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Ibovespa sobe mais de 1% após derrocada de 9,5% em duas semanas; dólar e DIs recuam com intervenção

Recuperação do mercado doméstico desafia clima de incerteza que toma conta do mercado internacional

trader - bolsa de Frankfurt - DAX - Alemanha
(REUTERS/Alex Domanski)

SÃO PAULO - Depois de recuar 9,5% em duas semanas, o Ibovespa encontra um alívio nesta terça-feira (29) e sobe 1,40%, aos 76.295 pontos, às 10h28 (horário de Brasília), contrariando o movimento de queda do mercado internacional em vista do impasse político na Europa. Por aqui, os investidores aguardam pela teleconferência do presidente da Petrobras (PETR4), Pedro Parente, agendada às 14h00, em meio aos rumores que poderá deixar o comando da estatal.

Na Europa, os investidores acompanham apreensivos os desdobramentos do impasse político na Itália, que levou o primeiro-ministro Giuseppe Conte a renunciar ao cargo. A dificuldade na formação de uma coalizão majoritária para governar o país tem provocado um impasse político preocupante na região. Os yields dos títulos públicos italianos disparam com partidos populistas tentando mobilizar o país por uma nova eleição após o presidente escolher Carlo Cottarelli como primeiro-ministro. Taxas dos papéis espanhóis, portugueses e gregos também sobem, ao passo que as dos títulos britânicos e alemães despencam com busca por proteção pelos investidores. Ambiente tenso também é observado na Espanha, com o primeiro-ministro Mariano Rajoy enfrentando dificuldades para governar.

Apesar do clima de incerteza internacional, o dólar futuro com vencimento em junho registrava desvalorização de 0,17%, aos R$ 3,730, após o Banco Central confirmar que irá manter as ofertas adicionais de swap cambial no fim maio e a partir de 1º de junho, reforçando sua atuação no mercado para conter a disparada da moeda. Na mesma linha, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operavam em baixa de 5 pontos-base, cotados a 6,71% e 8,77%, respectivamente, após intervenção do Tesouro para conter um novo estresse dos DIs.  O Tesouro manteve os leilões diários de compra ou venda NTN- F (Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) para ajustar a curva de juro mais longo, que sofreu grande distorção após decisão inesperada pela manutenção da Selic em 6,50% ao ano e as tensões com a greve.

Destaques do mercado

Depois de acumular queda de 30% com a greve, as ações da Petrobras recuperam-se e estão entre os destaques de alta do mercado, enquanto os papéis da Suzano recuam acompanhando a queda do dólar comercial. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 17,75 +4,97 +10,47 261,25M
 GOLL4 GOL PN N2 13,85 +4,53 -5,14 6,65M
 PETR3 PETROBRAS ON EJ N2 20,67 +4,45 +22,45 23,67M
 CSNA3 SID NACIONALON 7,61 +3,54 -9,19 8,01M
 KROT3 KROTON ON ED 11,06 +2,88 -38,89 12,94M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 44,19 -1,80 +137,58 16,81M
 CPFE3 CPFL ENERGIAON 22,06 -1,47 +15,30 973,96K
 FIBR3 FIBRIA ON 71,24 -1,23 +49,89 3,02M
 BRFS3 BRF SA ON 21,74 -1,18 -40,60 6,68M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 36,77 -0,57 +3,55 1,05M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Greve continua

Em um ambiente de resiliência da greve de caminhoneiros, o governo busca ampliar a pressão sobre o movimento e os principais atores envolvidos. Conforme noticia o jornal Folha de S.Paulo, o Planalto pressiona a Polícia Federal para acelerar investigações e prender suspeitos de dar suporte ilegal à paralisação. A ofensiva atípica desconsidera o fato de os inquéritos serem sigilosos e estarem em fase inicial. Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto negou a pressão e informou que a investigação ocorre em ritmo normal.

Nos últimos dias, têm sido apontados grupos políticos infiltrados no movimento grevista, além da própria possibilidade de participação ilegal de empresas, o que é conhecido como locaute. Em um momento de fragilidade política do governo, o risco seria de outros grupos organizados lançarem ofensiva similar, o que poderia dar início a uma rodada de concessões por Michel Temer e derrotas para as tentativas de ajuste nas contas públicas.

Apontado como um dos beneficiários do momento de efervescência política, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato à presidência, defendeu o fim da greve dos caminhoneiros em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. "Não interessa a mim, ao Brasil, o caos agora", afirmou o pré-candidato, líder nas pesquisas sem Lula, que inicialmente defendeu o movimento dos caminhoneiros.

Na noite de ontem, o plenário do Senado votou as seis medidas provisórias que trancavam a pauta, permitindo a votação de matérias para dar fim à greve dos caminhoneiros e à crise dos combustíveis. Os parlamentares aprovaram pedido de urgência para o projeto de lei que zera até o final do ano a cobrança de PIS/Cofins sobre o óleo diesel. O PLC 52/2018 já pode ser votado a partir desta terça-feira (29). A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (23) da semana passada, também como resposta à greve, que tem provocado desabastecimento no país.

Agenda econômica

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou agora pela manhã o resultado de abril da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e a taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,9%, em linha com a expectativa do mercado. Em igual período de 2017, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 13,6%.

Também pela agenda doméstica, a Secretaria do Tesouro Nacional informa o resultado fiscal de abril do governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência. A GO estima um pequeno superávit primário de R$ 500 milhões no mês. Segundo os analistas, o resultado positivo do mês é sazonal e reflete a arrecadação extra com os impostos recolhidos trimestralmente, como o IRPJ e CSSL.

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