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Cielo e Qualicorp, as duas piores ações do Ibovespa no ano, sobem forte com otimismo do mercado

Fora do índice, o papel do Banrisul avançou com o debate sobre privatização reacendendo no mercado  

Cielo 05 - Maquininha de cartão
(Divulgação Cielo)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelerou fortemente os ganhos na tarde desta quarta-feira (28), acompanhando o exterior, enquanto o dólar intensificou a baixa logo após declarações do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) Jerome Powell. A forte valorização das ações da Vale (VALE3) também impulsionou o índice.

Neste contexto, o Ibovespa encerrou em alta de 1,55%, aos 89.250 pontos, com volume financeiro de R$ 16,21 bilhões. O contrato de dólar futuro com vencimento em dezembro recuou 0,67%, cotado a R$ 3,849, e o dólar comercial teve queda de 0,88%, para R$ 3,843 na venda

Com o ânimo do mercado, ações de empresas que registravam baixas por diversas sessões, como a Cielo (CIEL3), maior tombo do Ibovespa no ano, e a Qualicorp (QUAL3), segunda maior queda do índice no ano, subiram forte. 

Fora do índice, o Banrisul (BRSR6) avançou com o debate sobre privatização reacendendo no mercado.

Confira os destaques do mercado nesta quarta-feira (28):

Petrobras (PETR3; PETR4)

A Petrobras alterna entre leves ganhos e perdas eguindo a cotação do petróleo e de olho na cessão onerosa, este último fator que fez com que os papéis subissem 5% na véspera. 

Ainda na última terça-feira (27), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), encerrou a sessão deliberativa que tinha como pauta principal o projeto que revisa a cessão onerosa da Petrobras. A ideia inicial era que o tema fosse colocado em votação ontem, mas a equipe econômica do governo Michel Temer resiste em fechar negociação sobre o assunto. Com isso, a pauta pode ser retomada na sessão desta quarta-feira (28).

Eunício deixou o Plenário sem falar com a imprensa. Antes do início da sessão, ele dizia que estava "muito próximo" de fechar um acordo com o governo para colocar a cessão onerosa em votação. O presidente do Senado evitou falar sobre os termos da negociação, mas a condição para a apreciação do projeto é a Casa Civil editar uma Medida Provisória que destinará 20% do bônus da cessão onerosa para estados e municípios. 

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"Após a sessão de ontem, o senador Romero Jucá (MDB-RR) reassumiu a liderança de governo do Senado a fim de editar a MP para hoje, com uma cláusula que agrade tanto ao governo atual quanto ao futuro governo de Bolsonaro e legislativo. É esperado para que o tema seja analisado pela casa ainda hoje e provavelmente aprovado", destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos.

Em conversa com a equipe da XP Política, Jucá afirmou que houve uma reunião com o presidente Michel Temer em que houve a discussão  formas e saídas para o repasse para os estados e municípios e que está  se buscando uma costura para que o repasse como uma partilha de receita não extrapole o teto de gastos.  

Ainda no radar da companhia, ela saiu derrotada em dois processos ontem no Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais). Os casos totalizam o valor aproximado de R$ 7 bilhões e envolvem a incidência de Cide e PIS/Cofins sobre remessas ao exterior para pagamentos de afretamento de embarcações para exploração de petróleo. A empresa informou que irá recorrer. 

A companhia ainda planeja retomar a unidade da Replan ainda neste mês, além de uma unidade de destilação atmosférica em janeiro. A Replan foi afetada por um incêndio em 20 de agosto.

De acordo com a Petrobras, a produção total no Brasil e no exterior somou 2,66 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 8% em relação ao mês anterior, com impulso de uma nova plataforma no pré-sal, dentre outros fatores. Houve, porém, queda de 4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Banrisul (BRSR6)

As ações do Banrisul avançam após a  secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, afirmar em entrevista à Rádio Gaúcha que o Rio Grande do Sul teria que incluir o Banrisul dentro dos ativos a serem privatizados para aderir ao Regime de Recuperação Fiscal. Ana Paula disse que a ausência do Banrisul do plano representaria um "impedimento total" para o Estado no RRF.

