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As 4 eleições estaduais que todo o investidor de ações vai ter que acompanhar

Não é só a eleição para presidente que está sendo acompanhada de perto pelo mercado -  muitas empresas estatais podem mudar seu cenário na bolsa dependendo do resultado do pleito em âmbito estadual

Urna Eleitoral
(Agência Brasil)

SÃO PAULO - Os anos de corrida eleitoral ao Planalto são sinônimos de alta volatilidade no mercado financeiro. Mas este, em especial, pelo alto nível de incerteza sobre até quem mesmo irá para o 2º turno, está gerando um estresse ainda maior. Porém, não só os presidenciáveis estão "fazendo preço" na Bolsa - os investidores também devem ficar ligados nas eleições estaduais e seus impactos nas estatais listadas.

De olho nisso, o InfoMoney separou uma lista de sete empresas públicas que estão expostas diretamente as eleições para governador, assim como estão as intenções de votos em cada região e o viés político-econômico do candidato líder nas pesquisas. Confira:

1. São Paulo (CESP / SABESP)

Além de ser o maior PIB (Produto Interno Bruto) entre os estados, acompanhar o debate entre os governadores de São Paulo também é importante para os investidores já que no estado reside duas estatais que fazem parte dos índices elaborados pela B3: Sabesp (SBSP3), com 0,67% de representatividade no Ibovespa; e Cesp (CESP6), que tem participação de 0,22% no IbrX-100.

No caso da empresa que cuida do sistema de saneamento básico e abastecimento do estado de São Paulo, a grande preocupação do mercado sobre um novo governo reside sobre as negociações com a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) para a proposta de revisão tarifária, que segue decepcionando o mercado, como ficará o futuro da capitalização da estatal após a holding criada no final do ano passado para receber investimentos privados.

Prova que a influência política faz preço no papel, em maio o governador de São Paulo, Márcio França, trocou o comando da empresa e colocou no lugar de Jerson Kelman a subsecretária de inovação da Secretaria de Governo Karla Bertocco. Naquele mês, os papéis recuaram 25,6%, com o mercado não digerindo bem com o mercado colocando em xeque justamente a experiência da atual gestão em negociar o processo de revisão tarifária.

No caso da Cesp, a questão-chave do mercado é o leilão de privatização da elétrica paulista e o viés político-econômico do novo governador é fundamental nesse processo. Um governo de direita, que domina o estado por 24 anos via PSDB, está muito mais inclinado pela privatização da empresa, como inclusive já foi defendido pelo líder das pesquisas em São Paulo, João Doria. O ex-prefeito de SP defende o legado deixado por Geraldo Alckmin e já afirmou que estudará a venda da participação do governo na Cesp se vencer a eleição, que, pelas últimas pesquisas, deve ir para o segundo turno e consequentemente encerrada em 28 de outubro. Esse detalhe é bastante importante, pois está previsto para 2 de outubro o leilão da empresa e caso ocorra o adiamento, algo que não descartado pelo mercado em vista das eleições, o processo estará assegurado.

A última pesquisa Datafolha, que data de 22 de agosto, aponta que Doria está na liderança isolada com 25% das intenções de voto, seguido por Paulo Skaf (MDB) com 20%, que também possui um viés econômico pró-mercado. Luiz Marinho, candidato do PT e que poderia ser contra o processo de privatização pelo histórico do partido, possui 4% das intenções de votos.

Debates previstos para o governo de São Paulo

16 de setembro - TV Gazeta/Estadão
19 de setembro - SBT/Folha
28 de setembro - TV Record
2 de outubro - Rede Globo

2. Minas Gerais (CEMIG / COPASA)

Assim como no caso de São Paulo, as eleições de Minas Gerais influenciam uma empresa do setor elétrico e outra de saneamento básico. No primeiro caso estamos falando da Cemig (CMIG4), que possui 0,49% de participação no Ibovespa, enquanto no segundo a referência fica por conta da Copasa (CSMG3), com 0,18% de representatividade no IbrX-100.

Com relação a Companhia Energética de Minas Gerais, a preocupação dos investidores está no andamento do plano de desinvestimento apresentado em junho de 2017 para reduzir sua dívida líquida, que na época somava R$ 13 bilhões. Prova do seu bom ritmo foi que logo em setembro, mesmo a contragosto do governo Fernando Pimentel (PT), que disputa a releição com o tucano Antonio Anastasia, o governo federal leiloou por R$ 12,1 bilhões as concessões de quatro usinas da Cemig. Na época, o petista criticou a "manobra" de Michel Temer: "o tempo dirá se a decisão do governo federal foi a mais correta para o País. Para Minas Gerais, com certeza não foi", afirmou Pimentel.

Como a empresa ainda está neste processo de desalavancagem, não por acaso formalizou na última sexta-feira (24) a venda dos ativos de telecom por R$ 648,9 milhões para a Algar Soluções e a American Tower do Brasil, o mercado fica com a "pulga atrás da orelha" se o petista irá desacelerar esse ritmo. Apesar do seu viés de esquerda, tradicionalmente contra as privatizações, Pimentel apoiou recentemente a venda de 49% das ações da Codemig (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) para o governo quitar as dívidas, especialmente com o funcionalismo público, como pretende reformar a previdência de MG caso reeleito em outubro. Pelo sim ou pelo não, o viés político fala mais alto para o mercado e acompanhar o rumo das eleições em MG será decisivo para o futuro do programa de redução de dívida da Cemig.

