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Os dois fatores que fizeram o Ibovespa subir e ignorar a derrocada de Wall Street

Índice abriu em alta, mas passou a ser pressionado após a abertura de Wall Street, onde os três principais índices dos EUA recuaram mais de 1%

Donald Trump
(Photosforclass.com)

SÃO PAULO - Depois de iniciar o dia em alta, o Ibovespa perdeu força e virou para o negativo durante a tarde desta segunda-feira (25) mas conseguiu se recuperar e fechar próximo da estabilidade, destoando do movimento de forte queda dos índices norte-americanos. Pesou no mercado a nova ameaça do presidente Donald Trump contra a China, enquanto dois fatores trouxeram alívio no Brasil: a derrota de Lula no STF e a atuação do Banco Central no câmbio.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com perdas de 0,44%, aos 70.952 pontos, com o volume financeiro atingindo R$ 8,476 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, recuou 0,14%, a R$ 3,7779 na venda, com os investidores de olho nos leilões do BC. Na última sexta-feira (22), a autoridade monetária anunciou que manterá a oferta de swaps cambiais ao longo da semana e nesta segunda fez leilões de linha de US$ 3 bilhões, tudo isso para frear a escalada da moeda.

O mercado tirou um peso das costas após o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) arquivar o pedido de liberdade de Lula na última sexta-feira. Ele considerou que o pedido ficou prejudicado após o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da Quarta Região) enviar o caso para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), e não para o STF.

No exterior, o mercado azedou após o presidente dos EUA voltar a usar o Twitter para ameaçar com novas medidas retaliatórias contra países que não retirarem “barreiras artificiais” contra produtos norte-americanos. Durante a tarde, porém, o conselheiro de Trump, Peter Navarro, afirmou que estas medidas não serão tomadas imediatamente e que o mercado está exagerando.

Apesar da declaração, Navarro informou também que na próxima sexta o Tesouro irá publicar um documento sobre a China, negado ainda que seja o anúncio de medidas retaliatórias. Isso fez os índices dos EUA amenizarem as perdas, mas não foi suficiente para evitar uma queda de mais de 1% do Dow Jones e S&P500 e mais de 2% para o Nasdaq.

Mais cedo, o reportagem do Financial Times afirmava que o escopo exato das medidas ainda é alvo de discussões internas na Casa Branca, mas Trump já havia designado o Departamento do Tesouro para redigir as restrições, que devem acompanhar a já anunciada tarifação extra sobre US$ 50 bilhões de produtos chineses.

Diante dos recentes ataques, a China decidiu cortar em 50 pontos-base o compulsório bancário, liberando cerca de US$ 100 bilhões para a economia. Segundo assessores do próprio governo, a terceira redução do compulsório no ano deve aliviar as preocupações de que uma disputa comercial com Washington prejudique as empresas locais. Com o clima de guerra comercial entre as duas potências cada vez mais tenso, as bolsas dos EUA recuavam 0,6%, enquanto na Europa a queda chegava em 1%.