"O plano de privatizações é uma dificuldade. O Estado fez esforços nos últimos quatro anos, mas não foram suficientes. Por isso, é importante que o Banrisul entre no plano de privatizações", afirmou. Segundo ela, o Banrisul poderia render, pelo menos, R$ 4 bilhões aos cofres do Estado. "As companhias que foram incluídas no plano de privatizações somam R$ 1,8 bilhão, mas são R$ 9 bilhões em dívidas suspensas com a União. O Banrisul é a companhia mais valiosa do Estado e tem que estar no plano", ressaltou.

Contudo, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o futuro secretário da Fazenda do Estado, Marco Aurelio Santos Cardoso, já afirmaram que não pretendem incluir o banco no pacote de privatizações. "Vamos ter que negociar um plano de recuperação fiscal como um todo, sem incluir Banrisul", afirmou Cardos.

Conforme destaca o Itaú BBA, não é a primeira vez que o Ministério da Fazenda fala sobre o Banrisul, mas reforça o case para uma possível privatização. Segundo  Vescovi, o Banrisul valeria pelo menos R$ 4,0 bilhões para o estado do Rio Grande do Sul, que possui dívidas com o governo federal no valor de R$ 9,0 bilhões.

"Embora ainda não consideremos a privatização um cenário base para o Banrisul, a discussão sobre a privatização deve melhorar o sentimento do investidor em relação ao nome, possivelmente provocando uma re-rating para a ação", afirmam os analistas.

Eles lembram que as privatizações no Estado do Rio Grande do Sul exigem um referendo ou uma reforma constitucional. Uma mudança na constituição do Rio Grande do Sul, mesmo que para a privatização de outras empresas estatais (nos setores elétrico, de mineração e de gás), deve provocar uma reavaliação de para o Banrisul. Os analistas possuem recomendação outperform (desempenho acima da média) para as ações do banco. 

Vale (VALE3)

Após seis sessões seguidas de queda, a Vale tem fortes ganhos em um dia de alta do minério de ferro. A cotação da commodity à vista negociada no porto de Qingdao subiu 1,6%, a US$ 65,80 a tonelada. 

Vale destacar que o dia foi de ganhos nas bolsas asiáticas, em meio a esperanças renovadas para o encontro que os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, terão neste fim de semana para discutir suas divergências comerciais. 

O  diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmar que Washington está “se comunicando bastante” com o governo chinês, antes do aguardado encontro de Trump e Xi durante a cúpula do G-20 (grupo dos 20 países mais industrializados do mundo), na Argentina. 

Marfrig (MRFG3)

De acordo com informações do Valor Econômico, a Marfrig teve o sigilo fiscal quebrado no âmbito da Operação Computadores de Lama, que foi deflagrada ontem pela Polícia Federal, pela Controladoria Geral da União (CGU) e pela Receita Federal.

A Operação teve foco na gestão do ex-governador André Puccinelli (MDB) e é um desdobramento da Operação Lama Asfáltica, que apura irregularidades em benefícios fiscais em Mato Grosso do Sul. 

Procurada pelo jornal, a Marfrig informou que sua situação é “totalmente regular” perante à Secretaria da Fazenda de Mato Grosso do Sul “O afastamento do sigilo fiscal ocorre somente perante à Secretaria de Estado da Fazenda do Mato Grosso do Sul e refere-se exclusivamente às informações fiscais do período entre 01/01/2010 e 31/12/2014”, disse a empresa. De acordo com a Marfrig, “todos os débitos que possuía com o estado do Mato Grosso do Sul foram objeto de parcelamento”.

BB Seguridade (BBSE3)

Antônio Maurício Maurano, CEO da BB Seguridade e membro do conselho de administração, renunciou aos cargos na última terça-feira. No lugar, Werner Romera Süffertt, atual Diretor de Gestão Corporativa e Relações com Investidores, foi eleito pelo conselho para acumular interinamente a função de diretor-presidente da companhia.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O STF decidirá sobre as privatizações no primeiro semestre de 2019. A privatização de estatais precisa atualmente de aprovação do Congresso desde a decisão do ministro Ricardo Lewandowski em junho de 2018. Na época, a decisão suspendeu a privatização da CEAL.

