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Desligou no feriado? Confira as notícias que você precisa ficar de olho na volta do Carnaval

Os assuntos que vão agitar esta quarta-feira e a semana na volta do feriado de Carnaval

Carnaval
(Nicolas de Camaret/Wikicommons)

SÃO PAULO - Após dois dias de bolsa fechada, a quarta-feira de Cinzas chegou em uma sessão encurtada para a bolsa brasileira, que começará as suas negociações a partir das 13h (horário de Brasília). Contudo, após a folia do Carnaval, a expectativa é de uma sessão de ânimo para a B3, em meio aos últimos dias de ganhos observados pelo ADRs brasileiros.

Contudo, antes da bolsa abrir, vale ficar de olho na inflação dos EUA, que pode dar um sinal de como serão os próximos passos do Federal Reserve, um dos "pivôs" da tamanha volatilidade dos mercados de capitais nos últimos dias. Por aqui, o noticiário político também está movimentado, com a retomada das negociações para a previdência e o cenário eleitoral em foco. Confira os destaques do feriado e o que esperar para o resto desta semana:

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1. Bolsas mundiais e ADRs no feriado
Enquanto a bolsa brasileira esteve fechada por conta do feriado de Carnaval, os ADRs (American Depositary Receipts) tiveram dias de ânimo e alívio. Na segunda-feira, o Dow Jones Brazil Titans 20, que reúne os recibos de ações brasileiras mais negociadas em Wall Street, tiveram alta de 1,39% e, na terça-feira, subiram 0,59%. Esse cenário deve levar a uma sessão de alívio após uma semana anterior bastante conturbada, com o índice caindo 3,74%, em sua pior semana desde o "Joesley Day", em maio do ano passado, quando recuou 8,18%.  

Na última segunda-feira, os ADRs subiram forte na esteira dos índices norte-americanos com a volatilidade continuando a dar o tom dos mercados, com o Dow Jones e o S&P500 subindo mais de 1% e o petróleo também registrando alta, com o mercado reagindo ao comunicado da Opep sobre o aumento da projeção para a demanda do petróleo em 2018. Vale destacar ainda que, na última segunda-feira, o presidente americano Donald Trump apresentou seu esperado plano de infraestrutura de US$ 1,5 trilhão para cumprir uma série de promessas da campanha. O sucesso do projeto, no entanto, depende em boa parte dos recursos que serão financiados por governos estaduais e municipais. 

O plano da administração está centrado na utilização de US$ 200 bilhões em dinheiro federal para alavancar os impostos estaduais e municipais para melhorar a infraestrutura do país. Trump apontou o estado de "desmoronamento" de estradas e rodovias como um dos motivos para que a economia norte-americana não alcance seu potencial.

Já na terça-feira, a alta dos ADRs nacionais foi mais comedida, mas o índice Brazil Titans 20 seguiu em alta apesar da cautela que influenciou os mercados globais com a expectativa pela divulgação dos dados de inflação dos EUA que saem nesta quarta-feira às 11h30. Os dados de inflação estão sendo acompanhados de perto pelo mercado, ainda mais em meio às indicações de que o aumento dos juros nos EUA pode ocorrer de forma mais acelerada caso os indicadores de preços voltem a se acelerar. 

Nesta quarta, o dia segue de alta para as principais bolsas mundiais, com as da China ampliando ganhos recentes antes de interromperem as atividades para o feriado do chamado ano-novo lunar (que  manterá os mercados da China fechados entre amanhã e o próximo dia 21) e a do Japão caindo em meio ao fortalecimento do iene em relação ao dólar. O dia é de queda para o petróleo, enquanto o minério de ferro avança em Dalian. 

Às 9h42 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,51%

*S&P Futuro (EUA) +0,41%

*CAC-40 (França) -0,51%

*FTSE (Reino Unido) -0,47%

*DAX (Alemanha) -0,36% 

*FTSE MIB (Itália) +0,37%

*Hang Seng (Hong Kong) +2,27% (fechado)

*Xangai (China) +0,46% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,43% (fechado)

*Petróleo WTI -0,74%, a US$ 58,75 o barril

*Petróleo brent -0,41%, a US$ 62,46 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +2,57%, a 539,5 iuanes (nas últimas 24 horas)

Bitcoin US$ 8.277,04 -1,03% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda da semana
Como já citado acima, nesta quarta-feira, o destaque fica para a inflação ao consumidor nos EUA de janeiro, além das vendas no varejo, enquanto no dia seguinte será divulgado o dado de produção industrial. Segundo a GO Associados, os dados ganham importância depois do aumento da volatilidade nas bolsas dos EUA, que se espalhou para o resto do mundo nesta semana. 

"O país está crescendo em um bom ritmo, mas até então com a inflação se mantendo abaixo da meta de 2,0%. Os dados recentes do mercado de trabalho mostraram ganhos salariais acima do esperado, o que gerou um temor de aceleração da inflação acima do previsto, o que levaria a aumentos mais rápidos dos juros pelo Fomc", dizem os analistas. A expectativa mediana de analistas consultados pela Bloomberg é de uma alta de 0,3% da inflação ante o mês anterior. 

Por aqui, a política monetária será o grande destaque, com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na quinta-feira às 8h (horário de Brasília). O documento deve dar mais detalhes sobre as explicações do Banco Central, que pode cravar ainda mais o fim do ciclo de cortes da Selic.

Voltando ao exterior, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,6% no quarto trimestre de 2017 ante os três meses anteriores e teve expansão anual de 2,7% no mesmo período, segundo revisão publicada hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Os dados vieram em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal e confirmaram estimativas preliminares divulgadas no fim de janeiro. Em termos anualizados, o PIB do bloco cresceu 2,4% entre outubro e dezembro, informou a Eurostat.

