Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa afunda 3% e dólar dispara para R$ 3,85 com "risco Turquia"

Investidores repercutem também o primeiro debate entre os presidenciáveis na noite de ontem

Erdogan
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Caminhando para a quinta queda consecutiva, o Ibovespa afundava 3% nesta sexta-feira (10), enquanto o dólar disparava para R$ 3,85, com o clima de aversão ao risco que domina os mercados em vista da crise cambial na Turquia, com a moeda chegando a desvalorizar 20% na mínima do dia após fala do presidente Recep Erdogan e novas sanções de Trump contra o país.

Às 13h50 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 2,95%, aos 76.443 mil pontos, com volume financeiro de R$ 3,23 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, disparava 1,29%, cotado a R$ 3,85 na venda, com os investidores em busca de proteção em vista da tensão gerada na Turquia, que contamina as principais bolsas do mundo e o mercado local. O ETF da Turquia afundava 16%, caminhando para seu pior dia na história.

As bolsas europeias recuavam mais de 2%, enquanto Dow Jones e S&P 500 amargavam queda de 0,7% e 0,6%, respectivamente, com os investidores na expectativa pelo pronunciamento do presidente turco sobre um "novo modelo econômico", que está gerando grande apreensão com as sinalizações de Erdogan. Mais cedo, o presidente fez uma declaração aos jornalistas que preocupou sobre o viés pouco ortodoxo do programa: “não se esqueça disso - se eles têm dólares, nós temos nosso povo, nosso direito, nosso Alá”, ressaltou. Para completar, Donald Trump autorizou dobrar as tarifas de alumínio e aço para 20% e 50%, respectivamente, o que azeda ainda mais o humor do mercado.

Com a derrocada da lira turca, os investidores já estão de olho no contágio do sistema financeiro europeu, o que pressiona as ações dos bancos no velho continente. Segundo o jornal Financial Times, a exposição dos bancos europeus ao país é de algo em torno de US$ 100 bilhões.

Resultados mexem com o mercado

As ações da BRF (BRFS3) recuam forte após o resultado do segundo trimestre abaixo do esperado pelo mercado. A empresa registrou registrou prejuízo líquido para R$ 1,574 bilhão no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 166 milhões no mesmo período de 2017. Segundo Pedro Parente, presidente da empresa, o desempenho ficou aquém do potencial.

Ainda falando sobre resultados considerados fracos pelo mercado, a B2W (BTOW3) teve prejuízo líquido de R$ 108,8 milhões ante prejuízo de R$ 111,8 milhões no segundo trimestre de 2017, superando a expectativa do mercado. Nem mesmo a redução de queima de caixa animaram os investidores. Sua controladora, Lojas Americanas (LAME4), também decepcionou, com lucro encolhendo 56% frente ao segundo trimestre do ano passado.

Do outro lado, a CVC (CVCB3) surpreendeu positivamente após uma sequência de dados operacionais negativos e registrou lucro líquido ajustado de R$ 35,2 milhões, salto de 63,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado e acima da expectativa de R$ 27,3 milhões do mercado. O Ebitda ajustado subiu 18,7%, para R$ 118 milhões, superando a maior estimativa entre os analistas consultados pela Bloomberg de R$ 115 milhões.

Quer aproveitar para investir na empresa e ainda pagar a menor corretagem do Brasil? Clique aqui e abra sua conta na Clear

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 19,97 -6,11 -18,29 20,49M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 16,82 -5,77 -0,89 44,22M
 BRFS3 BRF SA ON 20,70 -5,22 -43,44 52,96M
 SBSP3 SABESP ON 25,41 -4,83 -23,78 6,87M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,85 -4,46 -6,42 5,98M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CVCB3 CVC BRASIL ON 44,60 +4,21 -6,65 21,72M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 44,87 +1,98 +141,23 38,78M
 FIBR3 FIBRIA ON 75,40 +0,80 +58,64 20,84M
 EMBR3 EMBRAER ON 18,55 +0,49 -6,80 10,61M
 EQTL3 EQUATORIAL ON 57,85 +0,43 -10,35 7,53M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

IMTV

O Painel WW, apresentado por William Waack, debate sobre o que o mercado pensa sobre as eleições. Participarão da conversa Chris Garman, cientista político e analista-chefe da consultoria internacional Eurasia Group, Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice e Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores Associados. O programa será exibido a partir das 14h00 na IMTV e no Youtube do Painel WW

Debate da Band

O grande destaque do noticiário político fica para a repercussão do debate entre candidatos à Presidência na TV Bandeirantes, que não trouxe respostas profundas aos eleitores sobre grandes problemas enfrentados pelo país, como o alto índice de desemprego e a crise fiscal. Oito dos 13 presidenciáveis se debruçaram sobre temas como geração de empregos e até aborto, mas houve pouca discussão sobre escândalos de corrupção, ou sobre assuntos como a reforma da Previdência. Os ataques pessoais típicos de eleições passadas também foram tímidos. 

Jair Bolsonaro disse que o Brasil precisa voltar a fazer comércio com o mundo sem viés ideológico, ser desburocratizado, desregulamentado; falou em cortar o preço dos pedágios e acabar com a indústria de multas. Enquanto isso, Ciro Gomes falou em fazer uma nova reforma trabalhista e chamou a atual de “selvageria”; falou em descartelizar o sistema financeiro, sem dizer o que isso significa.

Veja mais:
Sem Lula, Bolsonaro mantém liderança com 23%, mas rejeição é de 57%, mostra XP/Ipespe
Bolsonaro "light", Alckmin na defesa e um inusitado destaque: a opinião dos analistas sobre o debate
"50 tons de Temer" e poucos ataques: os destaques do primeiro debate eleitoral

Marina Silva, da Rede, teve pouco protagonismo e bateu na tecla de que aqueles que criaram o problema não vão resolver o problema. Geraldo Alckmin defendeu a reforma trabalhista, disse que é preciso confiança para trazer o investimento e o crescimento econômico e falou em maior abertura econômica e novos acordo comerciais. 

Em geral, os analistas políticos avaliam que o debate foi morno, sem tantas respostas sobre os principais problemas brasileiros e com poucos ataques, apontando que os candidatos ainda buscando reconhecer o terreno em que pisarão nos próximos meses - clique aqui e confira a análise completa.

Pesquisa eleitoral XP/Ipespe

A primeira pesquisa eleitoral realizada após a conclusão do período das convenções partidárias, que confirmou os candidatos à presidência da República e as respectivas alianças formadas, continuou mostrando o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) na liderança da disputa nos cenários em que não é considerado o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo levantamento feito pelo Ipespe entre 6 e 8 de agosto, o 12º da série encomendada pela XP Investimentos, Bolsonaro tem entre 19% e 23% das intenções de voto, dependendo da simulação de primeiro turno observada. Em 3 das 4 testadas, observou-se uma oscilação positiva de 1 ponto percentual em seu apoio, movimento dentro da margem de erro, de até 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Bolsonaro também lidera na corrida espontânea, quando nomes de candidatos não são apresentados aos eleitores. Neste cenário, o parlamentar tem 17% das intenções de voto, tecnicamente empatado por Lula, que oscilou de 13% na semana passada para 15%. O líder petista corre riscos de ser impedido de participar da disputa em função da Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de condenados em segunda instância. Os ex-governadores de São Paulo e do Ceará, Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), respectivamente, têm 3% cada, ao passo que o senador Álvaro Dias (Podemos) aparece com 2%. Brancos, nulos e indecisos somam 58% do eleitorado - clique aqui e confira a reportagem completa.

 

Contato