"Nós vemos essa notícia como essencial para os planos agressivos de privatização do governo Bolsonaro", destaca o Brasil Plural, que aponta que a Eletrobras e outras empresas estatais que poderiam ser potenciais alvos de privatização do próximo governo como os nomes mais beneficiados, caso a decisão seja derrubada pelo STF.

Smiles (SMLS3)

A Smiles Fidelidade anunciou os nomes que compõem o comitê especial independente que avaliará a reorganização societária pretendida pela controladora, a Gol. Os nomes serão apresentados em Assembleia Geral Extraordinária convocada para esta quinta-feira (29). 

Em meados de outubro, a companhia aérea divulgou um plano de reestruturação que envolve a não renovação do contrato com a Smiles a partir de 2032 e a incorporação do programa de fidelidade, com fechamento de capital.

O conselho de administração da Smiles elegeu em reunião nesta quarta três membros independentes para o comitê. São eles: os economistas Ana Dolores Moura Carneiro de Novaes (ex-diretora da CVM) e José Guimarães Monforte (sócio da Emax Consultoria, presidente do conselho de Administração da Eletrobrás e conselheiro de várias empresas), e o engenheiro José Luiz Osório de Almeida Filho (conselheiro da BRF, ex-presidente da CVM e ex-diretor do BNDES).

Em comunicado, a Smiles afirma que o comitê terá autonomia e orçamento próprio para contratar eventuais assessores jurídicos e financeiros e terceiros consultores que venham a ser necessários para a execução dos trabalhos.

Unidas (LCAM3)

O conselho da Unidas aprovou a emissão primária de 31 milhões de ações ordinárias e a venda de pelos menos 7 milhões de ações detidas por Patria Pipe FIA. O Itaú BBA será o coordenador-líder, mas o Citigroup, Banco do Brasil, Bradesco BBI e JP Morgan também atuarão como coordenadores.

Pela cotação atual, a oferta seria de R$ 1,24 bilhões; o preço por ação na oferta será definido em bookbuilding no dia 13 de dezembro. Os recursos líquidos oriundos da oferta primária serão usados para aquisição de novos veículos para aumentar a frota e para o aprimoramento dos serviços prestados a clientes.

Notre Dame Intermédica (GNDI3)

A companhia alterou a data, de 6 para 7 de dezembro, para início das negociações das ações da oferta primária e secundária. Todos os demais termos, informações e condições sobre a oferta permanecem inalterados.

Vale destacar que o Cade aprovou sem restrições a compra da Green Line. A aquisição inclui a Green Line Sistema de Saúde, o Pronto Socorro Itamaraty,  a Maternidade do Brás e o Laboratório Bio Master.

Saraiva (SLED4)

A Justiça deferiu o processamento da recuperação judicial da companhia, que acumula dívidas de R$ 675 milhões. Entre as decisões, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo determinou que a companhia apresente um plano de recuperação judicial no prazo de 60 dias corridos.

Segundo comunicado, foi determinada a suspensão de todas as ações e execuções atualmente em curso contra a empresa, pelo prazo de 180 dias corridos. Além disso, Lucon Advogados foi nomeada para atuar como administradora judicial no processo.

Cemig (CMIG4)

A companhia reapresentou "de forma espontânea" as informações trimestrais da Cemig e da Cemig Distribuição por "divergência identificada na forma de contabilização da amortização de determinados ativos e passivos financeiros da concessão. Os ajustes representam um aumento da receita líquida da Cemig Distribuição. Confira:

2º trimestre de 2018:
Receita Líquida: R$ 5,61 bilhões
Lajida (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização): R$ 883,5 milhões
Prejuízo líquido: R$ 10,9 milhões

3º trimestre de 2018:
Receita líquida: R$ 6,25 bilhões
Lajida: R$ 902,3 milhões
Lucro líquido: R$ 244,5 milhões

(Com Agência Estado)

 

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