Assim como no caso da Sabesp, a relação política entre Copasa e o órgão regulador, no caso a Arsae (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais), está entre os riscos de uma mudança de governo. Até então, o mercado não tem o que reclamar desta relação, que foi bastante elogiada em julho do ano passado quando foi executada a última revisão tarifária (de decepção à surpresa feliz: a virada da Copasa em 2 meses (e como o regulador pode aprender com os erros)

Mesmo assim, em relatório recente, os analistas do BTG Pactual reforçaram que um candidato pró-mercado, como é considerado Anastasia, será uma boa notícia para a empresa e resultaria em um upside a mais para o papel. Segundo a última pesquisa Datafolha para o estado, divulgada em 22 de agosto, o tucano aparece com 29% no primeiro turno, seguido por Pimentel com 20%, em consonância com a "torcida" do mercado.

Debates previstos para o governo de Minas Gerais

18 de setembro - TV Alterosa
28 de setembro - TV Record
2 de outubro - Rede Globo

3. Paraná (COPEL / SANEPAR)

Do estado do Paraná, outras duas estatais do setor de energia e saneamento estão à mercê do ambiente político: Copel (CPLE6), que possui 0,15% de participação no Ibovespa, assim como Sanepar (SAPR11), com 0,23% de representatividade no principal índice de ações do mercado brasileiro.

Ao contrário do que se pode imaginar, tendo em vista o histórico recente, quem está mais sofrendo com as turbulências políticas é a Companhia Paranaense de Energia. Tudo isso porque, o deputado estadual Ratinho Junior (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado com 33% conforme a última pesquisa Ibope publicada na quarta-feira (22), criticou na semana passada a recente alta de 16% nas tarifas da Copel autorizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A ofensiva do candidato do PSD, que lidera com folga as pesquisas, não é novidade e deixa o mercado com um "pé atrás" em investir no papel neste momento de eleições. Além de criticar abertamente o reajuste, no começo do mês afastou qualquer chance de privatização da empresa: "a Copel é patrimônio dos paranaenses, tem sua função social e não vai ser vendida. O que vamos fazer é modernizar a sua gestão”, afirmou. Segundo ele, a estrutura da empresa é ineficiente e atualmente possuem muitos cargos de indicações políticas, como diretorias que podem ser extintas - "vamos fazer mais com menos", prometeu.

Após todas essas declarações do potencial governador do Paraná, o diretor financeiro da empresa, Adriano Rudek, concedeu uma entrevista para a agência de notícias Reuters para defender seu lado. Segundo ele, não existem riscos de o resultado das eleições em outubro impactar na política tarifária da companhia e que o próprio estatuto assegura esse direito para a empresa: "sinceramente, vejo com surpresa esses comentários, porque a Copel está muito blindada com relação a esses tipos de discursos demagógicos. Temos no nosso estatuto uma restrição, uma blindagem em relação a esse tipo de ação (...) não vejo nenhum risco de que isso possa acontecer", disse Moura.

Com tantas incertezas no ar, os analistas do Morgan Stanley e da Brasil Plural recomendam aos investidores muita atenção para o rumo das eleições do estado, uma vez que seu resultado será um gatilho para os papéis no curto prazo. Pela queda de 20% desde maio, quando as primeiras pesquisas começaram ser divulgadas, a expectativa não é tão positiva para este ano.

O mesmo temor sobre a garantia de que as tarifas não serão alteradas pelo novo governo rege a Companhia de Saneamento do Paraná. Como a Copel, a empresa vem sofrendo com as indicações de Ratinho Junior, que assustou os investidores ao pleitear a suspensão do reajuste tarifário da empresa de energia, política que pode ser perfeitamente replicada para a companhia de saneamento, que conta com maior influência do governo estadual, como cravou que a "Sanepar não se vende".

Debates previstos para o governo do Paraná

28 de setembro - TV Record/Jovem Pan
2 de outubro - Rede Globo

4. Rio Grande do Sul (Banrisul)

Por fim, saindo do setor de energia & saneamento e indo para o bancário, no Rio Grande do Sul o Banrisul (BRSR6) que está sendo afetado diretamente pelas eleições. Com participação de 0,22% no IbrX-100, a estatal estacionou entre R$ 17,00 e R$ 13,00 nos últimos 2 meses na expectativa pelas indicações dos candidatos sobre a privatização do banco, tema que agita o papel desde o ano passado.

No primeiro debate entre os candidatos ao governo gaúcho, realizado na última quinta-feira (16), este foi um dos temas questionados e José Ivo Sartori (MDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto com 20%, defendeu a privatização para equilibrar as contas do Estado, que está uma situação crítica com uma dívida avaliada em R$ 58 bilhões. Com o mesmo viés econômico, Eduardo Leite (PSDB), que está tecnicamente empatado com Miguel Rossetto (PT) com 8%, também defende a iniciativa de privatização, obviamente contrário ao candidato petista.

Ter uma base forte é ainda mais importante para esse processo, já que no RS a privatização somente é aprovada caso a Assembleia Legislativa vote a autorização do processo para plebiscito, que é uma das contrapartidas exigidas pela União para adesão ao RRF (Regime de Recuperação Fiscal). Esse tema é tão sensível e importante para a empresa, que, mesmo com o resultado do segundo trimestre acima do esperado e o valuation atrativo, os analistas do BTG Pactual não elevaram a recomendação do papel de "neutro" para "compra": "alertamos que o nervosismo nas eleições de governador do Estado pode adiar uma reclassificação da empresa. Portanto, mantemos nossa recomendação 'neutra' por enquanto".

Debate previsto para o governo do Rio Grande do Sul

2 de outubro - Rede Globo

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