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Tubarões do mercado dão favoritismo a Bolsonaro e projetam segundo turno contra Ciro Gomes

Levantamento feito pela XP Investimentos com investidores institucionais, 48% acreditam que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil

Jair Bolsonaro e Ciro Gomes

SÃO PAULO - Cresceu no mercado financeiro a percepção de que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ganhou terreno na corrida presidencial e dificilmente ficará de fora do segundo turno, levando, ainda, favoritismo contra o possível adversário. Uma sondagem feita pela XP Investimentos nos dias 4 e 5 de junho, enviada a clientes na manhã desta quinta-feira (7), mostra que a maior parte dos 204 investidores institucionais consultados abandonou a leitura de uma conjuntura favorável ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e hoje aposta em uma disputa de segundo turno entre Bolsonaro e Ciro Gomes (PDT).

Conforme aponta a XP, 48% dos respondentes acreditam que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. O parlamentar é seguido por Alckmin, com 31% dos apontamentos. Em abril, o tucano tinha os mesmos 48% de Bolsonaro, ao passo que o militar da reserva era a aposta de 29%. Já Ciro Gomes é indicado por 13% dos respondentes -- há cerca de dois meses, o ex-governador do Ceará era apontado por apenas 1%.

O gráfico abaixo mostra as movimentações no balcão de apostas dos investidores institucionais ao longo dos últimos dez meses. Os autores do levantamento lembram que em outras ocasiões nomes como João Doria (42% em agosto), Luciano Huck (19% em novembro) e Joaquim Barbosa (19% em abril) ganharam evidência. A sondagem não pode ser confundida com pesquisas eleitorais, mas permite comparações com edições anteriores.

De acordo com o levantamento, 85% dos investidores institucionais consultados acreditam que Jair Bolsonaro estará presente no segundo turno. Para 55%, Ciro Gomes marcará presença nesta fase da disputa, ao passo que 40% citam Geraldo Alckmin e 11%, Marina Silva (Rede). Fernando Haddad (PT) é aposta de 3%. Para 44,8% dos respondentes, a disputa será travada entre Bolsonaro e Ciro. Em abril, este cenário era a aposta de apenas 9%, enquanto 44% acreditavam que estariam no segundo turno Bolsonaro e Alckmin.

Projeções

Na situação de eventual vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial, 49% dos respondentes acreditam que o Ibovespa superaria os 80 mil pontos (na última quarta-feira, o índice fechou em 76.117 pontos), sendo que 8% veem o benchmark em uma faixa entre 90 mil e 95 mil pontos e 16%, entre 85 mil e 90 mil pontos. Um grupo de 21% apontou estabilidade caso o cenário se confirme. Em abril, 41% dos investidores consultados acreditavam que o Ibovespa superaria o patamar daquele momento. Do lado do câmbio, 45% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria, enquanto 27% indicam que a moeda se valorizaria. Hoje, o dólar comercial está cotado a R$ 3,8384 na venda. No quadro de juros (atualmente a 6,5% ao ano), 77% indicam uma elevação de juros em 2019, sendo que 44% apontam uma Selic de ao menos 8%.

Na simulação de uma vitória de Geraldo Alckmin, 96,5% dos investidores acreditam que o Ibovespa superaria os 85 mil pontos, sendo que 30% projetam o índice acima dos 100 mil pontos. Apenas 3% dos respondentes esperam estabilidade para o índice caso esta situação se confirme. Do lado do câmbio, 94% indicaram que o real se valorizaria frente ao dólar para um patamar abaixo de R$ 3,60. 73% indicaram que a cotação da moeda americana ficaria abaixo de R$ 3,40, ao passo que apenas 2% responderam que o real se desvalorizaria para uma taxa superior a R$ 3,80 por dólar. No quadro de juros, 41% entendem que a Selic ficaria no máximo em 7% no final de 2019, enquanto 22% apontam que a Selic iria para um patamar acima de pelo menos 8%.

Caso o nome escolhido seja o de Ciro Gomes, 94% dos investidores institucionais consultados acreditam em uma queda do Ibovespa do patamar atual. Para mais de 56%, o índice ficaria abaixo dos 65 mil pontos, ao passo que apenas 5% acreditam em estabilidade ou alta. Com relação ao dólar, 80% dos respondentes acreditam que a moeda americana ficaria cotada acima dos R$ 4,00, enquanto 16% apostam em uma faixa entre R$ 3,80 e R$ 4,00. No ambiente de juros, 63% enxergam a Selic encerrando 2019 ao menos em 8%, sendo que 35% acreditam que os juros ficariam pelos menos em 9,5% ao ano.

Se Marina Silva vencer as eleições presidenciais, as apostas dos investidores foram mais dispersas: 36,5% dos respondentes veem o Ibovespa acima dos 80 mil pontos, ao passo que 41% projetam queda em relação ao atual patamar. O comportamento foi similar para o caso do dólar, com 42% acreditando em uma desvalorização da moeda brasileira e 26% apontando para uma possível valorização. No quadro de juros, 42% dos investidores apontam para uma Selic encerrando o ano ao menos em 8%.

Com uma eventual vitória de Fernando Haddad, 93% dos investidores institucionais consultados acreditam que o Ibovespa recuaria do atual patamar, enquanto apenas 1% vê o índice acima dos 80 mil pontos. No cenário de câmbio, 90% indicaram que o real sofreria desvalorização em relação ao dólar. Para 69%, a moeda americana passaria a valer mais de R$ 4,00. Para 4%, o real sofreria valorização.No cenário de juros, 62% mencionam uma Selic encerrando 2019 em uma patamar de pelo menos 8%, dos quais 33% colocam um patamar de ao menos 9,5%.

Eis os gráficos para cada variável considerada:

A sondagem, realizada pela XP Investimentos entre os dias 4 e 5 de junho, coletou respostas de 204 investidores institucionais, entre gestores de recursos, economistas, consultorias e outros. A amostra contou com as principais instituições do mercado financeiro brasileiro, com uma representação de mais de 50% dos recursos sob gestão no setor. Segundo os organizadores, o levantamento tem por objetivo entender os cenários para Bolsa, dólar e juros em função do quadro eleitoral.

 

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