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Após oito altas, Petrobras despenca 6%; bancos caem até 5% e só 3 ações sobem no Ibovespa

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (17) 

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

SÃO PAULO - A sessão é de queda bastante expressiva, acima de 3%, para o Ibovespa, com os investidores repercutindo a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a Selic, surpreendendo o mercado, enquanto também fica de olho no exterior, com o rendimento dos Treasuries mais uma vez acima de 3%. Apenas 3 ações registravam ganhos até às 16h36 (horário de Brasília): Cosan (CSAN3), Eletrobras (ELET3) e Energias do Brasil (ENBR3). 

Bancos têm uma sessão de forte baixa, caso de Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3), enquanto Petrobras (PETR4) despenca após seguidas sessões de ganhos com investidores embolsando lucros e de olho na cessão onerosa. Confira os destaques do mercado: 

Petrobras (PETR3;PETR4)

Após oito sessões sem saber o que é cair, as ações da Petrobras registram uma queda muito expressiva, com o petróleo fechando perto da estabilidade após o brent chegar a atingir os US$ 80 o barril e de olho na cessão onerosa. 

De acordo com o Valor Econômico, ainda há otimismo quanto a um acordo entre o governo e a União nos próximos dias. Porém, a comissão interministerial criada em janeiro terminou seus trabalhos sem um acordo final entre as partes e não será prorrogada, após 120 dias de discussões.

Na falta de um entendimento definitivo com a Petrobras, o governo pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) para fazer uma conciliação e resolver pendências em torno da revisão do contrato da cessão onerosa no pré-sal.

A questão sobre a cessão onerosa trata sobre o acordo de 2010 que permitiu à Petrobras explorar, sem licitação, 5 bilhões de barris no pré-sal foi feito para capitalizar a empresa. Em troca, a estatal pagou à União R$ 74,8 bilhões. Nos anos seguintes, porém, a cotação do barril de petróleo caiu muito. Por causa disso, a Petrobras alega que pagou à União um valor muito alto no acordo de 2010, e quer ser ressarcida. Por outro lado, há nessas áreas muito mais do que os 5 bilhões de barris que o contrato garantiu à estatal. E o governo pretende leiloar esse excedente, o que poderia render até R$ 100 bilhões aos cofres da União.

Ainda no noticiário da estatal, ela informou que produziu em média 2,09 milhões de barris de petróleo por dia (bdp) em abril no país, alta de 1% ante março, no primeiro aumento após seis meses consecutivos de queda, ao passo que a produção de gás natural também cresceu.

Já a Reuters informa que Glencore, Vitol e Shell se juntaram a consórcios para realizarem propostas por ativos nigerianos da Petrobras. Vitol fez uma oferta junto com a Delonex, subsidiária de petróleo da Warburg Pincus, e com a Africa Energy, empresa listada no Canadá. 

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira a Medida Provisória 811/17, que permite à Pré-Sal Petróleo (PPSA) realizar diretamente a comercialização da parte de óleo devida à União na exploração de campos da bacia do pré-sal com base no regime de partilha. A matéria será enviada ao Senado. 

Antes da MP, a lei de criação da PPSA permitia apenas a contratação de agentes de comercialização para vender o petróleo da União. Após a obstrução da oposição em boa parte do dia, a maioria dos partidos entrou em acordo em relação à exclusão de algumas mudanças feitas no texto pelo projeto de lei de conversão do relator da MP, senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE). Foi retirada do texto a possibilidade de a União optar, nos futuros leilões de blocos de exploração do pré-sal, por receber o valor em pecúnia equivalente à quantidade em óleo que lhe cabe. 

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Essa opção poderia ser exercida ainda nos contratos em andamento por meio de aditivo. Outro ponto retirado do texto impediu que a PPSA vendesse o óleo da União por preço inferior ao de referência, que é estipulado pela ANP, quando não houver interessados na compra. Após a venda direta do óleo, o resultado obtido será revertido ao Fundo Social para aplicação em programas das áreas de educação; cultura; esporte; saúde pública; ciência e tecnologia; meio ambiente; e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. 

Construtoras

A liminar que vetou o direito de protocolo na capital paulista foi derrubada nesta tarde de quarta-feira,16, em julgamento do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A sessão teve 16 votos favoráveis à queda da liminar e 7 votos contrários.

O primeiro voto foi do desembargador Evaristo dos Santos, relator do caso, que negou o recurso da Prefeitura. Em seguida, o presidente do (TJ-SP), desembargador Pereira Calças, divergiu do relator e votou favoravelmente ao recurso da Prefeitura, sendo acompanhado pela maioria dos presentes.

