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Ibovespa Futuro sobe acompanhando bom humor externo e alta das commodities

Mercado internacional recupera-se após forte queda na véspera com guerra comercial entre EUA e China

trader na Bolsa de Frankfurt
(Lisi Niesner/Reuters)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em agosto subiam 0,34%, aos 75.245 pontos, às 9h36 (horário de Brasília) desta quinta-feira (12), acompanhando o otimismo do mercado internacional que recupera-se após a forte queda na véspera com o acirramento da guerra comercial entre EUA e China. No cenário doméstico, os investidores estão de olho na situação fiscal, com a pauta-bomba deixada pelo Congresso.

Depois de amargarem queda de 1% no pregão passado, os contratos futuros de Dow Jones e S&P 500 sobem 0,78% e 0,53%, respectivamente, impulsionados pela recuperação das commodities, em especial do minério de ferro negociado na China, que sobe 2% nesta manhã. A recuperação pode ser vista também nos preços dos contratos futuros de petróleo, que ontem caíram até 6% após a Líbia anunciar que está reabrindo quatro terminais de exportação. O movimento de alta hoje está sendo impulsionado também por um relatório da Agência Internacional de Energia, que disse que o fornecimento mundial de petróleo pode ser “esticado ao seu limite” devido a perdas na produção.

Às 9h36, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro (EUA) +0,53%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,78%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,64%

*DAX (Alemanha) +0,56%

*FTSE (Reino Unido) +0,77%

*CAC-40 (França) +0,63%

*FTSE MIB (Itália) +0,47%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,60% (fechado)

*Xangai (China) +2,16% (fechado)

*Nikkei (Japão) +1,17% (fechado)

*Petróleo WTI +0,81%, a US$ 74,27 o barril

*Petróleo brent +1,53%, a US$ 79,04 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,97%, a 466 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -1,47%, R$ 24.730 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Pauta-bomba do Congresso

O Congresso concluiu na madrugada desta quinta-feira a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2019 e derrubou a proibição a reajustes para a servidores públicos no ano que vem, cujo impacto pode ultrapassar os R$ 100 bilhões nas contas públicas nos próximos anos, aponta o Estadão em matéria desta quinta-feira. Com a aprovação, o texto seguirá para sanção do presidente Michel Temer.

Na última terça, por exemplo, o Senado manteve benefícios tributários à indústria de refrigerantes da Zona Franca de Manaus, revogando um decreto presidencial. A medida, que provoca um impacto de R$ 1,78 bilhão por ano no Orçamento, precisa passar pela Câmara. Outros projetos já foram aprovados pelas duas Casas, como o perdão de dívidas tributárias de produtores rurais, que custará R$ 13 bilhões só este ano.

Na outra ponta, o governo tenta uma compensação, com medidas que aumentam receita e reduzem gastos na tentativa de, pelo menos, fechar as contas de 2019. Segundo informações do Estadão, a área econômica, que tem até o final de agosto para fechar o Orçamento do ano que vem, já avisou que vai propor novamente o adiamento do reajuste dos servidores em 2019 e a tributação dos fundos exclusivos para clientes de alta renda, que juntos poderiam render até R$ 17 bilhões para a União.

Apesar da revés fiscal sofrido pelo governo, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam praticamente estáveis, aos 6,82% e 9,19%, respectivamente. Enquanto isso, os contratos futuros de dólar com vencimento em agosto registravam queda de 0,30%, aos R$ 3,874.

Inflação nos EUA

Na agenda econômica, destaque para a inflação ao consumidor dos EUA de junho, que surpreendeu ao registrar avanço de 0,1% na passagem mensal, enquanto o mercado esperava avanço de 0,2%. O Core CPI (Consumer Price Index), que exclui os preços de alimentos e energia, que são considerados mais voláteis, ficou em linha com o esperado e apontou alta de 0,2%.

Na agenda de indicadores, as vendas do varejo recuaram 0,6% em maio, resultado melhor do que o esperado pelo mercado, que aguardava queda de 0,8% no mês da greve dos caminhoneiros. De acordo com a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, a queda no mês de maio tem relação direta com a paralisação. Segundo a pesquisa, todas as atividades do comércio tiveram perdas naquele mês, à exceção de hipermercados e supermercados.

Notícias do dia

Os desdobramentos sobre a batalha jurídica do último domingo sobre soltar ou não Lula seguem no radar. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu abertura de inquérito contra desembargador que mandou soltar Lula, Rogério Favreto. Os pedidos foram destinados às ministras Laurita Vaz, presidente do STJ, e Cármen Lúcia, do CNJ e STF, que cumprem o plantão judiciário nos respectivos tribunais. Ontem, Laurita rejeitou mais 143 habeas corpus para o ex-presidente impetrados. Já a juíza substituta Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, afirmou que o ex-presidente está inelegível e com isso negou uma série de pedidos para realização de sabatinas e entrevistas com o petista na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Com esse cenário se desenhando, Lula deve apoiar outro candidato do PT à Presidência se ele permanecer na prisão, disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ) à Bloomberg em uma entrevista, mas ressaltando que o  PT continuará a usar todas as ferramentas legais à sua disposição para libertar o ex-presidente. 

O governo de Michel Temer também está de olho nas eleições e, conforme informa o Estadão, o Planalto intervém para evitar o apoio do PP a Ciro Gomes nas eleições de 2018. Já o Painel da Folha relata ainda que, enquanto Temer tenta demover o DEM e o PP de apoiarem Ciro, o PT faz o mesmo procurando dirigentes do Progressistas, PSB e PR. Caso Lula não seja candidato, PT teme que Ciro colha no Nordeste os votos que normalmente vão para o ex-presidente, prejudicando o plano B petista.

Noticiário corporativo

O Credit Suisse retomou a cobertura de uma série de ações brasileiras do setor elétrico, com recomendação “neutra” para Cesp, Copel, AES Tiete, Energias do Brasil e Equatorial, e “outperform” para Taesa, Alupar e Engie Brasil.

Seguindo a saga da privatização da Eletrobras, de acordo com fontes do Ministério de Minas e Energia ouvidas pelo jornal Valor Econômico, o governo decidiu por manter o leilão de suas distribuidoras marcado para o dia 26 de julho, mesmo após notícia de ontem de que o Senado não votaria o projeto de lei da venda antes do recesso deste mês. Caso não haja interessados devido à falta de segurança jurídica do negócio, o plano é de repetir o leilão algumas semanas depois, tendo a lei já sido aprovada e sancionada.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

 

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