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Petrobras dispara 5%, Cemig avança 7% e Forjas Taurus salta 10% de olho nas eleições; Suzano cai 6%

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (26)

Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em forte alta com o mercado repercutindo as últimas pesquisas eleitorais otimistas para Jair Bolsonaro (PSL) em detrimento de Fernando Haddad (PT) às vésperas do segundo turno; desta forma, "ignorou" o cenário internacional negativo, que segue de olho na Itália, no Brexit e também na temporada de balanços em Wall Street.

Por aqui, a temporada de resultados também é destaque, caso de Renner e Usiminas, enquanto a Cielo abriu com ganhos (mas depois zerou a alta) em meio à mudança no comando da empresa. Estatais como Petrobras e Eletrobras (ELET3;ELET6), Banco do Brasil (BBAS3) também subiram forte de olho na corrida presidencial; estatais mineiras como Cemig (CMIG4) e Copasa (CSMG3) também avançam em meio ao favoritismo de Romeu Zema (NOVO) para as eleições do estado. Gol sobe forte em meio à queda do dólar, enquanto a Suzano, apesar de reportar resultados positivo, registra forte queda. 

 Confira os destaques do mercado nesta sexta-feira (26):

Cielo (CIEL3); Banco do Brasil (BBAS3)

Paulo Caffarelli vai deixar a presidência do Banco do Brasil em 5 de novembro e assumirá a Cielo com o objetivo de impulsionar as entregas e os resultados da companhia nesta era de "guerra das maquininhas"Em seu lugar ficará Marcelo Labuto, atual vice-presidente de negócios e varejo do banco.

“O Conselho tem total confiança de que Caffarelli fará um excelente trabalho à frente da Cielo, nesse momento de rápida evolução tecnológica da indústria”, afirmou Marcelo Noronha, Presidente do Conselho de Administração da Cielo, em comunicado. E completou: “O executivo já chega jogando.”

De acordo com análise do BTG Pactual, a Cielo precisa de um líder forte com uma mensagem forte - e Caffarelli pode ser essa pessoa. Confira a análise clicando aqui. 

Marfrig (MRFG3)

As ações da Marfrig foram elevadas de neutra para compra pelos analistas do HSBC. A equipe estima ainda, um preço-alvo de R$ 8 para os papéis da companhia.

Via Varejo (VVAR11)

A unit da Via Varejo registra a segunda sessão seguida de alta após a forte queda na quarta-feira, na esteira da divulgação de dados negativos para a companhia. 

O Bradesco BBI rebaixou a recomendação das ações de Via Varejo de compra para neutra, mas elevou o preço-alvo para 2019 de R$ 15,65 para R$ 19. De acordo com os analistas, os resultados da companhia  levantam preocupações sobre a execução da companhia de precificação. "Parece que há uma certa dificuldade em aumentar as vendas sem mexer na margem de investimento", escrevem.

Ainda de acordo com a equipe de análise, as expectativas para o 4º trimestre são baixas e os resultados podem ter um impacto significante no valuation. "Não temos uma convicção suficiente para suportar uma recomendação de outperform", escrevem os analistas.

Odontoprev (ODPV3)

Enquanto isso, a OdontoPrev registrou queda, apesar do BTG Pactual ter elevado a recomendação das ações de venda para neutra, e o preço-alvo de R$ 14 para R$ 15. Em relatório intitulado “O pior parece ter ficado para trás”, os analistas reforçam o bom momento da companhia e destacam que o downside parece mais limitado.

Apesar disso, citam que a companhia continua a apresentar queda de participação no segmento corporativo, o que representa cerca de 62% da receita. Por outro lado, a competitividade no segmento individual é melhor e os resultados parecem estar melhorando.

“Enquanto o valuation não está barato, acreditamos que qualquer diminuição de patamar dos preços das ações, dada uma aceleração dos ganhos, é improvável”, escrevem.

Forjas Taurus (FJTA3;FJTA4)

A Forjas Taurus teve nova alta impulsionada pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que está à frente nas pesquisas eleitorais para o 2º turno e é amplamente favorável ao uso de armas de fogo, deputados alinhados com o capitão reformado do Exército já se articulam para votar a revisão do Estatuto do Desarmamento. A mudança principal é passar a permitir a posse de armas por qualquer cidadão, o que é proibido no Brasil.