O julgamento diz respeito ao recurso apresentado pela Prefeitura de São Paulo contra a liminar concedida pelo TJ-SP, a pedido do Ministério Público (MP), que suspendeu o direito de protocolo desde fevereiro. Esse instrumento garante que os empreendimentos imobiliários encaminhados para licenciamento na Prefeitura sejam analisados conforme a legislação vigente na época em que são protocolados, mesmo se houver mudanças na legislação nos períodos seguintes.

Segundo o Credit Suisse, a notícia é positiva para as construtoras de média renda, eliminando um importante contratempo do setor e podendo trazer lançamentos em regiões com maior potencial de demanda.

"Além disso, a decisão evita a necessidade de refazer os projetos para obedecer as regras mais restritas, o que poderia levar a menores margens desses novos projetos, sem falar em atrasos. Se o bloqueio fosse mantido, o impacto poderia ser de 20% nos lançamentos de 2018, sendo que a Cyrela (CYRE3), Even (EVEN3) e EzTec (EZTC3) seriam as mais afetadas, com os lançamentos potenciais caindo R$ 600 mihões, R$ 220 milhões e R$ 170 milhões, respectivamente", apontam os analistas.

Segundo os analistas, a decisão foi ainda mais favorável do que o cenário base de que o bloqueio seria mantido nas áreas de proteção ambiental, o que deve levar a uma reação positiva do setor. 

CSN (CSNA3)

Após antecipar na conferência de resultados que planejava aumentar preços no mês, o aumento foi confirmado pela CSN, mas acima do esperado, segundo informações do Valor. O aumento totaliza 11.75% para laminados a quente e frio, e 8.25% para zincados e folhas metálicas.

"O anuncio é positivo para a CSN e Usiminas, e deve ajudar nos resultados do segundo semestre. Com o aumento, o preço no mercado doméstico iria para um prêmio de 5-10% em relação ao material importado, ainda abaixo dos 10-15% considerados justos", destaca a equipe de análise da XP. 

Por outro lado, Vale (VALE3) registra um dia de perdas, acompanhando a baixa do minério de ferro em Dalian. 

Ambev (ABEV3)

Segundo Valor Econômico, a Ambev perdeu parte de uma disputa fiscal bilionária ontem no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). A Receita Federal cobra Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL sobre os valores de ágio utilizados pela companhia entre 2011 e 2013 - proveniente da incorporação da InBev Holding Brasil, no processo de fusão entre a Ambev e a Interbrew. De acordo com o Formulário de Referência, a autuação é de R$2,8 bilhões, mas ainda não se sabe quanto a empresa teria que arcar após o julgamento.

A chance de perda do caso já era considerada possível pela Ambev e a empresa informa que se tiver que arcar com a autuação, a Anheuser-Busch Inbev reembolsará o valor proporcional (70%) ao seu benefício decorrente da amortização do ágio referido, bem como dos respectivos custos.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O Governo pretende se valer de uma norma do regimento interno da Câmara dos Deputados para que se acelere a votação da proposta de privatização da Eletrobras.

Por decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o projeto tramita de forma conclusiva na comissão. Um grupo de 52 deputados pode apresentar recurso para que o projeto tenha que ser analisado pelo plenário da Câmara, mas a votação, neste caso, seria apenas uma, do recurso. Se rejeitado, o que depende apenas da maioria simples, o texto seguiria direto para o Senado. Com essa regra, o governo evitaria um debate mais longo, com a discussão e depois votação de dezenas emendas. Se bem sucedida, essa pode ser uma alternativa para viabilizar a privatização da empresa ainda esse ano, embora os articuladores do PL na Câmara se queixem da desmobilização do Governo para aprovar o projeto e o prazo apertado. A intenção é terminar a votação até o fim de maio e do recurso em junho.

Em artigo ao jornal O Globo, Wilson Ferreira Jr, presidente da Eletrobras, escreveu que debater a capitalização da estatal elétrica “é crucial para o
Brasil” porque a cada ano a empresa perde competitividade, cedendo espaço às concorrentes.

“É incontestável que a Eletrobras cumpriu seu papel no desenvolvimento do setor elétrico brasileiro, mas também foi usada, de forma sistemática e indevida, para promover a modicidade tarifária, a qualquer custo”, escreve o executivo, citando MP de 2012 na qual 14 usinas passaram a operar no regime de cotas, encolhendo as receitas e elevando as despesas da
estatal, além de ser “convocada” a participar como sócia minoritária de grandes hidrelétricas, apurando prejuízo de R$ 31 bilhões de 2011 a 2016.