3. Noticiário político
Mesmo em meio ao Carnaval, o noticiário político foi bastante movimentado, com destaque para as movimentações sobre a candidatura ou não de Luciano Huck, cujas negociações devem ser retomadas após o feriado. Mesmo em meio às negativas sobre a sua candidatura, os rumores de que o global está estudando se candidatar voltaram após a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  O apresentador intensificou nos últimos dias as consultas a políticos e empresários sobre a viabilidade de seu nome na disputa presidencial.  Na última sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que Huck “está considerando a possibilidade” de se candidatar.  Além disso, a Folha noticiou que um jatinho de Huck que foi financiado a juros subsidiados pelo BNDES o que, segundo a Eurasia, revela algumas vulnerabilidades do apresentador para a campanha (veja mais clicando aqui). 

Já o jornal O Estado de S. Paulo apontou que o economista Paulo Guedes está proponto um plano liberal ao candidato Jair Bolsonaro, que costuma ser um defensor de uma política nacional-desenvolvimentista. Entre as propostas estão um mandato fixo de quatro anos para a diretoria do Banco Central e privatizações de estatais. Paulo Guedes foi anunciado como o possível ministro da Fazenda de Bolsonaro caso ele seja eleito. 

Outra questão que ganhou as manchetes durante o feriado foi a fala do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, à Reuters. O delegado sugeriu, segundo noticiado pelo site de notícias, que o inquérito que investiga o presidente Michel Temer no caso decreto dos Portos deve ser arquivado. Segovia alegou que foi mal interpretado sobre suas declarações e disse ao Estadão que não vai pedir demissão. Sobre o assunto, o jornal O Globo informa que a Polícia Federal deverá pedir a prorrogação do prazo do inquérito. O prazo termina no próximo dia 20, mas de acordo com investigadores, apesar de a apuração ter avançado, ainda é preciso esclarecer alguns pontos.

Além disso, a TV Globo noticiou que o Ministério Extraordinário da Segurança Pública será criado por medida provisória depois do carnaval. “Na semana passada, Temer bateu o martelo em razão do agravamento da crise de segurança. O texto da MP, inclusive, já está pronto e o governo avalia nomes para a função", apontou o canal.

Atenção ainda para o TSE. O Tribunal publicou a resolução que disciplina os mecanismos de financiamento de campanha para as eleições de 2018. De acordo com o texto, publicado no dia 2 no Diário da Justiça Eletrônico, além dos recursos partidários e doações de pessoas físicas, os candidatos poderão usar recursos próprios em suas campanhas, o chamado autofinanciamento. Sobre eleições, atenção ainda para uma nova pesquisa eleitoral no Pará, que foi registrada pelo Ibope. No site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) consta que a pesquisa será divulgada dia 15 de fevereiro, mas não há informações adicionais sobre período de coleta de dados. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Sobre todo o impasse eleitoral, vale ficar atento ainda ao desenrolar da situação de Lula no cenário eleitoral de 2018. Na última sexta-feira, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu enviar o pedido de habeas corpus feito pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao plenário da corte, após negar a solicitação.

4. Reforma da previdência
Enquanto o noticiário eleitoral segue movimentado, o governo faz o esforço final para votar a reforma da Previdência ao retomar os trabalhos hoje e disposto a fazer novas concessões na proposta em busca de voto, segundo informa O Globo. Temer deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar da matéria. Maia tem dito que a proposta não passa se não houver engajamento de prefeitos e governadores e que ele pode retirar o assunto da pauta se o Planalto não conseguir os votos necessários à aprovação da reforma. 

A coluna Painel, da Folha, destaca um apoio que o governo está recebendo: a de associações empresariais ligadas à indústria e ao agronegócio, que resolveram aumentar a pressão sobre os deputados federais. Definiram como alvo cerca de 120 parlamentares que ainda se declaram indecisos sobre a proposta negociada pelo governo com o Congresso. "Encerrado o Carnaval, pretendem bombardeá-los com mensagens telefônicas para que aprovem as mudanças nas aposentadorias", afirma a coluna.

5. Noticiário corporativo
O destaque do noticiário corporativo desta volta do feriado fica para a notícia de que a Sonae, que controla a Sonae Sierra, estuda comprar as operações do Walmart Brasil. Uma fonte oficial da Sonae negou a informação ao jornal português Econômico.  Já a Petrobras comunicou que fechou negócio de R$ 1,24 bilhão com UEGA e a Compagás. A Petrobras vai vender gás natural para a UEGA com a Compagás como intermediária de 1 de fevereiro a 31 de dezembro. A Alpargatas divulgou resultado do quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 45,1 milhões e receita líquida de R$ 1,10 bilhão. 

Já a Inepar disse que suas ações serão retiradas da B3 depois de não entregar informações trimestrais referentes aos dois primeiros trimestres de 2017, segundo comunicado. A exclusão será a partir de 13 de março. A Brasil Pharma, em recuperação judicial, informou ter recebido aviso de vencimento antecipado de notas de crédito do Banco BTG Pactual e do BTGI VIII Empreendimentos e Participações. O valor devido é R$ 550 milhões. Enquanto isso, a Usiminas também confirmou a estimativa de despesa financeira líquida consolidada em torno de R$ 500 milhões. Por fim, atenção para a entrevista do novo presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, à Folha no último fim de semana. Ele afirmou que os bancos brasileiros precisam se adaptar a uma realidade de taxas de juros mais baixas e aumentar a receita expandindo a base de clientes. 

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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