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B2W sobe 3,4% com Black Friday e "efeito Jaiminho" anula ganhos da Eletrobras

Derrocada das commodities empurrou Ibovespa para baixo e a ação da Vale ao seu pior pregão desde março de 2017

Black Friday
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A forte queda do petróleo e do minério de ferro derrubaram as ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3;PETR4), que puxaram o Ibovespa para o patamar negativo nesta sexta-feira (23).

O Ibovespa encerrou em queda de 1,43%, aos 86.230 pontos, com giro financeiro de R$ 12,77 bilhões. Na semana, o principal índice da B3 acumulou perda de 2,64%.

A moeda norte-americana encerrou em alta pela quarta sessão seguida, na maior sequência de altas desde agosto. O dólar comercial subiu 0,39%, cotado a R$ 3,823 na venda, e o contrato futuro do dólar para dezembro avançou 0,70%, para R$ 3,828.

As ações da Vale recuaram 6,83%, para R$ 50,35, na maior queda do ativo desde 21 de março de 2017, quando caiu 8,19%. As ações preferenciais da Petrobras caíram 3,10%. Juntas, Petrobras e Vale perderam R$ 28 bilhões em valor de mercado com "Black Friday" das commodities

O petróleo caiu 7% após o ministro do Petróleo da Arábia Saudita comentar que o país elevou muito as exportações neste mês após o aumento das mesmas em outubro. Nas últimas 7 semanas a commodity teve desvalorização de mais de 30%. 

Eletrobras (ELET6)

A Eletrobras, que chegou a subir 6% com o adiamento do leilão da Amazonas Distribuidora e com a indicação de que Wilson Ferreira Júnior deve continuar na companhia, passou a cair forte com a notícia sobre o possível futuro ministro de Minas e Energia. 

De acordo com Agência Infra, o deputado federal Jaime Martins (PROS-MG) foi convidado para o cargo de ministro de Minas e Energia, informaram fontes do governo de Jair Bolsonaro.

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No radar da companhia, a estatal mudou a data do leilão da Amazonas Distribuidora para 10 de dezembro, às 17h. O leilão estava previsto inicialmente para 25 de outubro, mas passou para 27 de novembro depois que o Senado decidiu rejeitar o projeto de lei que influenciava na solução dos passivos da distribuidora.

Na opinião do Itaú BBA, não haverá propostas até a aprovação da nova medida provisória. Até lá, os analistas acreditam que não serão feitas ofertas dados os riscos envolvendo a concessão.

Segundo o time de utilities do banco, o principal concorrente para o ativo continua a ser a Equatorial, que acreditam não incorrer em qualquer risco envolvendo questões legais ou políticas.

“Se Equatorial vencer, talvez seja necessário um aumento de capital para trazer alívio de balanço. Na velocidade que as coisas estão indo e com a saída do Congresso no próximo mês, acreditamos que as chances do leilão ser adiado para o próximo ano são altas”, escrevem.

Já segundo o Brasil Plural, o evento é positivo, pois esperam-se melhorias adicionais nos termos do leilão do governo federal, a fim de facilitar a privatização.

Vale destacar ainda que, segundo o Estadão, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou a Bolsonaro a permanência de Wilson Ferreira à frente da Eletrobras. A interlocutores, Guedes afirmou aprovar o trabalho de Ferreira na presidência da estatal. Bolsonaro, porém, ainda não bateu o martelo, diz o jornal.

Petrobras (PETR3;PETR4

As ações da estatal tiveram forte queda nesta sessão, levando a uma baixa no valor de mercado de R$ 9,1 bilhões para a empresa, para R$ 334 bilhões. Mais cedo, a baixa ainda era mais expressiva, com os papéis da estatal chegando a registrar forte queda de 5%. 

Esse movimento ocorre uma vez que o petróleo atingiu o menor nível de 2018 na sessão desta sexta-feira. O barril do tipo WTI, negociado nos EUA, chegou a cair 7,7% em meio a temores de sobreoferta a duas semanas de uma reunião dos países produtores. Nas últimas 7 semanas a commodity teve desvalorização de mais de 30%. 

Vale (VALE3) e siderúrgicas

Em dia de forte queda para o minério de ferro e com sinais de que as disputas comerciais entre EUA e China estão longe do fim, Vale e siderúrgicas como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) registraram forte queda. Além do minério de ferro, cobre e outros metais registraram baixa. 

As ações da Vale recuaram 6,83%, para R$ 50,35, na maior queda do ativo desde 21 de março de 2017, quando caiu 8,19%. O minério de ferro 62% à vista negociado em Qingdao fechou em baixa de 4,4%, a US$ 68,90, acumulando uma baixa de 8,26% na semana e guiando uma baixa de dois dígitos para as principais ações do setor na bolsa brasileira. 

Vale ressaltar que a principal bolsa chinesa, a de Xangai, fechou o pregão em baixa de 2,5%, em meio a preocupações renovadas com o clima de tensão comercial do país asiático com os EUA. O mau humor veio após relatos de que o governo americano está tentando persuadir países aliados a deixar de comprar equipamentos de telecomunicações da gigante de tecnologia chinesa Huawei.

