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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta sexta-feira

Repercussão do primeiro debate presidencial de 2018 e temporada de balanços no radar dos investidores

debate band
(Kelly Fuzaro/Band)

SÃO PAULO - O noticiário político segue sendo destaque no Brasil após o primeiro debate de presidenciáveis que aconteceu na noite da véspera. O tom foi morno e sem surpresas. Como já era de se esperar, Geraldo Alckmin (PSDB) foi criticado por sua aliança com o centrão, a ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi lembrada por Guilherme Boulos (Psol), que chamou Henrique Meirelles "candidato dos banqueiros". Já no noticiário internacional, a sessão é majoritariamente de baixa com a Turquia roubando a cena em meio a dificuldades de controlar o mercado  e diante de receios de exposição de bancos europeus ao país. 

Veja no que ficar de olho nesta sexta-feira:

1. Bolsas mundiais

A sessão é de forte queda para as bolsas europeias, com receios sobre a Turquia, em meio a notícias sobre a cautela com a exposição de bancos do continente ao quadro financeiro e econômico frágil do país em meio a um momento de tensão diplomática do país com os EUA. 

A lira turca chegou a despencar mais de 11% e atingiu um novo recorde de baixa antes de pronunciamento do presidente Recep Erdogan. “Não se esqueça disso: se eles têm dólares, nós temos nosso povo, nosso direito, nosso Alá”, disse Erdogan mais cedo do lado de fora de uma mesquita, segundo a mídia estatal. O mecanismo de supervisão do BCE vê BBVA, UniCredit, BNP Paribas como particularmente expostos à Turquia em meio à queda da lira, informou o Financial Times, citando duas pessoas familiares ao tema; BCE e bancos não comentaram, segundo o jornal. A sessão também é de baixa para os índices futuros norte-americanos, que também monitora os dados de preços ao consumidor dos EUA a serem divulgados nesta manhã. 

Já na China, o dia foi de alta modesta na Bolsa de Xangai, enquanto no Japão foram avaliados dados do Produto Interno Bruto (PIB) e o iene forte pressionou as ações locais. No mercado de commodities, o petróleo WTI tem leve baixa e metais em Londres caem. 

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 8h (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,40%

*Nasdaq futuro (EUA) -0,51%

*Dow futuro (EUA) -0,37%

*DAX (Alemanha) -1,54%

*FTSE (Reino Unido) -0,69%

*CAC-40 (França) -1,10%

*FTSE MIB (Itália) -1,54%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,84% (fechado)

*Xangai (China) +0,04% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,33% (fechado)

*Petróleo WTI +0,25%, a US$ 66,96 o barril

*Petróleo brent +0,31%, a US$ 72,29 o barril

*Bitcoin US$ 6.399,84 +0,70%
R$ 25.400 +1,20% (nas últimas 24 horas)

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2. Agenda de indicadores 

A agenda doméstica tem a divulgação das vendas no varejo em junho, às 9h (de Brasília), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A expectativa é de aumento de 0,1% em junho na comparação mensal, depois de caírem 0,6% em maio, mês marcado pela greve dos caminhoneiros, segundo estimativa mediana da Bloomberg. Destaque ainda para a pesquisa XP/Ipespe, a ser divulgada nesta manhã, trazendo mais dados sobre o cenário eleitoral após o último levantamento eleitoral da CNT/MDA em São Paulo não trazer boas notícias para o candidato tucano, Geraldo Alckmin. 

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão conhecidos os dados da inflação ao consumidor do país, com estimativa de leve aceleração de 0,2% em julho. 

3. IMTV

O Painel WW, apresentado por William Waack, debate sobre o que o mercado pensa sobre as eleições. Participarão da conversa Chris Garman, cientista político e analista-chefe da consultoria internacional Eurasia Group, Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice e Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores Associados. O programa será exibido a partir das 14h na IMTV e no Youtube do Painel WW

4. Notícias do dia

O grande destaque do noticiário político fica para a repercussão do debate entre candidatos à Presidência na TV Bandeirantes, que não trouxe respostas profundas aos eleitores sobre grandes problemas enfrentados pelo país, como o alto índice de desemprego e a crise fiscal. Oito dos 13 presidenciáveis se debruçaram sobre temas como geração de empregos e até aborto, mas houve pouca discussão sobre escândalos de corrupção, ou sobre assuntos como a reforma da Previdência. Os ataques pessoais típicos de eleições passadas também foram tímidos. 

Jair Bolsonaro disse que o Brasil precisa voltar a fazer comércio com o mundo sem viés ideológico, ser desburocratizado, desregulamentado; falou em cortar o preço dos pedágios e acabar com a indústria de multas. Enquanto isso, Ciro Gomes falou em fazer uma nova reforma trabalhista e chamou a atual de “selvageria”; falou em descartelizar o sistema financeiro, sem dizer o que isso significa. 

Marina Silva, da Rede, teve pouco protagonismo e bateu na tecla de que aqueles que criaram o problema não vão resolver o problema. Geraldo Alckmin defendeu a reforma trabalhista, disse que é preciso confiança para trazer o investimento e o crescimento econômico e falou em maior abertura econômica e novos acordo comerciais. 

