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Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

Confira ao que se atentar nesta segunda-feira e ao longo da semana

Ivan Monteiro
(Agência Brasil)

SÃO PAULO - Depois da surpreendente demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras e a reação de pânico dos investidores com os possíveis efeitos sobre a política de preços da estatal, os investidores devem monitorar com atenção as próximas movimentações do governo e da companhia, agora sob a gestão de Ivan Monteiro, no início desta semana. Depois de uma queda acumulada de 2,10% do Ibovespa nos quatro pregões da semana passada, os investidores devem manter a avaliação das perdas geradas pela paralisação dos caminhoneiros e de indicadores econômicos que serão divulgados nos próximos dias. No exterior, a crise política italiana deve dar uma trégua. Confira ao que se atentar nesta segunda-feira e ao longo da semana:

1. Bolsas mundiais

A redução da percepção de risco político motiva um movimento de recuperação nas principais bolsas internacionais, após uma semana marcada pela preocupação com o impasse gerado na Itália e, posteriormente, na Espanha. Por outro lado, o clima pode não melhorar muito para os investidores com as indicações de vitória da agenda anti-imigração nas eleições na Eslovênia, em um sinal de que o fantasma do nacionalismo e isolacionismo segue pairando no ar no velho continente. Na Ásia, os investidores acertaram passo com o pregão positivo em Wall Street na sexta-feira, com os dados do emprego nos Estados Unidos reportando números acima do esperado.

Às 8h (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,33%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,51%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,35%

*DAX (Alemanha) -0,03%

*CAC-40 (França) +0,31%

*FTSE MIB (Itália) +0,26%

*Hang Seng (Hong Kong) +1,66% (fechado)

*Xangai (China) +0,52% (fechado)

*Nikkei (Japão) +1,37% (fechado)

*Petróleo WTI -0,56%, a US$ 65,44 o barril

*Petróleo brent -1,13%, a US$ 75,92 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -1,72%, a 457 iuanes (nas últimas 24 horas) 

*Bitcoin US$ 7.237
R$ 28.490 -1,99% (nas últimas 24 horas)

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2. Agenda doméstica da semana

O primeiro indicador que dará indícios dos efeitos que a greve teve na economia será o de produção de veículos, que será apresentado pela Anfavea na quarta-feira (6). A divulgação será relevante para dimensionar os primeiros efeitos negativos da paralisação, neste caso específico sobre o setor automotivo, e indiretamente sobre o setor industrial.

Já na sexta-feira (8), o IBGE divulga o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) referente ao mês de maio, em que a GO Associados projeta alta de 0,40%, acelerando em relação a taxa apurada em abril, de 0,22%. A projeção anterior era de 0,20%, mas foi elevada por conta da greve, que deve pressionar principalmente os preços dos alimentos in natura e combustíveis.

"De toda forma, tal pressão deve ser temporária e não afetar a trajetória da inflação para o restante do ano. Itens in natura que subiram muito nos últimos dias, como a batata e a alface, por exemplo, devem se normalizar já em junho, devolvendo tais altas", avalia a GO Associados.

Em geral, a inflação deve seguir abaixo do centro da meta neste ano, mas a projeção de 3,60% possui viés de alta, segundo a GO, devido à pressão do câmbio. De qualquer forma, a atividade econômica em fraca recuperação deverá conter tais pressões de alta nos preços.

Na política, a semana promete mais debates sobre os impactos das concessões fiscais feitas aos caminhoneiros, o corte de receita em alguns setores e a reoneração da folha de pagamentos de segmentos para compensar a redução de impostos federais. Neste fim de semana começa a valer o desconto de R$ 0,46 sobre o diesel nas bombas de combustível. Enquanto isso, os próximos dias também marcarão a avaliação do mercado sobre o futuro da Petrobras após a saída de Pedro Parente.

