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Ibovespa Futuro recua e dólar sobe com novas sanções de Trump contra China

Governo dos EUA estuda implementar um pacote de tarifas de mais US$ 200 bilhões contra produtos chineses 

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em agosto recuavam 0,07%, aos 74.470 pontos, às 9h36 (horário de Brasília) desta quarta-feira (11), em linha com a queda das bolsas mundias após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que pretende implementar tarifas de US$ 200 bilhões em produtos chineses. Vale destacar que o índice futuro recuou 0,81% somente na última hora do pregão passado e fechou em baixa de 1,43%, enquanto o Ibovespa, que encerra suas operações por volta das 17h10, caiu apenas 0,20%. Portanto, deveremos ter um ajuste mais forte quando o mercado à vista abrir.

Em mais um capítulo da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, que mais uma vez afeta os mercados, o governo norte-americano anunciou na noite da última terça-feira (10) uma nova rodada de sanções contra a China. O plano, que ainda será submetido à consulta pública até o final de agosto, prevê tarifar em 10% cerca de 6 mil produtos, entre eles agrícolas, minérios, petróleo e até gás natural. 

Até então, as medidas impostas pela administração de Trump englobava produtos de tecnologia vindos da China e atingiam US$ 50 bilhões em importações. Com essa nova medida, as alíquotas praticamente quintuplicaram. De acordo com o representante da área de comércio do governo Trump, Robert Lighthizer, a determinação foi "uma resposta apropriada" para conter as "políticas industriais danosas" da China.

Em resposta, o Ministério de Comércio chinês se disse “chocado” e descreveu o último lance de Washington como “totalmente inaceitável”, sendo que não terão outra opção a não ser que responderem na mesma moeda a decisão "míope" da administração de Donald Trump.

Em vista do cenário tumultuado, os contratos futuros de dólar com vencimento em agosto subiam 0,14%, aos R$ 3,831, enquanto os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam praticamente estáveis, aos 6,80% e 9,14%, respectivamente. Vale lembrar que o BC ofertará até 14.000 contratos de swap cambial para rolagem neste pregão.

Bolsas mundiais em queda

Após um dia de recuperação, as bolsas mundiais voltam a afundar hoje, com as tensões da guerra comercial entre Estados Unidos e China mais uma vez se acirrando.

A medida levou a quedas generalizadas nos índices asiáticos, europeus e futuros americanos. O Dow Futuro chegou a apontar para uma perda de 230 pontos, enquanto, na Ásia, as bolsas de Nikkei, Hang Sang e Shanghai fecharam com perdas de mais de 1%, lideradas por Xangai, que despencou 1,76%. As principais bolsas europeias também operam em queda de mais de 1%.

Às 9h36, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) -0,75%

*Dow Jones Futuro (EUA) -0,87%

*Nasdaq Futuro (EUA) -0,86%

*DAX (Alemanha) -1,32%

*FTSE (Reino Unido) -1,19%

*CAC-40 (França) -1,19%

*FTSE MIB (Itália) -1,49%

*Hang Seng (Hong Kong) -1,29% (fechado)

*Xangai (China) -1,79% (fechado)

*Nikkei (Japão) -1,19% (fechado)

*Petróleo WTI -0,65%, a US$ 74,27 o barril

*Petróleo brent -2,09%, a US$ 79,04 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,54%, a 463 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin -2,34%, R$ 24.900 (confira a cotação da moeda em tempo real)

IMTV

Na IMTV, Thiago Salomão, analista da Carteira Recomendada InfoMoney, conta no programa Bê-a-Bá da Bolsa (às 11h, ao vivo) quais ações do Ibovespa tiveram o melhor desempenho no primeiro semestre e quais delas ainda valem a pena incorporar ao seu portfólio. Confira a grade completa clicando aqui. 

Inflação supera expectativa nos EUA

Na agenda dos EUA, destaque para a inflação ao produtor referente ao mês de junho, que subiu para 0,3% e ficou ligeiramente acima do esperado pelo mercado (+0,2%). Mais tarde, às 11h, serão divulgados os dados de estoque do atacado de maio, enquanto às 11h30 atenção para os dados de estoques de petróleo no país, com previsão de queda de 3,89 milhões de barris. No Brasil, às 12h30, atenção para o fluxo cambial semanal.

Notícias do dia

A repercussão sobre a batalha jurídica do domingo sobre a soltura ou não de Lula segue no radar, com um improvável beneficiário, segundo aponta a coluna de Bruno Boghossian, da Folha. De acordo com o colunista, o pré-candidato do PSDB Geraldo Alckmin recuperou algum fôlego na disputa pelo apoio do DEM e PP, embora os partidos ainda se inclinem por Ciro. Segundo o jornal, o barulho sobre caso Lula no domingo assustou os partidos, diante do receio de que ex-presidente tenha forte influência na eleição e coloque nome do PT no 2º turno, enfraquecendo Ciro. Com isso, dirigentes do DEM e PP que veem o pedetista com simpatia teriam voltando a considerar a opção Alckmin.

Já o Valor Econômico destaca que a equipe econômica do governo Michel Temer já inicia transição com assessores de presidenciáveis, apresentando números da economia estimados para o fim do ano e traçando um retrato do que o próximo presidente irá encontrar. O próximo convidado para uma reunião com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deverá ser Paulo Guedes, que assessora o candidato à sucessão presidencial, deputado Jair Bolsonaro. Ambos já tiveram uma conversa na quinta-feira, com o economista Pérsio Arida, que faz o plano de governo de Alckmin, e na segunda feira com Mauro Benevides, da campanha de Ciro. 

Por falar em economia brasileira, Mark Mobius, considerado o "guru dos emergentes", afirmou em entrevista para a BloombergTV que Brasil e Turquia podem se beneficiar de guerra comercial entre EUA e China devido ao declínio em suas moedas. Porém, ele disse ser difícil dizer que os mercados emergentes chegaram ao fundo do poço, apontando que poderia haver uma queda adicional de 10% nos mercados. 

Noticiário corporativo

No radar corporativo, contratempos para as estatais, após notícias de que o Senado não votará a cessão onerosa e o projeto de lei das distribuidoras da Eletrobras antes do recesso de julho, e de que a Câmara dos Deputados não votará a privatização da própria estatal ainda este ano, segundo o presidente Rodrigo Maia. De acordo com ele, ficou acordado que o tema só será considerado após as eleições de outubro, e a votação deve ser feita com participação dos novos deputados empossados. Por outro lado, a Câmara concluiu a aprovação do PL que viabiliza a privatização de seis distribuidoras de energia controladas pela Eletrobras. Com a votação dos destaques, a proposta será enviada ao Senado.

Já sobre a Braskem, a companhia divulgou comunicado afirmando ainda não ter encerrado as negociações com a CGU (Controladoria Geral da União) e a AGU (Advocacia Geral da União) de seu acordo de leniência referente aos fatos revelados na Operação Lava Jato. Vale ressaltar que na véspera os papéis da petroquímica dispararam 7% com a notícia do Valor sobre a venda das participações da Odebrecht à LyondellBasell em outubro. 

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

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