Os jornais destacam percepções distintas sobre quem se saiu melhor no debate. O Estadão apontou que Alckmin foi mais pressionado que Bolsonaro, sendo que este último não teria desgastado seu patrimônio e tentou transmitir o recado de que não é um desequilibrado. O Valor, por sua vez, apontou que Bolsonaro e Alckmin foram os mais atacados e que o primeiro foi o grande perdedor. Já para a Folha, o desempenho de Bolsonaro agradou tanto a seus fãs quanto aos seus críticos. 

Enquanto todos estavam na expectativa pelo debate, a Standard & Poor's reiterou na noite de ontem a nota BB-/B do Brasil, com perspectiva estável, e disse que o atraso na adoção de medidas para corrigir desequilíbrios fiscais pesa do rating. A agência disse que a solidez relativa das contas externas, flexibilidade e credibilidade das políticas monetária e cambial ajudam a compensar a fraqueza fiscal e a incerteza em torno das eleições. 

Falando em fiscal, segundo aponta o Estadão, com manobra relâmpago, os ruralistas retomam benefício de R$ 17 bilhões, realçando risco de deterioração fiscal após impacto do reajuste do Judiciário, que pode chegar a R$ 4 bilhões. 

5. Noticiário corporativo

A B3 teve lucro líquido recorrente no segundo trimestre de R$ 857,8 milhões, crescimento de 80,3% ante mesmo período de 2017, com recordes de volumes e receitas nos segmentos de derivativos e ações. A BrMalls mais do que dobrou seu lucro líquido ajustado e alcançou R$ 126,5 milhões no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior. A alta é decorrente, principalmente, do crescimento no resultado financeiro e o maior controle de inadimplência de lojistas. 

A Cyrela reduziu seu prejuízo líquido de R$ 141 milhões no segundo trimestre de 2017 para R$ 28 milhões neste ano, em decorrência do maior faturamento e corte de despesas. A Lojas Americanas teve lucro líquido de R$ 26,3 milhões, encolhendo 58% na comparação com o segundo trimestre de 2017. O

A B2W teve prejuízo líquido de R$ 108,8 milhões ante prejuízo de R$ 111,8 milhões no segundo trimestre de 2017. A Sabesp teve lucro líquido de R$ 181,9 milhões, recuo de 45%, e Ebitda ajustado de R$ 1,383 bilhão, alta de 29,8% em base anual. A receita operacional líquida alcançou R$ 3,67 bilhões, aumento de 5%.

A MRV registrou lucro líquido de R$ 166 milhões, alta de 17,9%, e o Ebitda alcançou R$ 248 milhões no segundo trimestre, alta de 29,9%. A receita operacional líquida cresceu 7,4%, para R$ 1,295 bilhão. O lucro líquido da Natura despencou 80,5% no segundo trimestre, para R$ 31,8 milhões, em decorrência de despesas financeiras e custos com a The Body Shop. 

A CVC teve lucro líquido ajustado de R$ 35,2 milhões, salto de 63,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado. O Ebitda ajustado subiu 18,7%, para R$ 118 milhões. O lucro líquido atribuído aos sócios da JSL controladora, que é usado como base para a distribuição de dividendos, foi de R$ 33,3 milhões, aumento de 231%. 

A Invepar teve prejuízo líquido de R$ 192,1 milhões, valor três vezes superior ao observado no segundo trimestre do ano passado. A Biosev registrou prejuízo líquido de R$ 506 milhões no seu primeiro trimestre da safra 2018/19 (abril/maio/junho), ante prejuízo de R$ 577 milhões no mesmo período da temporada passada. A CPFL Renováveis teve prejuízo líquido de R$ 36,54 milhões, valor 49,1% menor que o prejuízo de R$ 71,8 milhões no segundo trimestre do ano passado. 

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) instaurou novo processo que pode resultar em punição contra os donos da JBS, os irmãos Wesley e Joesley Batista. São processos administrativos, inquéritos e sancionadores que envolvem não apenas a família e as empresas do grupo, mas também fornecedores e até concorrentes, como a BRF. O processo apura a atuação dos irmãos e mais três conselheiros da JBS, inclusive o pai deles, José Batista Sobrinho, no monitoramento de políticas internas da empresa, incluindo a política de proteção cambial. 

O novo processo apura a atuação dos dois e de mais três conselheiros da JBS, inclusive o pai deles, José Batista Sobrinho, no monitoramento de políticas internas da companhia, inclusive a política de proteção cambial. São fatos que começaram muito antes da delação, entre 2013 e 2017, mas vieram à tona com o pente fino do xerife do mercado de capitais no grupo.

O Conselho de Administração da Eletropaulo aprovou a emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures, em até três séries, para distribuição pública com esforços restritos. A operação é “parte de sua estratégia financeira de revisão do patamar e condições de seu endividamento, e os recursos captados serão integralmente destinados pela companhia em atividades de refinanciamento de seu passivo, dentro dos seus negócios de gestão ordinária”.

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