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Bolsas desafiam previsões de Wall Street na volta das férias

O mercado acionário americano registrou altas em oito das últimas nove semanas e fechou em nível recorde na quarta-feira

Wall Street
(Juan Novakosky / Shutterstock.com)

(Bloomberg) -  As férias terminaram e Wall Street está de volta ao batente. O crash que muitos temiam enquanto curtiam a praia em agosto não se concretizou, mas é preciso ficar de olho.

Primeiro, as boas notícias. Apesar dos alertas em julho — por instituições como Goldman Sachs e Voya Asset Management — sobre o risco de turbulência e queda da liquidez no final do verão no Hemisfério Norte, a paz reinou nos mercados dos EUA. Aliás, o S&P 500 não oscilou mais de 0,8 por cento em nenhum dia. Sob determinados critérios, foi o mês de agosto mais tranquilo desde 1967.

O mercado acionário americano registrou altas em oito das últimas nove semanas e fechou em nível recorde na quarta-feira. O S&P 500 acumula ganho de 8,5% no ano, graças à disparada dos lucros das empresas e à expansão do PIB de mais de 4% no segundo trimestre.

“Uma das lições que aprendemos repetidas vezes é ignorar o ruído e focar no vetor fundamental do mercado acionário”, disse Rich Weiss, diretor de investimentos da American Century Investments. “E o principal vetor foi, é e continuará sendo a força da nossa economia.”

Para a festa continuar rolando em setembro, será preciso superar as armadilhas do calendário. Há grande preocupação com os mercados emergentes, onde moedas e outros ativos se depreciam e muitos esperam que o contágio se intensifique. O grande risco é o comércio internacional. Segundo relatos, o presidente americano, Donald Trump, pretende seguir adiante com o plano de impor tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses já nos próximos dias.

As atenções se voltarão para o setor de tecnologia, que registra o melhor desempenho neste ano. Executivos de Twitter, Facebook e Alphabet (dona do Google) darão depoimentos ao Congresso a partir de quarta-feira, em meio a acusações de natureza antitruste pelo presidente Trump. Na sexta-feira, saem os números de geração mensal de empregos nos EUA. Mais adiante, o Federal Reserve, o banco central, deve elevar a taxa básica de juros pela oitava vez desde 2015.

Tudo isso é motivo para o investidor ficar em estado de alerta. O estrategista Keith Parker, do UBS Group AG, prevê queda das bolsas em setembro. Christian Mueller-Glissman, do Goldman Sachs, recomendou uma estratégia baseada em opções de curto prazo do S&P 500 como proteção contra risco de correção. “Vemos alguns catalisadores para um aumento da volatilidade”, escreveu Mueller-Glissman em relatório. “Comparado com o regime de baixa volatilidade do ano passado, o contexto macroeconômico é menos favorável, com impulso negativo no crescimento global, aperto de política monetária e mais incerteza em relação à política econômica.”

Mas por que as bolsas desafiam os alertas de Wall Street? Talvez porque os investidores tenham reduzido o risco antes do mês que foi o pior no mercado acionário nas últimas duas décadas. Os gestores de recursos estavam preparados para más notícias. Os fundos de hedge, por exemplo, diminuíram a exposição a ações ao menor nível do ano.

Outra teoria é que o tombo nos mercados emergentes e a batalha de Trump para redefinir o comércio internacional sejam motivos para investir nos EUA — e não obstáculos ao avanço do mercado local. Afinal, o lucro das componentes do S&P 500 cresceu nada menos que 24% por dois trimestres consecutivos e as empresas aceleraram a recompra de ações.

Há mais motivos para otimismo. Desde 2009, o S&P 500 subiu a partir de setembro em todos os anos. O ganho médio anual foi de 7,2% — variando entre 1,4% em 2012 e 13,9% em 2010.

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