Os chineses são os maiores consumidores mundiais de minério e outros metais básicos e, em meio aos receios na relação com os EUA, os papéis das empresas de commodities registram forte baixa.  

Em uma semana, os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, terão um encontro às margens da cúpula do G-20, a ser realizada na Argentina.

Banco do Brasil (BBAS3)

Rubem Novaes, futuro presidente do Banco do Brasil confirmado ontem, disse que privatização é prioridade. “Vamos procurar fazer operações que movimentem o mercado de capitais”, disse. “A orientação da equipe do governo é eficiência, enxugamento e privatização no que for possível. Vamos tornar o banco cada vez mais competitivo”, afirmou.

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Segundo o Credit Suisse, a notícia de Novaes no BB é positiva dado que seu histórico deve reforçar o foco do banco em eficiência e rentabilidade. Além disso, a nomeação reforça a visão de comprometimento da nova administração em indicar executivos altamente qualificados e com experiência. Os analistas do banco suíço reforçaram BB como top pick em América Latina, seguido por Bradesco (BBDC3;BBDC4). 

Saraiva (SLED4)

A Livraria Saraiva, rede de varejo líder em venda de livros no País, pediu recuperação judicial nesta sexta-feira. Com dívida de R$ 674 milhões, a companhia é a segunda empresa do setor em pouco mais de um mês a pedir proteção da Justiça para reestruturar débitos e tentar seguir em operação. A Livraria Cultura está em recuperação judicial desde o mês passado.

As dificuldades da Saraiva ficaram evidentes no início deste ano, quando a companhia atrasou pagamentos às editoras de livros - suas principais fornecedoras. A empresa voltou a ter dificuldades nos últimos meses, e foi iniciado um novo período de negociações. Após não conseguir fechar acordo, a companhia decidiu pela recuperação judicial.

No pedido feito à Justiça, a Saraiva lembrou que vem tentando reestruturar o próprio negócio - processo que está sendo tocado em conjunto com a consultoria Galeazzi & Associados. Recentemente, a companhia encerrou as atividades de 19 pontos de venda, sendo oito lojas tradicionais e 8 unidades iTown, que vendiam produtos de tecnologia da marca Apple. Neste processo, cortou 700 funcionários.

Outra medida tomada pela Saraiva foi a saída de categorias em que a rentabilidade é mais baixa - como a venda de produtos de tecnologia, na qual precisa bater de frente com pesos pesados como a Via Varejo (dona de marcas como Casas Bahia e Ponto Frio) e FastShop. A entrada no segmento foi decidida há alguns anos, como uma tentativa de "proteção" à perspectiva de queda nas vendas de livros.

Leia mais: Com dívida de R$ 674 milhões, Saraiva pede recuperação judicial

"Neste movimento (a saída da área de tecnologia), a Saraiva diminuirá substancialmente a geração de créditos tributários, uma das principais razões de consumo de caixa nos últimos anos", diz a empresa, no documento da recuperação judicial. Para continuar a ofertar eletrônicos e itens de tecnologia nas lojas, a companhia deverá buscar uma parceria com uma rede especializada no setor, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

BRF (BRFS3)

O conselho de administração da BRF aprovou tomar um empréstimo de curto prazo de US$ 55 milhões junto ao Banco do Brasil. Segundo a companhia, o empréstimo foi realizado em 14 de novembro, com custo fixo de 4,67% ao ano (equivalente a 109,0% do CDI).

Guararapes (GUAR3)

O conselho da controladora da Riachuelo, Guararapes, aprovou transformar o seu braço financeiro, a Midway S.A. em banco. A nova instituição será um banco múltiplo, com carteiras comercial e de crédito, financiamento e investimento. Segundo a companhia, o objetivo é “servir os clientes através de uma plataforma digital”.

Minerva (BEEF3)

A Minerva confirmou pedido da oferta pública inicial de ações (IPO) da Athena Foods na bolsa de valores de Santiago, no Chile.

Eucatex (EUCA4)

A Eucatex aprovou a 7ª emissão de debêntures no valor de R$ 120 milhões. Segundo a companhia, a emissão será em série única para investidores qualificados e o papel terá vencimento de 4 anos, com remuneração DI mais 3,4p.p./ano.

IMC (MEAL3)

A International Meal Company divulgou uma carta endereçada à Sapore em que questiona os motivos que levaram a empresa a fazer uma oferta por parte de suas ações. Segundo a companhia, como uma combinação dos negócios já chegou a ser tratada anteriormente entre as partes, representantes da Sapore já tiveram acesso às informações da IMC.

Ainda de acordo com a IMC, como a Sapore já teve acesso a informações sobre a empresa, seus acionistas ficam em desvantagem para decidir sobre a OPA. Por isso, o conselho de administração solicita à Sapore que informe os principais termos e condições para uma combinação dos negócios das empresas antes de recomendar a OPA.

Via Varejo (VVAR11)

No pregão de segunda-feira (26), deixarão de ser negociadas as ações preferenciais e as UNITs de emissão da Via Varejo no Nivel 2 devido à conversão de suas ações preferenciais em ações ordinárias. As ações ordinárias passarão a ser negociadas no Novo Mercado.

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(Com Agência Estado)

 

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