechamento.

Copel (CPLE6)

A elétrica paranaense informou que o BNDES liberou R$ 674 milhões em financiamentos acertados com a instituição de fomento para projetos da companhia. De acordo com a Copel, na primeira liberação de recursos dos financiamentos foram autorizados R$ 513 milhões para a implantação do empreendimento Eólico Cutia e R$ 164 milhões para a Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu.

Com Agência Estado

 

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