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Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

Confira ao que se atentar nesta segunda-feira e ao longo da semana

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Após a quinta semana seguida de alta do Ibovespa, a segunda-feira (30) começa com pressão nos principais mercados de ações pelo mundo, em uma sessão que abre semana repleta de eventos, como reuniões do Copom, Federal Reserve, Bank of Japan, Bank of England, relatório de emprego e diversos balanços. No Brasil, atenção ainda para o prazo final para a realização de convenções partidárias. Veja os destaques desta segunda e da semana:

1. Bolsas mundiais

Nesta segunda-feira, o mercado internacional ainda sente os efeitos dos resultados corporativos ruins - principalmente, de empresas de tecnologia, como Intel e Twitter - que derrubaram a Nasdaq no fim da última semana, apesar da boa notícia quanto ao crescimento de 4,1% do PIB americano. As bolsas reagem ainda a novos balanços trimestrais e a reuniões de Bancos Centrais.

Os principais índices asiáticos tiveram um último fechamento de quedas, com a China ampliando suas perdas pelo quarto pregão consecutivo. As bolsas na região também foram pressionadas pela expectativa quanto à reunião do Banco Central japonês para discutir política monetária, que começou nesta segunda e terá decisão anunciada na terça-feira.

Na Europa, o dia também é negativo, com todas as principais bolsas em queda, de olho ainda em mais resultados corporativos - destaque fica para a Heineken, que caiu mais de 5% ao divulgar seu balanço. Já os índices futuros dos EUA também apontam para baixo, com investidores já se preparando para a próxima reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), na terça e quarta-feira.

Por fim, os preços dos contratos futuros do petróleo sobem hoje, seguindo a tendência da última semana. Enquanto isso, o petróleo avança com notícia de uma proposta preliminar dos reguladores federais nos EUA para reduzir os requisitos de eficiência automobilística. Vale ressaltar que as exportações do Oriente Médio também estão reduzidas, conforme o Irã já sente o peso das sanções americanas e a Arábia Saudita suspende travessia pelo estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, após ataques do grupo iemenita Houthis a dois barcos no caminho.

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Às 8h12 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,07%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,02%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,18%

*DAX (Alemanha) -0,17%

*FTSE (Reino Unido) -0,11%

*CAC-40 (França) -0,28%

*FTSE MIB (Itália) -0,29%

*Hang Seng (Hong Kong) -0,25% (fechado)

*Xangai (China) -0,16% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,74% (fechado)

*Petróleo WTI +1,28%, a US$ 69,58 o barril

*Petróleo brent +0,40%, a US$ 74,59 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,51%, a 488,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin US$ 8145,65 -0,23%

R$ 30.850 +0,49% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda doméstica da semana

Nesta segunda, o destaque do mercado fica para o resultado primário de junho às 10h30, com estimativa de déficit de R$ 15 bilhões. Já na quarta-feira (1) após o fechamento da bolsa, sai a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve manter a taxa básica de juros estável em 6,5% ao ano. Segundo a GO Associados, as expectativas de inflação seguem ancoradas em torno da meta para este e os próximos anos, enquanto a atividade econômica, por outro lado, segue fraca, e a recuperação deve ser ainda mais lenta.

Além disso, os economistas da consultoria acreditam que o comunicado deve indicar que o balanço de riscos segue assimétrico, pendendo para uma alta de juros, em virtude da incerteza eleitoral, avanço da agenda de reformas, e do cenário externo menos benéfico. "De toda forma, o Copom deve manter suas opções em aberto para a próxima reunião, dado o elevado nível de incerteza no cenário", diz a GO.

Já na terça-feira (31), o IBGE divulga o resultado de junho da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que deve mostrar a taxa de desemprego estável em 12,7% no trimestre encerrado em junho, segundo a GO Associados. Na série com ajuste sazonal da GO, o resultado pode ter aumento do desemprego de 12,4% para 12,5%, em linha com a piora da atividade econômica e do mercado de trabalho no período.