"Vamos votar o mais rápido possível a revisão do Estatuto do Desarmamento. O ponto central é simplificar a lei permitindo a posse de armas", disse o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), vice-líder do DEM e um dos mais influentes parlamentares da bancada evangélica na Câmara, em grande maioria apoiadora de Bolsonaro.

O projeto está pronto para ser votado no plenário da Câmara, depois de anos tramitando em comissões. O texto prevê o "direito de possuir e portar armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio", reduz a idade mínima para a compra de armas de 25 para 21 anos, e as taxas pagas ao governo.

Apesar de o assunto ser polêmico, é relativamente fácil de ser aprovado, já que requer maioria simples de votos. Com a adesão suprapartidária a Bolsonaro entre os congressistas, ele teria apoios suficientes para mudar as regras. Com isso, só em outubro, a ação ON da companhia subiu 561%, enquanto os ativos PN saltaram 527%. 

Petrobras (PETR3; PETR4)

A Petrobras subiu acompanhando principalmente o noticiário eleitoral, de olho nas maiores chances de Bolsonaro ganhar a eleição. O dia foi de leves ganhos para o petróleo.

Além disso, a Reuters, citando três fontes, informou que a Petrobras está negociando a venda da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com a norte-americana Chevron. De acordo com uma das fontes, as negociações estão avançadas e a companhia norte-americana "está muito perto de adquirir Pasadena", refinaria com capacidade de processamento de 110 mil barris por dia, diz a agência de notícias.

"Com base em múltiplos históricos de transações para refinarias na América do Norte, acreditamos que a totalidade de Pasadena pode valer entre US$ 250 e US$ 500 milhões. Embora a venda seja pequena, seria mais um passo positivo para a Petrobras cumprir sua meta de venda de ativos, para melhorar a liquidez e focar no desenvolvimento do pré-sal. Com a recém-anunciada venda dos ativos do Golfo do México, a Petrobras atingirá US$ 5,6 bilhões de seu programa de venda de ativos de US$ 21 bilhões para 2017/2018. Outras vendas de ativos que poderiam ajudar a empresa a se aproximar de sua meta até o ano de 2018 são a Nova Transportadora do Nordeste, a Braskem (BRKM5) e a PetroAfrica.

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Lojas Renner (LREN3)

A Renner registrou um lucro líquido de R$ 194,2 milhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 38,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento de vendas em mesmas lojas ficou recuou de 13,4% no terceiro trimestre de 2017 para 6,9% entre junho e setembro de 2018.

O Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado total (varejo e produtos financeiros) ficou em R$ 347 milhões - um aumento de 15,9%. A margem Ebitda, por sua vez, subiu 0,5 p.p para 20,3% no trimestre. No lado do resultado financeiro, a Renner registrou uma queda de 18,1% nas despesas líquidas, que atingiram R$ 17,5 milhões.

"Renner é um dos melhores veículos para estar exposto ao setor, combinando uma alta execução com alto beta e baixa participação no mercado", escrevem os analistas do BTG Pactual sobre o case, reiterando a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 35. Confira a análise completa clicando aqui. 

Pão de Açúcar (PCAR4)

Apesar dos resultados positivos, a sessão é de leve queda para as ações do Grupo Pão de Açúcar, que apurou lucro líquido de R$ 188 milhões no terceiro trimestre de 2018. O resultado é atribuído aos acionistas controladores e considera operações continuadas. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, esse lucro chega a R$ 726 milhões, crescimento de 194%.

O Ebitda da companhia foi de R$ 611 milhões entre julho e setembro, resultado 49,4% maior do que no ano anterior. O Ebitda ajustado a itens não recorrentes foi de R$ 670 milhões, alta de 24,3%.

"Como esperado, os resultados mostraram um forte desempenho em cima do melhor cenário macroeconômico, com inflação de alimentos subindo, e as iniciativas micro resultando em aumento de produtividade das lojas, traduzindo-se em crescimento de lucros e receita. O resultado veio bom e reforça nosso call mais positivo de curto prazo em cima de um bom momento operacional", apontam os analistas. 

CCR (CCRO3)

A CCR teve uma receita líquida de R$ 2,09 bilhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 5,4%, mas que frustrou os investidores por vir abaixo das estimativas. O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,26 bilhões - um recuo de 0,9%, enquanto a margem Ebitda ajustada ficou em 60,2%, uma queda de 3,8 p.p. O lucro líquido também caiu, 22,7%, para R$ 365,3 milhões.

