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Ibovespa recua 1% e se aproxima da mínima do ano; dólar sobe e atinge R$ 3,83 mesmo com atuação do BC

Queda das ações da Petrobras e dos bancos pressiona o principal índice de ações da B3

trader - Teoria do Mais Tolo
(Thinkstock)

SÃO PAULO - Em dia marcado pela volatilidade, o Ibovespa, que chegou a subir no início do dia, recua 1,02% às 15h52 (horário de Brasília) e está muito próximo da mínima do ano em 75.337 pontos, pressionado pelas ações da Petrobras e acompanhando a derrocada das ações do setor financeiro. Além disso, destaque para o dólar, que reduziu os ganhos depois da intervenção do BC, mas segue acima da faixa de R$ 3,80.

A queda da estatal está relacionada com a possibilidade da ANP (Agência Nacional do Petróleo) passar a controlar o prazo dos reajustes dos combustíveis. Conforme proposta apresentada pela agência, que será tratada em uma consulta pública, que será aberta em 11 de junho e vai até 2 de julho, a Petrobras, assim como suas distribuidoras de combustíveis, continuarão a ter liberdade para definir seus preços e margens de lucro, mas não mais os prazos em que vão repassar as variações aos consumidores. Nesse período, a agência reguladora ouvirá propostas de todos os agentes públicos, incluindo a própria Petrobras.

O diretor-geral da ANP, Decio Oddone, disse que não se trata de intervenção no mercado e explicou que a medida visa a estabilizar o setor, com benefícios a consumidores e às empresas e investidores: "não ocorrerá influência sobre a formação de preços", frisou o diretor. Contudo, o aumento da percepção de intervenção na política de preços da empresa gera um clima de incerteza entre os investidores, o que acaba derrubando os papéis.

A queda do mercado só não é maior por conta das ações da Vale, que sobem na esteira dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China, que sobem 1% e registram a segunda sessão consecutiva de alta. Ainda falando sobre destaques positivos, as exportadoras sobem com mais um dia de valorização do dólar comercial.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SMLS3 SMILES ON 52,66 -8,61 -27,10 59,07M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 25,19 -5,83 +22,88 51,14M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 24,15 -5,81 -25,73 84,96M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 48,40 -5,49 +1,30 96,34M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 114,68 -5,24 +43,35 187,27M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 51,36 +6,34 +176,13 259,42M
 BRAP4 BRADESPAR PN 34,37 +5,43 +24,04 85,30M
 EMBR3 EMBRAER ON 22,98 +4,22 +15,36 59,14M
 VALE3 VALE ON 55,60 +3,48 +39,67 1,22B
 WEGE3 WEG ON 16,86 +2,80 -8,56 96,66M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Dólar acima de R$ 3,80

Com o clima de incerteza tomando conta do mercado doméstico com as indefinições sobre os preços dos combustíveis, os sinais de aquecimento da economia dos EUA, elevando a probabilidade de aumento da taxa de juros por 4 oportunidades (ao invés de 3 como o mercado espera), além da possibilidade do BCE (Banco Central de Europeu) anunciar o encerramento do programa de QE (Quantitative Easing), o dólar não dá trégua e segue com sua escalada neste pregão.

Nas primeira hora de pregão, os contratos futuros da moeda com vencimento em julho subiram mais de 1% e atingiram R$ 3,859 na sua máxima, levando o Banco Central agir e colocar todos os 15 mil contratos de swaps cambiais para conter a disparada da moeda, o que está dando resultado. Após a intervenção, os contratos registravam valorização de 0,42%, aos R$ 3,832, se afastando da máxima do dia, mas ainda acima da marca de R$ 3,80.

Apesar disso, cresce a expectativa que o Banco Central mude sua estratégia de intervenção dos atuais swaps cambiais para os leilões de linha, que correspondem à venda no mercado à vista com compromisso de recompra. "Embora disponha de instrumentos que lhe permitem ampla visão do comportamento do mercado, tudo sugere que a sua estratégia de intervenção no câmbio está relativamente desfocada, pois insiste em ofertar maciço volume de proteção com “swaps cambiais” e não está irrigando a liquidez do mercado a vista", avalia o diretor da corretora NGO, Sidnei Nehme.

Segundo ele, a ação do BC tem que focar em fomentar a liquidez no mercado a vista, entrando com a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra. Nehme acredita que a autoridade até pode manter os leilões de swaps cambiais, mixando com a oferta mais incisiva de linhas de financiamento, "suprindo e ancorando a crescente demanda no mercado a vista pelos investidores estrangeiros que estão dando claros sinais de retirada de recursos do país".

Juros futuros disparam

Em meio ao clima de incerteza, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 também registraram forte volatilidade nas primeiras horas de pregão, com destaque para o último contrato, que na máxima atingiu a marca de 9,50%, ou seja, uma alta de 14 pontos-base. Assim como o BC, para conter essa disparada, o Tesouro anunciou novas atuações extraordinárias nesta quarta-feira.

O órgão informou que dará continuidade ao programa de leilões de recompra de NTN-Fs, iniciado no dia 28 de maio. A decisão foi tomada "frente à manutenção do cenário de volatilidade". Serão mais três leilões até sexta-feira, que contempla também com a possibilidade de recompra dos títulos com vencimentos em janeiro de 2025, 2027 e 2029.

Essa disparada dos juros nos últimos dias tem relação ao aumento das apostas de uma alta ainda este ano, principalmente após a crise deflagrada com a greve dos caminhoneiros. As curvas de juros já mostram uma possibilidade de 50% de um aumento da Selic já na reunião deste mês do Copom.

Cenário político

A situação de dificuldade para candidaturas da centro-direita, favoráveis à condução de uma agenda ortodoxa de reformas econômicas, é motivo de preocupação dos mercados enquanto nomes nas extremidades dos espectros ideológicos apresentam desempenho mais favorável nas pesquisas de intenção de voto.

Na véspera, enquanto uma nova pesquisa bastante desfavorável às candidaturas da centro-direita repercutia no meio político, um grupo de parlamentares de PPS, PSDB e outros partidos deste espectro lançaram um manifesto pedindo uma candidatura única representativa do centro democrático, iniciativa apoiada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo seria lançar uma resposta ao avanço das candidaturas do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e do ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT).

Segundo a coluna Painel, do Jornal Folha de S.Paulo, os ânimos estão à flor da pele nos círculos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). Diz o veículo que a tentativa do ex-ministro da Fazenda de tentar se desvencilhar do rótulo de candidato do presidente Michel Temer gerou desconforto na sigla, ao passo que no tucanato persiste a pressão sobre o ex-governador de São Paulo, a despeito de seu discurso de que crescimento nas pesquisas só virá durante o período de campanha.

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