3. Agenda econômica do exterior

Na quarta-feira, antes do Copom, o grande evento será a reunião do Fomc. O mercado espera manutenção dos juros no intervalo entre 1,75% a 2,0% ao ano, deixando a expectativa pelo comunicado, que deve dar pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária. O mercado segue apostando em mais duas altas neste ano. Ainda nos EUA, atenção ainda para a taxa de inflação e do seu núcleo, medido pelo índice PCE, principal indicador acompanhado pelo Fomc, que sai terça (31). Além disso, atenção para a sondagem PMI e ISM industrial, na quarta-feira (1), os dados de encomendas à indústria, na quinta-feira (2), e o relatório de emprego, que traz a taxa de desemprego e o ritmo de crescimento dos salários, referentes ao mês de julho, que serão publicados na sexta-feira (3).

Já na Europa, os destaques serão o resultado do PIB do segundo trimestre, a taxa de inflação ao consumidor de julho e a taxa de desemprego de junho, todos na terça-feira (31). A semana ainda traz a sondagem PMI da indústria, na quarta-feira (1), e as sondagem PMI composto e de serviços, além das vendas do comércio, que serão publicados na sexta-feira (3). Por fim, na Ásia, destaque para as sondagens que medem o nível de atividade econômica. Na segunda (30) sai o PMI industrial e não industrial de julho do NBS (instituto nacional de estatística chinês), enquanto na terça-feira (31) sai o PMI Caixin da produção industrial. Já no Japão, atenção para a decisão de taxa de juro do Banco Central do Japão, na terça-feira (31), que não deve alterar a taxa, atualmente negativa em 0,1% ao ano. Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

4. Notícias do dia

Essa semana marca a última semana de convenções partidárias. Neste fim de semana, Solidariedade e PTB formalizaram apoio a Geraldo Alckmin; no próximo fim de semana, PSDB, Rede, PT e PSB realizarão a suas convenções. No sábado, foi realizada a convenção do PT de São Paulo, em que foi lida uma carta escrita por Lula. A convenção nacional da legenda será no dia 4 e o partido convocou jejum para reafirmar a candidatura do ex-presidente ao Planalto, afirma a coluna Painel, da Folha.

O mesmo jornal aponta ainda que, diante da dificuldade de encontrar um nome de peso, aliados de Alckmin passaram a defender que o presidenciável deveria optar por um vice do próprio PSDB.

O Estado de S. Paulo informa ainda que, com a proximidade das eleições, a base aliada do governo no Congresso passou a apoiar medidas que vão contra os interesses da área econômica, mas que rendem dividendos durante a campanha. Parlamentares do MDB, partido do presidente Michel Temer, apoiaram desde a derrubada dos vetos aos programas de parcelamento de débito tributário até o restabelecimento de benefícios para grandes empresas do setor de bebidas na Zona Franca de Manaus.

5. Noticiário corporativo

Durante a semana, a agenda de balanços do segundo trimestre deve agitar o mercado com 21 resultados, já começando forte nesta segunda à noite com o Itaú Unibanco, Cielo e RD. Na terça serão apresentados os números da Embraer e Smiles, mas o grande destaque fica para a Petrobras, na sexta-feira (3). Para o Itaú BBA, a estatal deve registrar um balanço sólido, com a receita sendo auxiliada pelo aumento dos preços do petróleo e da depreciação do câmbio. Na última sexta-feira, foram revelados os balanços da Hypera e da Eletropaulo, esta última revertendo lucro e tendo prejuízo de R$ 155,6 milhões no segundo trimestre. 

Ainda sobre a Petrobras, a estatal deve ter um alívio provisório do impacto de R$ 17 bilhões causado por uma derrota judicial no TST (Tribunal Superior do Trabalho). O ministro do STF, Dias Toffoli, concedeu uma liminar suspendendo a decisão, argumentando que “são notórios os efeitos econômicos [...], a justificar que se aguarde o pronunciamento desta Suprema Corte sobre a matéria”.

Já no setor das telecomunicações, o presidente da Tim, Amos Ganish, reiterou que não tem intenções no sentido de uma fusão com a Oi, que sai agora de recuperação judicial. Em vez disso, o executivo aponta para possíveis colaborações entre as empresas no melhoramento de infraestrutura. Por fim, a Porto Seguro foi elevada de “equal weight” a “overweight” pelo Brasil Plural, que avalia que a seguradora está “em uma nova fase de lucratividade crescente”, com previsão de ganhos de R$ 1,2 bilhão para 2018 - crescimento de 25% em relação ao ano passado.

(Com Agência Estado, Bloomberg e Agência Brasil)

 

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