Destaques do mercado

Do lado positivo, destaque para as ações da Weg, que sobem após o JPMorgan iniciar cobertura para o papel com "neutro", com preço-alvo de R$ 18,00. Entretanto, pesa sobre o índice o desempenho das ações da Vale, que recuaram em linha com o minério de ferro com o aumento da tensão entre EUA e China.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CMIG4 CEMIG PN 6,86 +4,10 +6,13 46,07M
 B3SA3 B3 ON 20,76 +3,96 -8,52 190,51M
 EQTL3 EQUATORIAL ON 59,13 +3,77 -8,36 46,64M
 PETR4 PETROBRAS PN N2 15,65 +3,57 -2,60 820,44M
 WEGE3 WEG ON 15,90 +2,98 -13,77 32,30M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 10,67 -3,79 -26,92 31,66M
 BRFS3 BRF SA ON 18,75 -3,60 -48,77 119,97M
 SAPR11 SANEPAR UNT N2 47,60 -3,49 -18,26 56,22M
 SANB11 SANTANDER BRUNT 29,21 -3,12 -6,53 56,80M
 GOAU4 GERDAU MET PN 6,23 -2,50 +8,15 70,70M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 15,65 +3,57 820,44M 1,74B 44.130 
 VALE3 VALE ON 47,07 -1,96 561,89M 1,00B 26.626 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 39,47 +0,33 486,51M 718,50M 22.830 
 BBDC4 BRADESCO PN 26,01 -0,50 368,70M 452,36M 25.983 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 122,81 0,00 264,54M 313,27M 5.797 
 BBAS3 BRASIL ON 26,76 +2,53 251,43M 425,30M 18.730 
 B3SA3 B3 ON 20,76 +3,96 190,51M 340,10M 22.637 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 18,26 +0,55 153,40M 370,52M 18.404 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,94 -0,45 147,45M 273,64M 26.185 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 18,12 +2,03 142,94M 391,79M 9.490 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário político
Enquanto as eleições ganham destaque no noticiário, o ministério da Fazenda busca alertar os candidatos à presidência sobre a real situação fiscal do Brasil, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A proposta da Fazenda é mostrar que o ajuste fiscal não está consolidado e não se sustenta sem as reformas, sobretudo, a da Previdência.

Ao mesmo tempo, empresários têm intensificado a agenda de conversas sobre as opções para o Planalto e buscado se aproximar dos presidenciáveis mais bem cotados até agora nas pesquisas. Os encontros em torno de pré-candidatos vêm sendo organizados de forma discreta e têm contado com alguns dos principais nomes do empresariado, que externam preocupação com os rumos do País.

Também ganha destaque as notícias de que o candidato pelo PSL à presidência, Jair Bolsonaro,  avalia não comparecer a debates na campanha eleitoral, sendo criticado por adversários. Segundo aponta a coluna Painel, da Folha, o argumento usado é que essas aparições são exploradas por rivais na TV —plataforma na qual o deputado não tem espaço para responder a ataques. Seu grupo diz que ele irá aos embates se passar para o segundo turno.

Agenda cheia no Brasil
Na agenda de indicadores da semana, o Banco Central apresenta na terça-feira (26) de manhã, às 8h, a ata da última reunião do Copom, que pode trazer mais informações sobre os próximos passos da autoridade sobre a política monetária. No comunicado pós-decisão, o órgão deixou bastante explícito que não elevará a taxa de juros para conter a depreciação cambial. Mas deixou a porta aberta para elevar os juros ainda este ano, apesar de analistas ainda verem isso com pouca possibilidade. 

Já na quinta-feira (28), o BC também divulga o Relatório Trimestral de Inflação do segundo trimestre, que segundo a GO Associados não deve trazer grandes novidades em termos de comunicado em relação à ata que será divulgada na terça. A expectativa é em torno das projeções de inflação, sob os diferentes cenários apresentados pelo BC.

Veja também: Copom fez a coisa certa, mas a próxima reunião é imprevisível, dizem analistas

Na próxima terça-feira, atenção ainda para a reunião do CMN, que está dividido sobre manter ou cortar a meta de inflação de 2021, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg. O Tesouro defende que a meta seja reduzida de 4% em 2020 para 3,75% no ano seguinte, enquanto o Ministério do Planejamento avalia internamente que a manutenção é a melhor opção, segundo pessoas próximas às discussões. 

Agenda externa

No exterior, atenção especial nos Estados Unidos, com dados de vendas de novas casas nesta segunda-feira, sondagem de confiança empresarial na terça-feira (26) e pedidos de bens duráveis na quarta-feira (27). Porém, o dado mais importante será a estimativa final do PIB do primeiro trimestre, que sairá na sexta-feira (29).

Os investidores esperam uma taxa de crescimento anualizada de 2,2%, superior à taxa registrada no mesmo período do ano anterior (1,4%), sugerindo que o ciclo econômico nos EUA recebe um novo impulso. "Neste contexto, aliada à convergência da inflação para a meta e uma taxa de desemprego historicamente baixa, um número forte deve fortalecer o cenário com quatro altas nos juros neste ano", explica a GO Associados.

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