Os resultados foram abaixo do esperado. Contudo, os papéis registraram ganhos. De acordo com a XP Research, os números foram impactados principalmente pela suspensão da cobrança pelo eixo suspenso, resultando em queda de 4,5% no tráfego consolidado, além de um resultado financeiro mais pressionado.

Grendene (GRND3)

A Grendene registrou lucro líquido de R$ 112,3 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 23,43% inferior ao lucro registrado um ano antes. A receita líquida, por sua vez, ficou praticamente estável, encerrando o período em R$ 599 milhões.

Suzano (SUZB3)

A Suzano registrou prejuízo líquido de R$ 108 milhões no terceiro trimestre, revertendo resultado positivo de R$ 801 milhões do mesmo período do ano passado, impactada principalmente pelo câmbio sobre financiamentos que incluem os obtidos para incorporar a Fibria.

O resultado operacional teve forte alta de 78,6% em um ano, com o Ebitda ajustado atingindo o recorde de R$ 2,118 bilhões.

A receita líquida da Suzano, por sua vez, ficou em R$ 4 bilhões, uma alta de 54,4% sobre o terceiro trimestre do ano passado, sustentada pelo aumento nos volumes vendidos, pela desvalorização do real contra o dólar e pelo aumento de preços.

A companhia teve um resultado considerado positivo mas, em meio à queda do dólar, de 1,30%, chegando aos R$ 3,655 na venda, o dia é de baixa para os ativos. 

Em teleconferência, a companhia informou que avalia que poderá concluir a operação de integração da rival Fibria entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro do próximo ano, liberando a empresa para discutir o crescimento futuro do grupo combinado em um momento em que o cenário de oferta e demanda de celulose no mundo está equilibrado.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas divulgou nesta sexta antes do pregão os resultados do terceiro trimestre de 2018. A receita líquida foi de R$ 3,86 bilhões, superando a maior estimativa, de R$ 3,77 bilhões, segundo a Bloomberg. O lucro líquido veio em R$ 289 milhões, ante prejuízo de R$ 19,1 milhões no segundo trimestre deste ano.

O Ebitda ajustado foi de R$ 703 milhões, contra R$ 453 milhões no mesmo período do ano anterior, enquanto a margem veio em 18%. Com relação aos embarques, os de aço totalizaram 1,77 milhões de toneladas e os de minério de ferro somaram 1,77 milhões de toneladas no período.

De acordo com a XP Research, o resultado operacional veio forte em todas as linhas, com preço e volume no mercado doméstico para cima, após um segundo trimestre distorcido pela greve. 

Em teleconferência, o vice-presidente comercial da siderúrgica, Miguel Homes, afirmou que a companhia deve manter seus preços de aço no Brasil no quarto trimestre e que já iniciou negociações com montadoras de veículos sobre reajustes de contratos válidos a partir do início de 2019. O reajuste pretendido pela Usiminas para as montadoras está num patamar acima dos cerca de 20% de aumento promovido pela companhia junto a clientes da distribuição de aço entre o final de 2017 e setembro.

Fleury (FLRY3)

O Grupo Fleury registrou uma receita líquida de R$ 683 milhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento de Vendas nas Mesmas Lojas teve um crescimento de 6,8%. O Ebitda veio em R$ 181,5 milhões (aumento de 11,1%), com margem de 26,6% (estável). O lucro líquido registrou R$ 90,3 milhões - em linha com o esperado pelo mercado.

Na opinião dos analistas do Morgan Stanley, a estratégia de focar na marca Fleury, com reposicionamento, disciplina de preço e controle de custo provaram-se certos, entregando todas as margens este ano apesar da expansão. "Mas acreditamos que tanto o crescimento quanto as margens estão perto de um pico e Fleury está negociando em linha com os múltiplos e pares de longo prazo. Além disso, o preço atual parece descontado em cerca de 25% de margem no valor terminal que consideramos ser justo", escrevem. 

Embraer (EMBR3)

As ações da Embraer registram expressivos ganhos apesar da queda do dólar, que prejudica a companhia uma vez que ela é exportadora. Matéria da Agência Estado do início do mês apurou que, em caso de vitória, a equipe de Bolsonaro avaliará as condições do acordo com a norte-americana Boeing, mas já trabalha com estudo técnico que defende que a união das duas é "imprescindível" para a sobrevivência da fabricante brasileira.

Já se eleito, Fernando Haddad (PT), por sua vez, promete questionar o acordo e "tomar todas as medidas jurídicas" para preservar o interesse da Embraer, apontava a reportagem.

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