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Curva de juros mostra chance de Selic subir 245 pontos até janeiro; entenda

O maior nível de estresse, observado com a volatilidade dos últimos pregões, aponta para um ambiente de aversão a riscos e tendência de juros mais altos no país

Lide - Ilan Goldfajn
(Diuvlgação)

SÃO PAULO - A recente disparada no mercado de juros futuros deixou explícita uma nova percepção dos investidores sobre os rumos da política monetária brasileira até mesmo no curto prazo. O maior nível de estresse, observado com a volatilidade dos últimos pregões, aponta para um ambiente de aversão a riscos e tendência de juros mais altos no país, a despeito da inflação oficial permanecer em patamares baixos e a atividade econômica em marcha lenta.

A preocupação da vez seria com ativos voláteis como o câmbio, com o dólar comercial chegando a superar a marca de R$ 3,90 nesta quinta-feira (7). Há uma percepção de que o Banco Central pode deixar de lado os fundamentos que hoje balizam a tomada de decisões sobre os juros para conter o ambiente de tensão que avança no mercado. A avaliação contraria sinalizações recentes da autoridade monetária, de que a Selic pode ficar nos atuais patamares por algum tempo.

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Conforme pontua Pablo Spyer, diretor da operações da corretora Mirae, agora está precificada nas curvas de juros futuros um salto de até 245 pontos-base na Selic até janeiro de 2019. No mesmo sentido, há uma leitura de 98% de chance de elevação de 50 pontos na taxa na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para 19 e 20 de junho. Com isso, a Selic, que hoje está em 6,50% ao ano, subiria a 7%. Uma semana atrás, os contratos de juros futuros embutiam probabilidade de 34% de os juros subirem 25 pontos.

Às 16h56 (horário de Brasília), os contratos futuros de DI com vencimento em janeiro de 2019 saltavam 43 pontos-base, a 7,58%, ao passo que papéis mais longos, com vencimento em janeiro de 2021, subiam 32 pontos, a 9,76%. De segunda-feira para cá, os papéis curtos acumularam uma disparada superior a 80 pontos, ao passo que os mais longos avançaram cerca de 100 pontos-base.

Irracionalidade?

As incertezas na economia e na política brasileira, aliadas ao fortalecimento do dólar globalmente, têm provocado forte influência na curva de juros no País. Mas para o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, o mercado de renda fixa (responsável por determinar a curva de juros) está "disfuncional" e persiste uma avaliação errada sobre a comunicação do BC em maio, que associa os movimentos do câmbio à manutenção da Selic em 6,5%, quando todos apostavam em uma redução.

"Temos um regime de metas de inflação. Se fosse metas de câmbio, seria diferente. Na vigência do sistema de metas de inflação, seria uma quebra de regra fazer alta de juros em cima de uma economia enfraquecida, de uma expectativa de inflação ancorada e de uma inflação corrente abaixo da meta", disse.

O economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, Marcelo Carvalho, disse que há um descolamento entre a curva de juros e a realidade econômica. Para ele, só haverá uma alta na Selic se o dólar ficar cotado, por um longo período, a mais de R$ 4. "Ainda assim, será preciso que haja um repasse da desvalorização do câmbio para a inflação, o que será difícil de ocorrer. Quando há uma crise, é mais difícil para as empresas repassarem (o custo elevado com importação) aos consumidores".

A economista Tatiana Pinheiro, do Santander, acrescentou que o banco nem discute a possibilidade de um aperto monetário. "A depreciação não causou uma pressão inflacionária que ameace a meta da inflação".

Para Carlos Pedroso, economista do Banco MUFG Brasil, o que está acontecendo no mercado é que "o investidor que quer vender seu papel não está conseguindo, porque o risco está maior". Segundo ele, isso faz com que o comprador do ativo exija uma taxa de juros mais elevada.

O economista Gustavo Cruz, da XP Investimentos, lembra que o mercado está preocupado com a possibilidade de um candidato não reformista vencer as eleições. "Isso aumenta o risco de investir aqui e impacta no câmbio e no risco país, além da taxa de juros".

"A curva de juros continua a indicar alta da Selic muito em breve, com a taxa fechando o ano acima de 7,50%, em total desacordo com a previsão dos economistas. Isso tudo é reflexo do temor não apenas de um segundo turno entre [Jair] Bolsonaro e Ciro [Gomes], mas de vitória de algum candidato ligado à esquerda (Ciro ou [Fernando] Haddad)", observou José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos.

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(com Agência Estado)

 

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