Projeto de Lei que trata da capitalização da Eletrobras “é um enorme passo” para mudar esse cenário, escreve. “Capitalizada, a Eletrobras poderá voltar a disputar os leilões de expansão da oferta de energia e, desta maneira, beneficiar o consumidor, de forma inequívoca, com menores
tarifas”. 

Reações ao Copom

Ações de empresas sensíveis a juros, como varejistas, reagem à decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 6,50%, uma vez que foi inesperada, com a expectativa majoritária de queda dos juros a 6,25% ao ano.  

Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3), Lojas Americanas (LAME4), B2W Digital (BTOW3), que se beneficiam de um cenário de queda de juros, que traz aumento do consumo, registram queda. Vale destacar que, na véspera, o dia foi de fortes ganhos para as companhias. 

Bancos têm uma sessão de baixa, caso de Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3). O setor financeiro, apesar de ganhar com os juros mais altos por um lado, é beneficiado com o corte da Selic por conta da redução dos custos de captação de bancos, que caem mais rapidamente do que as taxas de juros oferecidas aos clientes. E, mesmo com a redução do spread bancário, o volume de empréstimos pode ser elevado. Os investidores ainda embolsam os lucros dos fortes ganhos da véspera, quando o Ibovespa subiu mais que o exterior. 

Vale destacar que, mesmo com a manutenção dos juros pelo Copom, o Itaú Unibanco anunciou nova redução dos juros cobrados nas linhas de cheque especial e de empréstimo pessoal. O banco não vai mexer nas taxas mínimas cobradas nessas modalidades, mas informou, em nota à imprensa, que o juro médio cobrado no cheque especial sai de 11,90% para 11,50% ao mês.

 

Eletropaulo (ELPL3)

A CVM foi consultada por Neoenergia e Enel sobre procedimentos das ofertas; resposta foi divulgada pela Eletropaulo em comunicado ao mercado.

A consulta da Neoenergia inclui perguntas sobre possibilidade de envio de aditamento com alteração de preço no último dia do prazo em envelope lacrado à B3, possibilidade de renúncia à aquisição de controle e realização de OPA unificada. 

A Enel consultou CVM sobre se eventual terceiro interferente também terá como condição a aquisição de controle e quais os procedimentos para potenciais aditamentos em relação ao preço. A decisão do colegiado foi de que é "incabível" a possibilidade de renúncia de aquisição de controle em OPA para aquisição de controle e que interferências compradoras deverão ter por objeto todas as ações das OPAs já lançadas que tiverem ordens de venda.

Reconhece possibilidade de aditamento para formulação de OPA única, cumulando OPA para aquisição de controle e oferta voluntária, porém ressalta que prazo para tal aditamento já terminou. Não vê obstáculos a que a B3 receba propostas de aumento de preço, mas ressalta que SRE deve estar de acordo com novo procedimento a ser proposto pela B3 para recebimento dessas propostas. 

Estácio (ESTC3)

A Estácio aprovou a recompra de até 15,9 milhões de ações ordinárias em 18 meses.

 

CVC (CVCB3)

O BTG Pactual destacou que dada a queda forte da ação da CVC, de 14% desde o início de abril, e o resultado forte que a companhia reportou no primeiro trimestre, atualizou as estimativas e reafirmou a visão positiva no case, um dos top picks dos analistas do banco no setor.

"Aquisições recentes, reforçando o modelo de negócio, devem trazer maiores sinergias nos próximos 2 anos e não vemos o apetite por fusões e aquisições diminuindo. O cenário macro favorável também vai se traduzir em boas perspectivas de crescimento de receita olhando pra frente", afirmam.

Os analistas atribuem a recente queda dos papéis à realização de lucro e exposição a câmbio (35% da receita da CVC vem da venda de pacotes internacionais). "Em cima do ponto do câmbio, vale voltar a 2015 quando o real desvalorizou 48% e a receita da cia cresceu 14% na base anual", apontam. Os analistas reiteram recomendação de compra e elevaram o preço-alvo de R$ 58 para R$ 60. 

Smiles (SMLS3)

De acordo com o BTG, a queda da Smiles, com baixa de cerca de 20% no ano, também é exagerada e os analistas recomendam compra. 

"Acreditamos que tal performance reflete i) aumento da percepção de risco da Gol (apesar de vermos a cia num posição confortável de liquidez) em cima de preço mais alto de querosene de aviação e depreciação do real, ii) questões de governança corporativa que assolaram a cia no passado recente (algo já endereçado na nossa opinião) e iii) realização de lucros seguindo o resultado do trimestre, que veio em linha", afirmam. Os analistas seguem positivos no case, dado que trata-se se um player resiliente de câmbio. 

 

(Com Bloomberg e Agência Estado)

 

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