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Ibovespa Futuro recua 1% e caminha para a mínima do ano; dólar dispara e atinge R$ 3,85

Interferência da ANP na política de preços da Petrobras preocupa o mercado; autoridade monetária pode alterar modo de intervenção para frear a moeda

trader bolsa de Nova York - NYSE - Wall Street
(Brendan McDermid/Reuters)

SÃO PAULO - Os contratos futuros do Ibovespa com vencimento em julho recuavam 1,23%, aos 75.715 pontos, às 9h35 (horário de Brasília) desta quarta-feira (6), caminhando para a mínima do ano em 74.800 pontos, com o clima de cautela tomando conta do mercado com a possibilidade da ANP (Agência Nacional do Petróleo) passar a controlar o prazo dos reajustes dos combustíveis da Petrobras e mais um dia de forte alta do dólar, que atingiu R$ 3,85 nesta manhã.

A estatal, assim como suas distribuidoras de combustíveis, continuarão a ter liberdade para definir seus preços e margens de lucro, mas não mais os prazos em que vão repassar as variações aos consumidores. O tema será tratado em uma consulta pública, que será aberta em 11 de junho e vai até 2 de julho. Nesse período, a agência reguladora ouvirá propostas de todos os agentes públicos, incluindo a própria Petrobras.

O diretor-geral da ANP, Decio Oddone, disse que não se trata de intervenção no mercado e explicou que a medida visa a estabilizar o setor, com benefícios a consumidores e às empresas e investidores. "Não ocorrerá influência sobre a formação de preços", frisou. Segundo ele, o modelo foi escolhido porque o tema e "urgente". "A periodicidade do repasse dos reajustes dos combustíveis se converteu em um tema de grande interesse para a sociedade brasileira, que demonstrou que deseja uma maior estabilidade dos preços", disse.

E agora BC?

Com o clima de incerteza tomando conta do mercado doméstico, os sinais de aquecimento da economia dos EUA, elevando a probabilidade de aumento da taxa de juros por 4 oportunidades (ao invés de 3 como o mercado espera), além da possibilidade do BCE (Banco Central de Europeu) anunciar o encerramento do programa de QE (Quantitative Easing), o dólar não dá trégua e segue com sua escalada neste pregão.

Os contratos futuros da moeda com vencimento em julho registravam valorização de 0,96%, aos R$ 3,853, elevando ainda mais a pressão para que o Banco Central mude sua estratégia de intervenção dos atuais swaps cambias para os leilões de linha, que correspondem à venda no mercado à vista com compromisso de recompra.

"Embora disponha de instrumentos que lhe permitem ampla visão do comportamento do mercado, tudo sugere que a sua estratégia de intervenção no câmbio está relativamente desfocada, pois insiste em ofertar maciço volume de proteção com “swaps cambiais” e não está irrigando a liquidez do mercado a vista", avalia o diretor da corretora NGO, Sidnei Nehme.

Segundo ele, a ação do BC tem que focar em fomentar a liquidez no mercado a vista, entrando com a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra. Nehme acredita que a autoridade até pode manter os leilões de swaps cambiais, mixando com a oferta mais incisiva de linhas de financiamento, "suprindo e ancorando a crescente demanda no mercado a vista pelos investidores estrangeiros que estão dando claros sinais de retirada de recursos do país".

Bolsas mundiais

A sessão é positiva para os principais índices acionários internacionais, mesmo com atenção continuando a ser dada à situação política na Itália, onde o novo primeiro-ministro Giuseppe Conte apresentou à coalizão seus planos para barrar uma onda migratória e ideias de programas de renda mínima e redução de impostos. No velho continente, os investidores também monitoram as movimentações do Banco Central Europeu, em meio às expectativas por uma redução no programa de compra de títulos, o que reduziria a liquidez do mercado. Na Ásia, o dia foi novamente positivo, mas os investidores seguem de olho para as tensões no plano comercial protagonizadas pelos Estados Unidos.

Às 9h35, este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,16%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,39%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,11%

*DAX (Alemanha) +0,39%

*FTSE (Reino Unido) +0,55%

*CAC-40 (França) +0,01%

*FTSE MIB (Itália) -0,20%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,53% (fechado)

*Xangai (China) +0,05% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,38% (fechado)

*Petróleo WTI -0,67%, a US$ 65,08 o barril

*Petróleo brent -0,15%, a US$ 75,27 o barril

*Bitcoin +1,42%, R$ 29.176 (confira a cotação da moeda em tempo real)

Cenário político

A situação de dificuldade para candidaturas da centro-direita, favoráveis à condução de uma agenda ortodoxa de reformas econômicas, é motivo de preocupação dos mercados enquanto nomes nas extremidades dos espectros ideológicos apresentam desempenho mais favorável nas pesquisas de intenção de voto.

Na véspera, enquanto uma nova pesquisa bastante desfavorável às candidaturas da centro-direita repercutia no meio político, um grupo de parlamentares de PPS, PSDB e outros partidos deste espectro lançaram um manifesto pedindo uma candidatura única representativa do centro democrático, iniciativa apoiada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo seria lançar uma resposta ao avanço das candidaturas do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e do ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT).

Segundo a coluna Painel, do Jornal Folha de S.Paulo, os ânimos estão à flor da pele nos círculos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). Diz o veículo que a tentativa do ex-ministro da Fazenda de tentar se desvencilhar do rótulo de candidato do presidente Michel Temer gerou desconforto na sigla, ao passo que no tucanato persiste a pressão sobre o ex-governador de São Paulo, a despeito de seu discurso de que crescimento nas pesquisas só virá durante o período de campanha.

Agenda econômica

Na pauta doméstica, os investidores devem observar os dados de produção de veículos, a ser apresentada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A divulgação será relevante para dimensionar os primeiros efeitos negativos da paralisação, neste caso específico sobre o setor automotivo, e indiretamente sobre o setor industrial. Também na agenda nacional, ganha destaque o IC-BR (Índice de Commodities Brasil) de maio, divulgado pelo Banco Central às 12h30 (horário de Brasília). O indicador mede a parcela das variações de preços das commodities nos mercados internacionais que são mais sensíveis às mudanças nas condições econômicas. No plano internacional, será divulgada a balança comercial dos Estados Unidos às 9h30.

IMTV

No programa Be-a-bá da Bolsa, o analista a Carteira InfoMoney e editor-chefe do site, Thiago Salomão, dará dicas aos investidores sobre o que fazer com as ações da Petrobras após as recentes reviravoltas: comprar, vender ou manter? O programa é transmitido ao vivo a partir das 11h00 pela IMTV. Confira a grade completa clicando aqui.

Radar corporativo

No noticiário das empresas, a 4ª turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região determinou, por maioria, a suspensão da venda de 90% das ações da TAG (Transportadora Associada de Gás S.A.) pela Petrobras até que seja realizado processo de licitação. A justificativa para a decisão liminar é de que, apesar de o TCU ter autorizado a sistemática de venda de ativos da Petrobras, a lei determina que esse processo seja feito por meio de licitação, nesse caso na modalidade leilão, de acordo com o Programa Nacional de Desestatização. A CCR aprovou a aquisição de participação indireta de 48.4% da Aeris e 49.6% da Ibsa detidas pela Airports Worldwide Holding. A Eletrobras assinou um memorando com a EDF para promover cooperação na área nuclear. As companhias estudarão oportunidades de a EDF colaborar com a retomada e a conclusão de Angra 3 e no desenvolvimento de novas usinas nucleares no Brasil. Por fim, a BRF informou que não recebeu nenhuma formalização a respeito de uma possível transação especulada envolvendo a Minerva.

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O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura

 

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