3. Agenda externa da semana

A semana será pouco movimentada nos Estados Unidos, com vários dados econômicos relativo ao setor de serviços, com o PMI serviços e o ISM não industrial sendo publicados na terça feira (5). No mesmo dia, sairá o relatório de abertura de novas ofertas de emprego, que poderá confirmar o cenário mais benigno para a evolução da taxa de juro nos EUA.

"Desde as duas últimas semanas, o mercado tem apostado em um cenário mais dovish e reduzido a probabilidade de quatro altas de juros neste ano e voltou a precificar com maior probabilidade a possibilidade de apenas três altas", avalia a GO Associados.

Na Europa, apesar do alívio desta sexta, o principal foco ainda será na crise política na Itália, com a possibilidade da organização de novas eleições no curto prazo e a formação de um governo populista. Nos próximos meses, o mercado europeu continuará analisando o contexto politico e o spread soberano da Itália.

Por fim, na Ásia, em um contexto de relativo alívio das tensões comerciais entre os EUA e a China, os dados do setor externo do gigante asiático de maio serão publicados na sexta-feira (11). Os números devem dar novos sinais do impacto da guerra comercial sobre a China, que por ora parecem moderados, dado que a sondagem PMI de atividade da última semana ficou acima do esperado.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

4. Notícias do dia

Técnicos dos ministério de Minas e Energia e da Fazenda reúnem-se hoje para discutir a criação de uma política de amortecimento de preços dos combustíveis que chegue ao bolso do consumidor. Esta é a segunda reunião do grupo de trabalho criado para esse fim. A discussão inclui derivados do petróleo, como a gasolina.

O acordo firmado com os caminhoneiros para o fim do movimento grevista define a redução de R$ 0,46 no preço do diesel. Agora, a intenção é incluir também na discussão os demais combustíveis, criando um mecanismo que proteja o consumidor da volatilidade dos preços finais.

Segundo o MME, o grupo vai convidar especialistas no assunto para ajudar a buscar uma solução que permita, por um lado, a continuidade da prática de preços livres ao produtor e importador e, por outro, o amortecimento dos preços ao consumidor. A primeira foi na última sexta-feira (1º), com técnicos da Agência Nacional do Petróleo.

Os investidores devem monitorar as pressões para a mudança na política de preços praticada pela Petrobras e as posições da gestão de Ivan Monteiro, diretor financeiro da estatal, que substitui Pedro Parente após o pedido de demissão do executivo. Conforme noticiaram os jornais no fim de semana, o novo comandante pode ter postura mais maleável e aceita discutir reajustes diários, mas sem perder o lastro com o mercado externo.

Enquanto discute uma mudança na política de preços e enfrenta a desconfiança do mercado após a demissão de Parente, o governo tenta vender a narrativa de não-ingerência na companhia. Na sexta-feira, o presidente Michel Temer disse que a nomeação de Monteiro é a prova de ausência desta interferência.

5. Radar corporativo

No mercado acionário, o dia tem como destaque o leilão da Eletropaulo na B3. A italiana Enel ofereceu R$ 45,22 por papel, superando os R$ 39,53 da rival espanhola Iberdrola. A indicação de Ivan Monteiro como novo presidente da Petrobras também deve agitar o mundo corporativo. Segundo o jornal Valor Econômico, a companhia informou ao governo que aceita rediscutir a política de reajuste diário da gasolina e alongar a periodicidade das mudanças de preços do combustível ao consumidor. A estatal, contudo, teria imposto duas condições: não perder o lastro nos preços internacionais e que seja protegida contra a importação nos períodos em que a cotação do mercado externo não estiver abaixo da vigente no Brasil. A BRF diz que vai avaliar a estrutura da empresa antes de escolher o novo presidente. Os papéis dispararam 9,2% na última sessão, com expectativas de que Pedro Parente assumiria o comando da companhia. As ações da CSN tiveram recomendação elevada para 'outperform' pelos analistas do Credit Suisse, com preço-alvo de R$ 11.

(com Agência Brasil)

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